Escândalo do Banco Master está cada vez mais próximo de Flávio Bolsonaro

Com seu marqueteiro Marcelo Lopes e o aliado Ciro Nogueira envolvidos com Vorcaro, Caso Master assusta o entorno do candidato do PL a presidente

Na trama de fraudes do escândalo do Banco Master, diversas figuras da extrema direita já apareceram ligadas a Daniel Vorcaro. Apontado como um de seus "estrategistas" em ataques contra o Banco Central está Marcello Lopes, coordenador de comunicação da campanha de Flávio Bolsonaro. Outro é Ciro Nogueira, cujos imóveis foram alvos de busca e apreensão, e é cotado como vice da candidatura da extrema direita.

Segundo um documento chamado "Projeto DV", obtido pela Folha de São Paulo, Marcello teria sido contratado por Daniel Vorcaro junto a Thiago Miranda, dono da agência Mithi, e Anderson Nunes, publicitário da Unltd Network. Eles seriam responsáveis por uma série de ataques coordenados contra o Banco Central, que atingiria seus executivos e também investigadores do caso Master, envolvendo pelo menos 46 perfis de internet.

O ataque ocorreu no início deste ano, num momento em que as investigações tensionavam as instituições e influenciavam o processo de análise da venda do Master para o Banco de Brasília. Eram perfis com milhares de seguidores divulgando repentinamente informações sobre o tema.

Agora, um documento obtido pela Folha aponta que o que estava por trás daquela movimentação eram grandes publicitários conhecidos do meio político. O negócio envolveu também transações financeiras de grande monta, com um comprovante de pix de Miranda para Marcelo no valor de R$650 mil. 

Marcello, apesar disso, negou que estivesse envolvido no ataque e alegou que o valor seria referente a trabalhos antigos sobre os quais não poderia dar detalhes. Disse que Miranda teria o contatado para entrar em um "projeto grande", mas que ele não estaria disponível naquele momento.

Miranda, por outro lado, diz que o pagamento serviria para assegurar a presença de Marcello no projeto. Ele teria incluído o marqueteiro de Flávio para "dar peso ao trabalho", mas que Marcello teria deixado o projeto três semanas depois, quando soube que se tratava de um plano para o Banco Master, alegando "conflito de interesses" pois atende contas importantes e por isso não poderia seguir.

Sobre as versões divergentes, Marcello diz que Miranda deve "estar confuso" por supostamente estar sendo acusado de algo que não fez. Confuso ou não, as versões diferentes da história indicam que deve haver mais sobre isso do que pode caber nas palavras que os dois dizem publicamente. Às vésperas da eleição, homens de confiança de Flávio Bolsonaro aparecem cada vez mais enlameados no escândalo do Master.

Outro caso emblemático disso é Ciro Nogueira. Após ser alvo da Polícia Federal sobre o caso, ele mudou sua defesa quatro dias depois das operações de busca e apreensão em endereços do senador bolsonarista no Distrito Federal e no Piauí.

Segundo as investigações, o senador recebia um tipo de "mesada" de Vorcaro em troca de uma atuação parlamentar que favorecesse os interesses do banqueiro. Parte desse favorecimento teria sido uma emenda legislativa que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. A decisão judicial que determinou as buscas também decidiu pelo bloqueio de bens de até R$18,85 milhões.

Segundo Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira teria "todas as credenciais" para ser seu vice. Não gera espanto que ser envolvido com crimes seja parte dessas credenciais, considerando que se trata da família Bolsonaro. 

Ciro se conforma como um dos principais braços políticos de Vorcaro em sua rede de fraudes, que envolve todas as instituições do regime político e desnuda a corrupção estrutural com a qual se mantém o Estado capitalista, um verdadeiro balcão dos mais sujos negócios dos capitalistas.

Assim, a campanha de Flávio, já marcada por todos os crimes da extrema direita e pela defesa de seus ataques contra a classe trabalhadora e todos os setores oprimidos, também vai carregando desde já a marca da corrupção evidenciada pelo escândalo do Master.