O governador do Piauí e candidato à reeleição pelo PT, Rafael Fonteles, avaliou a campanha eleitoral durante entrevista nesta quinta-feira (1º) e apresentou prioridades para um eventual segundo mandato. Entre os temas abordados estão desenvolvimento econômico, saúde, segurança pública, educação, infraestrutura, abastecimento de água, equilíbrio fiscal e o cenário eleitoral.
Ao fazer um balanço da campanha, Rafael Fonteles afirmou que a estratégia adotada foi baseada na apresentação de propostas e no contato direto com os eleitores. O candidato também declarou confiança no desempenho da chapa na reta final da disputa.
“Estou muito feliz com a nossa caminhada. Acho que fizemos uma campanha bastante propositiva. Eu me dediquei muito ao nosso Plano de Governo e procurei fazer uma campanha de muita proximidade, muito contato, olho no olho com o povo do Piauí em todas as regiões do estado."
Rafael Fonteles também falou sobre a composição política do chamado Time do Povo. Segundo ele, divergências relacionadas a questões políticas locais seriam exceções diante da unidade em torno da chapa majoritária.
“A regra geral é a união de todo o Time do Povo. Isso nos deixa confiantes nessa reta final, mantendo sempre a humildade e o pé no chão. Não existe campanha fácil”, declarou.
Renda das famílias é apontada como prioridade
Para um eventual segundo mandato, Rafael Fonteles apontou o aumento da renda das famílias como um dos principais desafios. A proposta apresentada pelo candidato prevê a ampliação do Pacto pela Economia, iniciativa voltada ao empreendedorismo e ao fortalecimento das atividades produtivas. O programa já foi lançado pelo Governo do Piauí com foco em crédito, qualificação, infraestrutura e apoio às vocações econômicas dos municípios.
“Se eu quero melhorar a renda das famílias, tenho que apostar no empreendedorismo. Quero turbinar o Pacto pela Economia."
Entre as medidas citadas estão a ampliação do crédito produtivo, o fortalecimento da Badespi em articulação com instituições como Banco do Nordeste (BNB), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), além de mais assistência técnica, qualificação profissional, infraestrutura para produção e desburocratização do ambiente de negócios.
O Plano de Governo 2027-2030 apresentado pela candidatura tem 68 páginas, oito eixos, 53 programas e cerca de 200 metas. Entre as propostas está a geração de renda como um dos principais eixos para um eventual segundo mandato.
Saúde terá descentralização e novas centrais de exames
Na saúde, Rafael Fonteles defendeu a continuidade da estratégia de descentralização dos serviços e citou a adoção de diferentes modelos de gestão nas unidades hospitalares. Segundo ele, independentemente do modelo administrativo, os serviços devem permanecer públicos e gratuitos.
O candidato também citou a implantação de 16 centrais de exames e afirmou que a meta para um eventual segundo mandato é chegar a 28 unidades, uma em cada microrregião do estado. A ampliação das Centrais de Exames para as 28 microrregiões também aparece entre as metas apresentadas no plano de governo.
Abastecimento de água
Ao tratar do abastecimento de água, Rafael Fonteles reconheceu que ainda existem desafios e afirmou que a universalização continua sendo uma das metas.
Segundo o candidato, a concessão dos serviços de água e esgoto prevê investimentos superiores aos realizados anteriormente pela Agespisa. Para comunidades rurais dispersas que não são alcançadas pela concessão, ele afirmou que Estado, municípios e Governo Federal deverão continuar executando sistemas de abastecimento.
Rafael também citou investimentos realizados nos últimos quatro anos para atender comunidades menores, incluindo localidades com poucas dezenas de residências.
Em ações de enfrentamento à estiagem, o Governo do Piauí informou investimentos superiores a R$ 500 milhões, incluindo obras de abastecimento, adutoras, poços, barragens e outras medidas.
Segurança terá foco em repressão e inteligência
Na segurança pública, Rafael Fonteles afirmou que pretende ampliar uma estratégia baseada em repressão ao crime, inteligência, tecnologia e integração entre as forças policiais.
Durante a entrevista, o governador disse que a taxa de homicídios no estado, que segundo ele estava em torno de 24 casos por 100 mil habitantes, deve terminar 2026 na faixa de 12 a 13 por 100 mil. Para os próximos anos, afirmou que pretende reduzir o indicador para menos de 10 por 100 mil.
O candidato, porém, disse que a política de segurança não pode se limitar à repressão e relacionou o combate à criminalidade à ampliação de oportunidades para a população, especialmente para os jovens.
“Se você ficar prendendo e todo ano novas levas de jovens forem para o crime, estará só enxugando gelo.”
Rafael citou investimentos em educação pública, escolas de tempo integral, formação profissional e programas voltados à juventude como parte dessa estratégia de prevenção.
Equilíbrio fiscal e investimentos
Outro ponto abordado foi o equilíbrio das contas públicas. Rafael Fonteles defendeu a manutenção da capacidade de pagamento do Estado e afirmou que uma situação fiscal equilibrada permite antecipar investimentos em áreas como saúde, educação, infraestrutura e segurança.
“Se o Piauí pode investir agora, tem que investir agora. O povo não quer esperar anos para que a escola fique moderna, para que a estrada fique boa ou para que os hospitais sejam melhorados.”
O candidato também disse que os 224 municípios piauienses receberam investimentos durante o mandato e afirmou que cada cidade teve pelo menos R$ 10 milhões aplicados. Para Teresina, segundo ele, os investimentos estaduais ultrapassaram R$ 1 bilhão nos últimos quatro anos.
Candidato comenta disputa presidencial
Durante a entrevista, Rafael Fonteles também comentou a eleição para a Presidência da República. Ao falar sobre a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o governador avaliou o cenário nacional como polarizado e afirmou acreditar na vitória de Lula.
Rafael também falou sobre um eventual segundo turno e defendeu o diálogo com eleitores que tenham escolhido outros candidatos ou não tenham comparecido às urnas no primeiro turno.
Plano de Governo
Ao final da entrevista, Rafael Fonteles voltou a citar o Plano de Governo registrado para o período de 2027 a 2030. O documento tem 68 páginas e está estruturado em oito eixos, 53 programas e cerca de 200 metas específicas.
“Caso eu vença as eleições, com a vontade de Deus e do povo, o que vou fazer é o que está no Plano de Governo. Então, é muito importante que a população conheça nossas propostas de maneira clara.”