O debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado na sexta-feira (23), levou para a televisão uma série de acusações e afirmações sobre os governos dos dois candidatos. Ao longo do confronto, foram discutidos temas como o combate à fome, a dívida pública, o salário mínimo, as apostas on-line, a segurança pública e a execução de obras federais.
Para verificar o que foi dito, o Fato ou Fake , serviço de checagem do Grupo Globo, examinou declarações dos dois candidatos com uma equipe de mais de 30 jornalistas. A apuração comparou as falas com documentos públicos, estatísticas oficiais, registros legislativos e informações de órgãos como o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Banco Central.
O resultado não se resume a separar todas as declarações entre verdadeiras e falsas. Em várias delas, os dados confirmam uma parte do argumento, mas mostram que a informação foi apresentada sem contexto suficiente. Também há afirmações que precisam ser corrigidas e outras que são contraditas pelos registros consultados.
Como consultar esta checagem
FATO — Os dados e documentos sustentam a afirmação verificada, respeitadas as observações apresentadas na explicação.
FAKE — A declaração é contradita pelos registros ou atribui a alguém uma fala que não foi feita daquela maneira.
NÃO É BEM ASSIM — A afirmação contém informações corretas, mas apresenta distorções, omissões, números imprecisos ou uma interpretação que precisa de contexto.
Confira as declarações por candidato: Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT).
Flávio Bolsonaro (PL)
1. O vídeo de Jair Bolsonaro sobre a Covid-19 foi apresentado fora de contexto?
FAKE
Durante o debate, Flávio Bolsonaro exibiu uma versão de um vídeo do pai, Jair Bolsonaro, para contestar a acusação de que o ex-presidente teria debochado de pessoas que sofriam com falta de ar durante a pandemia.
A checagem identificou que o material publicado por Flávio nas redes sociais foi editado. A gravação original é de uma transmissão ao vivo feita por Jair Bolsonaro em 18 de março de 2021, e a versão divulgada pelo senador suprimiu aproximadamente 30 segundos da fala.
No trecho retirado, Jair Bolsonaro comentou que dezenas de milhares de médicos eram favoráveis ao chamado tratamento inicial contra a Covid-19. A edição, portanto, eliminou parte do contexto da transmissão original.
Também é incorreta a afirmação de que ainda não havia vacina contra o coronavírus naquele momento. A vacinação já havia começado no Brasil em 17 de janeiro de 2021, em São Paulo, com a aplicação da CoronaVac, autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em 18 de março daquele ano, o país registrou 2.659 mortes por Covid-19, chegando a 287.795 óbitos acumulados, segundo dados do consórcio de veículos de imprensa.
2. Bolsonaro reduziu o número de obras paralisadas de cerca de 14 mil para pouco mais de 8 mil?
FATO
Flávio Bolsonaro afirmou que o governo do pai recebeu o país, em 2019, com aproximadamente 14 mil obras inacabadas e encerrou o mandato com pouco mais de 8 mil.
A checagem encontrou números próximos aos mencionados. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), registrada no Acórdão 1.079/2019, identificou 14.403 empreendimentos paralisados naquele ano, o equivalente a cerca de 37,5% do total analisado. Já em agosto de 2022, o painel do tribunal registrava 8.674 obras paralisadas, de um total de 22.559 monitoradas. Naquele momento, cerca de 38,5% das obras incluídas na ferramenta estavam paradas.
A comparação encontra respaldo nos números apresentados. É importante observar, porém, que a ferramenta do TCU reúne um conjunto específico de empreendimentos e que os percentuais representam a parcela de obras paralisadas dentro de cada universo monitorado.
3. O TCU identificou mais de 11,5 mil obras paralisadas no atual governo?
FAKE
O senador afirmou que um relatório recente do TCU apontava mais de 11,5 mil obras paralisadas no governo Lula e usou o número para dizer que o país teria voltado a ser um “cemitério de obras”. A informação não corresponde ao dado mais recente apresentado na checagem.
Segundo o painel do tribunal, em abril de 2026 havia 4.215 obras federais paralisadas, com investimentos previstos de R$ 16,2 bilhões. A ferramenta reúne dados de diferentes bases federais, mas não abrange todas as obras existentes no país. Esse era o número mais recente disponibilizado pelo TCU no levantamento consultado.
Por isso, não é correto apresentar a cifra de mais de 11,5 mil como se fosse o total atualizado de obras federais paralisadas no governo Lula. Os números também precisam ser comparados levando em consideração o universo de empreendimentos contabilizados em cada levantamento.
4. Foi Jair Bolsonaro quem estabeleceu o pagamento mínimo de R$ 600 do Bolsa Família?
NÃO É BEM ASSIM
Flávio Bolsonaro lembrou que o benefício chegou a R$ 600 durante o governo do pai e atribuiu a ele a implantação desse valor mínimo. O pagamento de R$ 600 realmente ocorreu em 2022, mas a trajetória do benefício envolve decisões diferentes.
Antes disso, o Bolsa Família pagava, em média, cerca de R$ 189 por família em 2021. O programa foi substituído pelo Auxílio Brasil durante o governo Bolsonaro. O então presidente editou a Medida Provisória 1.076/2021, que criou um complemento para garantir pagamentos de pelo menos R$ 400. A medida foi aprovada pelo Congresso e deu origem à Lei 14.342/2022, que tornou esse valor permanente.
Já o aumento de R$ 400 para R$ 600 veio de uma emenda constitucional aprovada pelo Congresso em julho de 2022. O adicional de R$ 200 foi autorizado apenas entre agosto e dezembro daquele ano, por meio da Emenda Constitucional 123. Como se tratava de uma emenda constitucional, a mudança não dependia de sanção presidencial nem estava sujeita a veto do presidente.
Assim, embora o benefício tenha chegado a R$ 600 durante o governo Bolsonaro, não é correto atribuir exclusivamente ao ex-presidente a decisão que estabeleceu esse valor.
5. O PT votou contra o novo marco legal do saneamento?
FATO
Flávio Bolsonaro afirmou que o marco legal do saneamento foi aprovado durante o governo do pai e que a bancada do PT votou contra o projeto. Os registros legislativos confirmam os dois pontos.
O Projeto de Lei 4.162/2019 foi apresentado pelo Poder Executivo em agosto de 2019 e deu origem à Lei 14.026, sancionada em julho de 2020. A norma atualizou a legislação do saneamento básico e estabeleceu metas de ampliação do acesso à água potável e à coleta e ao tratamento de esgoto até 2033.
Na Câmara dos Deputados, os 43 parlamentares do PT que participaram da votação de dezembro de 2019 votaram contra a proposta, aprovada por 276 votos a 124, além de uma abstenção. No Senado, os seis senadores petistas também votaram contra o texto, aprovado por 65 votos a 13.
A checagem, entretanto, identificou imprecisões nos números usados para descrever a situação do saneamento. Dados de 2024 indicam que cerca de 90 milhões de brasileiros não tinham acesso à coleta de esgoto. Já a estimativa de pessoas sem acesso à água potável era de aproximadamente 33 milhões, e não 40 milhões.
Há também uma diferença entre coleta e tratamento. A coleta corresponde ao recolhimento do esgoto por tubulações. O tratamento é a etapa em que os poluentes são removidos antes do descarte. Portanto, ter acesso à rede coletora não significa necessariamente que todo o esgoto produzido seja tratado.
Segundo o relatório Sinisa 2025, do Ministério das Cidades, com dados de 2024, 51,8% do volume de esgoto gerado no país recebeu tratamento. Entre o volume efetivamente coletado, o percentual tratado foi de 85,2%. Esses indicadores medem volumes de esgoto, não o número de pessoas atendidas.
6. Bolsonaro foi o responsável por fazer a água da transposição do São Francisco chegar ao Nordeste?
NÃO É BEM ASSIM
Flávio Bolsonaro disse que Lula prometeu concluir a transposição do Rio São Francisco em 2009 e depois em 2014, mas que foi Jair Bolsonaro quem concluiu as obras e fez a água chegar ao Nordeste.
A checagem mostra que a história do empreendimento é mais complexa. A transposição tem dois eixos principais, o Norte e o Leste, além de ramais complementares. A conclusão de um trecho ou a chegada da água a determinado estado não significa que todo o projeto esteja finalizado.
O cronograma original previa a conclusão do Eixo Leste em junho de 2010 e do Eixo Norte em dezembro de 2012. Em 2012, durante o governo Dilma Rousseff, os prazos foram alterados: o Eixo Leste deveria ficar pronto até dezembro de 2014, e o Norte, em 2015. Essas previsões também não foram cumpridas. A checagem não encontrou registro de uma promessa de Lula de entregar toda a transposição especificamente em 2009.
A água chegou à Paraíba em março de 2017, durante o governo Michel Temer. Já no governo Bolsonaro, as águas chegaram ao Ceará, em 2020, e ao Rio Grande do Norte, em fevereiro de 2022.
Bolsonaro deu continuidade ao empreendimento e entregou etapas importantes, mas não foi o primeiro presidente sob cuja gestão a água da transposição chegou ao Nordeste. Além disso, ramais complementares continuaram em construção nos anos seguintes. Em julho de 2026, por exemplo, o Ministério da Integração informou que o Ramal do Apodi permanecia em obras, enquanto o Ramal do Salgado, no Ceará, registrava 55% de execução em maio daquele ano.
Os dois eixos principais já apresentavam grande avanço antes da posse de Bolsonaro: segundo dados do Ministério da Integração Nacional, estavam com 86,3% de execução física em abril de 2016. Em novembro daquele ano, o percentual informado era de 90,8%. O governo Bolsonaro contestou comparações diretas com os números de sua gestão, alegando diferenças metodológicas e a necessidade de reparos.
7. Flávio Bolsonaro instalou 21,3 mil pontos de internet e beneficiou mais de 11 milhões de brasileiros?
NÃO É BEM ASSIM
Flávio Bolsonaro citou os pontos de acesso à internet instalados pelo programa Wi-Fi Brasil e afirmou que a iniciativa beneficiou mais de 11 milhões de pessoas em cerca de 3,1 mil cidades, especialmente em escolas e unidades de saúde.
Os números citados se aproximam dos dados registrados ao fim do governo Bolsonaro. Segundo levantamento do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), até dezembro de 2022 o programa havia instalado cerca de 21,3 mil pontos de acesso gratuito à internet e beneficiado mais de 11 milhões de brasileiros em aproximadamente 3,2 mil municípios.
A questão está na atribuição do início da iniciativa ao governo Bolsonaro. O Wi-Fi Brasil é uma extensão do programa Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão (Gesac), criado em 2002. Em 2017, antes da posse de Bolsonaro, o Gesac já contava com aproximadamente 11 mil conexões, de acordo com dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.
No fim de 2022, 16.195 conexões — 76,2% do total — estavam instaladas em escolas. Quase 70% dos pontos de acesso ficavam em áreas rurais. Assim, o governo Bolsonaro ampliou e deu continuidade a uma iniciativa que já existia, mas não criou todo o programa.
8. Javier Milei assumiu a Presidência da Argentina com inflação de 211% e juros de 100%?
FATO
Flávio Bolsonaro usou a Argentina como exemplo econômico e afirmou que Javier Milei começou o governo com inflação de aproximadamente 211% e uma taxa de juros que chegou a 100%.
Os números citados para o início da gestão de Milei encontram respaldo nos dados oficiais. O presidente argentino tomou posse em dezembro de 2023. Naquele momento, a inflação acumulada em 12 meses era de 211,4%, segundo o Instituto Nacional de Estadística y Censos (INDEC).
Em 18 de dezembro de 2023, o Banco Central da Argentina fixou a taxa de juros em 100% ao ano, substituindo a taxa da letra de liquidez, conhecida como Leliq, que estava em 133%. Esses dados confirmam os números relativos à inflação e aos juros no início do governo Milei. Eles, isoladamente, não comprovam outras conclusões políticas ou econômicas que possam ser associadas ao exemplo argentino.
9. Lula criou as apostas on-line e o chamado “Tigrinho”?
NÃO É BEM ASSIM
Flávio Bolsonaro chamou Lula de “pai do Tigrinho” e afirmou que o presidente criou e liberou os cassinos on-line, sugerindo que o governo estaria tentando voltar atrás perto da eleição.
A modalidade de apostas de quota fixa, conhecida como bets, não foi criada por Lula. Ela foi legalizada pela Lei 13.756, sancionada em dezembro de 2018, no governo Michel Temer. A legislação determinou que o Executivo regulamentasse o funcionamento da atividade em dois anos, com possibilidade de prorrogação por igual período. O prazo terminou em dezembro de 2022, durante o governo Jair Bolsonaro, sem que a regulamentação tivesse sido concluída.
Já no governo Lula, em julho de 2023, o Executivo enviou ao Congresso uma proposta para regulamentar o setor. Durante a tramitação, os parlamentares incluíram os jogos virtuais, como os cassinos on-line, no projeto. O Senado retirou essa previsão, mas a Câmara a restabeleceu antes da aprovação final.
Lula sancionou a Lei 14.790 em dezembro de 2023, conhecida como Lei das Bets, que estabeleceu regras para o mercado e para a tributação das empresas e dos prêmios dos apostadores. Em julho de 2024, o Ministério da Fazenda publicou normas técnicas para o funcionamento dos jogos on-line.
A checagem diferencia a criação e legalização da modalidade, ocorridas em 2018, da regulamentação posterior. Também mostra que a inclusão dos cassinos on-line passou por decisões do Congresso.
10. Lula disse que, se a comida estivesse cara, as pessoas não deveriam comprar?
NÃO É BEM ASSIM
Flávio Bolsonaro afirmou que Lula prometeu picanha, mas entregou abóbora, e atribuiu ao presidente a frase “se a comida está cara, não compra”. A declaração tem origem em uma fala real de Lula sobre o aumento dos preços dos alimentos.
Em entrevista a rádios da Bahia, o presidente defendeu que os consumidores deixassem de comprar produtos considerados caros, argumentando que a redução da procura poderia pressionar os vendedores a baixar os preços. Lula disse que, quando alguém desconfiasse de que um produto estivesse caro no supermercado, poderia optar por não comprá-lo. Segundo ele, se muitos consumidores agissem da mesma forma, os comerciantes teriam de reduzir o preço para evitar que a mercadoria estragasse.
Lula também relacionou a inflação dos alimentos, que chegou a 7,69% em 2024, à alta do dólar e ao que chamou de “arapuca” do Banco Central, em referência à taxa de juros. A frase de Flávio resume de forma crítica uma declaração que realmente foi feita, mas não traz todo o contexto da explicação do presidente.
11. O CNJ criou as audiências de custódia durante um governo de esquerda?
FATO
Flávio Bolsonaro afirmou que as audiências de custódia foram criadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) durante um governo de esquerda, quando Ricardo Lewandowski presidia o órgão.
O programa começou em 2015, durante o governo Dilma Rousseff, e o CNJ era presidido por Lewandowski, que posteriormente assumiria o Ministério da Justiça. O Ministério da Justiça também participou da iniciativa.
É importante diferenciar as instituições: o CNJ faz parte da estrutura do Poder Judiciário e não integra o governo federal. Sua presidência cabe ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). A implementação das audiências de custódia estava prevista em tratados internacionais assinados pelo Brasil, entre eles o Pacto de San José, de 1969. O país tornou-se signatário do pacto em 1992, no governo Fernando Collor.
12. Lula votou contra a Constituição de 1988, que criou o SUS?
FATO
Flávio Bolsonaro afirmou que Lula votou contra a Constituição Federal de 1988. A checagem consultou o Diário da Assembleia Nacional Constituinte e encontrou o registro do voto contrário do então deputado federal.
Na época, o PT orientou sua bancada a votar contra o texto final por considerar a Constituição conservadora em aspectos considerados fundamentais pelo partido. Em discurso, Lula reconheceu que havia avanços em áreas como os direitos dos trabalhadores, mas disse que o resultado estava aquém do que a legenda defendia.
O partido entendia que elementos relacionados à distribuição do poder, à propriedade privada e ao papel dos militares permaneciam, em sua avaliação, inalterados. Por isso, os parlamentares petistas votaram contra o texto. Apesar do voto contrário, Lula e outros integrantes do PT assinaram a Constituição durante a promulgação.
13. A dívida pública brasileira chegou a R$ 11 trilhões?
FATO
Flávio Bolsonaro afirmou que o governo atual está deixando uma dívida de R$ 11 trilhões. O Banco Central informou, em nota publicada em 30 de setembro de 2026, que a Dívida Bruta do Governo Geral atingiu R$ 11,1 trilhões em agosto, o equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
Há, no entanto, uma diferença importante sobre o que esse indicador representa. A Dívida Bruta do Governo Geral reúne dívidas do governo federal, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), dos estados e dos municípios. Portanto, não corresponde exclusivamente à dívida do governo federal.
Ao fim de 2022, antes do início do terceiro mandato de Lula, a dívida bruta era de R$ 7,2 trilhões, equivalente a 73,5% do PIB daquele período. Para comparar os períodos, é necessário considerar também a proporção em relação ao PIB e o conjunto de governos e órgãos incluídos no indicador.
14. Em 2022, a previsão era que a Selic estivesse em 7% caso Bolsonaro continuasse no governo?
NÃO É BEM ASSIM
Flávio Bolsonaro afirmou que, nas eleições de 2022, a previsão era de que os juros estivessem em torno de 7% em 2026 caso Jair Bolsonaro permanecesse na Presidência. Comparou esse número com a taxa então vigente, que descreveu como 14%.
Segundo o Banco Central, a taxa Selic em vigor na data da checagem era de 13,75% ao ano, após uma redução de 0,25 ponto percentual em setembro de 2026. Além disso, os relatórios Focus publicados entre 21 e 28 de outubro de 2022 projetavam a Selic em 11,25% para o fim de 2023, 8% para o fim de 2024 e 7,75% para o fim de 2025. Essas edições não apresentavam projeções para 2026.
O boletim Focus reúne expectativas de instituições financeiras e outras entidades consultadas pelo Banco Central. Trata-se de estimativas que podem mudar, não de taxas garantidas ou promessas de um governo. Não é possível afirmar que havia uma previsão oficial de juros em 7% para 2026 caso Bolsonaro continuasse no cargo. A diferença entre uma projeção antiga e a taxa efetiva também não permite saber, por si só, qual seria o comportamento dos juros sob um governo hipotético.
15. O caso de Ana Clara Machado foi resultado de uma troca de tiros, como afirmou Flávio?
NÃO É BEM ASSIM
Durante o debate, Flávio Bolsonaro afirmou que a morte de Ana Clara Machado, de cinco anos, ocorreu durante uma troca de tiros em uma comunidade conflagrada. Disse ainda acreditar que o policial que respondia pelo disparo não era o autor do tiro que matou a criança.
Ana Clara foi atingida por um disparo de fuzil em 2 de fevereiro de 2021, enquanto brincava com o irmão de dois anos na porta de casa, na comunidade do Monan Pequeno, no bairro do Badú, em Niterói, no Rio de Janeiro. O caso ocorreu durante uma incursão de policiais militares do 12º Batalhão de Polícia Militar. Os agentes disseram ter sido recebidos a tiros por traficantes e afirmaram que reagiram. Moradores, porém, negaram que houvesse confronto.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, o cabo Bruno Dias Delaroli efetuou o disparo que atingiu a menina. A investigação reuniu elementos que contrariavam a versão de confronto. Testemunhas — incluindo a mãe e a tia da criança e outros moradores — negaram a existência de troca de tiros. A perícia também não encontrou marcas de disparos na viatura nem estojos de munição de pistolas, embora tenha identificado estojos de fuzil calibre 7,62 milímetros, compatíveis com a arma utilizada pelos agentes.
O Ministério Público denunciou o policial por homicídio qualificado por dolo eventual, quando se assume o risco de matar, e a Justiça determinou que ele fosse levado a júri popular. O caso ainda não havia sido julgado, e o júri estava marcado para maio de 2027. A mãe de Ana Clara, Cristiane Gomes da Silva, acompanhou o debate e reafirmou que não houve troca de tiros antes de a filha ser atingida.
A checagem não apresenta a versão de confronto como um fato comprovado. O processo segue em andamento, de modo que a responsabilidade criminal definitiva ainda depende do julgamento.
16. Lula gastou mais de R$ 405 bilhões para tentar se reeleger?
NÃO É BEM ASSIM
Flávio Bolsonaro afirmou que Lula gastou mais de R$ 405 bilhões em medidas que não estavam previstas na proposta de Lei Orçamentária Anual (LOA) enviada ao Congresso.
A LOA estabelece a previsão de receitas e despesas do governo para o ano seguinte. Em 2026, Lula anunciou medidas que não estavam originalmente previstas no projeto orçamentário. Entre elas está a atualização do Bolsa Família, que elevou o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691. Uma reportagem do Valor Econômico apontou que medidas anunciadas até o fim de setembro ainda não estavam em vigor quando o projeto orçamentário foi preparado. A inclusão dessas despesas exigiria uma alteração do texto original por meio de proposta ao Congresso.
O valor de R$ 405 bilhões mencionado pelo senador tem como referência o “Gastômetro”, levantamento publicado por O Estado de S. Paulo e atualizado em 21 de outubro. Outros cálculos, porém, chegaram a valores diferentes: o Valor Econômico estimou cerca de R$ 270 bilhões para o conjunto das medidas, enquanto um levantamento da Instituição Fiscal Independente, ligada ao Senado, calculou aproximadamente R$ 300 bilhões em 2026.
Os números dependem dos itens incluídos em cada levantamento. Além disso, a existência de medidas não previstas originalmente no orçamento não significa, por si só, que todas tenham sido executadas ou que a finalidade tenha sido tentar garantir uma reeleição.
17. Lula não atualizou a tabela de pagamentos do SUS?
FAKE
Flávio Bolsonaro afirmou que Lula não atualizou a tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). A declaração foi classificada como falsa porque houve mudanças nos valores pagos por serviços e procedimentos da rede pública durante o atual governo.
Em janeiro de 2024, Lula sancionou uma lei que estabeleceu a revisão anual dos valores dos serviços prestados ao SUS. A norma prevê que os valores sejam revistos em dezembro, por meio de ato do Ministério da Saúde.
Em 30 de dezembro de 2024, a pasta publicou duas portarias que formalizaram o primeiro reajuste. Uma delas elevou em 3,5% os repasses destinados a entidades filantrópicas e acrescentou R$ 634,87 milhões ao limite financeiro de Média e Alta Complexidade de estados, Distrito Federal e municípios. A outra portaria atualizou valores da Tabela SUS para procedimentos de atenção especializada, com acréscimo de R$ 700,56 milhões.
Em dezembro de 2025, o Ministério da Saúde publicou nova portaria que estabeleceu repasse de R$ 200 milhões para incentivos relacionados ao reajuste de procedimentos. Essas mudanças contradizem a afirmação de que a tabela não foi atualizada, embora não signifiquem que todos os procedimentos tenham tido o mesmo percentual de reajuste.
18. Lula disse que o ladrão de celular rouba para comprar uma cervejinha?
FAKE
Flávio Bolsonaro atribuiu ao governo Lula a ideia de que quem rouba celular não deveria ser preso porque estaria tentando conseguir dinheiro para comprar uma cerveja. A checagem afirma que Lula nunca fez essa declaração nos termos apresentados.
A alegação surgiu a partir de um vídeo manipulado que uniu trechos distintos de uma entrevista concedida pelo presidente em Pernambuco, em 25 de agosto de 2017. Em uma parte da entrevista, Lula falava sobre pobreza, falta de perspectiva e aumento da violência. Ele disse que algumas pessoas roubavam celulares para vender e conseguir dinheiro, relacionando o problema à falta de esperança de melhorar de vida.
Em outro momento, ao falar sobre o ódio na sociedade, o então ex-presidente usou o exemplo de torcidas de futebol rivais. Disse que os torcedores do Santa Cruz e do Sport eram adversários durante o jogo, mas depois podiam ir juntos a um bar para tomar cerveja. A edição juntou os trechos para dar a impressão de que Lula justificava o roubo de celular como uma maneira de conseguir dinheiro para comprar bebida.
Em outubro de 2022, a ministra Maria Claudia Bucchianeri, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a suspensão de uma propaganda da campanha de Jair Bolsonaro que utilizava a gravação manipulada. Segundo a decisão, a frase atribuída a Lula “jamais existiu nesses termos”, e o episódio foi considerado um caso de manipulação discursiva.
19. Flávio Bolsonaro disse que um projeto sobre identificação de munições não existe?
NÃO É BEM ASSIM
Ao ser questionado sobre um projeto relacionado à identificação de munições, Flávio Bolsonaro afirmou que a proposta havia sido apresentada por um deputado na Câmara, que ele era senador e que o texto não havia sido aprovado, concluindo que “não existe”.
O Projeto de Lei 3.723/2019 existe, foi aprovado pela Câmara dos Deputados em novembro de 2019 e passou a tramitar no Senado. Na proposta, uma emenda previa a revogação do artigo 23 do Estatuto do Desarmamento, que estabelece exigências para a identificação do fabricante e do comprador das munições comercializadas no país.
O projeto foi apresentado pelo Poder Executivo em 2019, quando Jair Bolsonaro era presidente. Flávio Bolsonaro apoiou a proposta em diferentes ocasiões. Em março de 2022, por exemplo, cobrou o fim dos adiamentos para que o texto fosse votado. Em publicação no Facebook, em dezembro de 2021, também declarou ser favorável ao projeto.
É verdade que a proposta ainda não havia sido aprovada pelo Senado na checagem. Mas dizer que ela não existia ou que não tinha relação com a Câmara desconsidera sua tramitação e as posições públicas do senador sobre o tema. A rastreabilidade das munições pode ajudar a identificar sua origem e apoiar investigações sobre o uso de armas e munições em crimes.
20. Mais de 80 milhões de brasileiros estavam com contas atrasadas?
FATO
Flávio Bolsonaro afirmou que mais de 80 milhões de brasileiros estavam com contas atrasadas. O número encontra respaldo no levantamento da Serasa. O Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas no Brasil indicava 83,9 milhões de inadimplentes em agosto de 2026, o maior número da série histórica, depois de 20 meses consecutivos de alta.
Outra pesquisa, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, apontava 73,71 milhões de pessoas com contas em atraso no mesmo mês. Os levantamentos não apresentam o mesmo total porque utilizam metodologias diferentes.
Também é importante não confundir inadimplência com endividamento. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio (CNC), mostrou que 81,7% das famílias tinham algum tipo de dívida em setembro de 2026. Isso inclui parcelas de cartão de crédito, financiamentos e empréstimos mesmo quando estão sendo pagas em dia. Já a parcela de famílias inadimplentes era de 29,6% em setembro. Ter uma dívida não significa automaticamente estar com as contas atrasadas.
21. Bolsonaro perdoou 99% das dívidas estudantis e deu o maior reajuste da história aos professores?
NÃO É BEM ASSIM
Flávio Bolsonaro atribuiu ao governo do pai tanto a anistia de quase 99% das dívidas de estudantes do ensino superior quanto o reajuste de 33% do piso salarial de professores.
No caso do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), o governo Bolsonaro editou, no fim de 2021, uma medida provisória que autorizou renegociações com descontos de até 99% do valor devido. O percentual máximo dependia do tempo de atraso e do enquadramento em critérios socioeconômicos. Isso não significa que 99% dos estudantes tiveram suas dívidas perdoadas, nem que 99% de todas as dívidas foram anuladas.
Em relação ao magistério, o piso nacional da educação básica teve reajuste de 33,24% em janeiro de 2022, o maior aumento percentual da série histórica naquele momento. A mudança seguiu as regras da Lei do Piso do Magistério, de 2008, vinculadas ao valor por aluno do Fundeb. O aumento ocorreu depois de 2021, ano em que o piso ficou sem reajuste. Mudanças nas regras do Fundeb aprovadas pelo Congresso também ampliaram a participação da União no financiamento da educação básica.
22. Os estados do Nordeste governados pelo PT e por aliados são os mais violentos do Brasil?
FATO
Flávio Bolsonaro afirmou que os estados nordestinos administrados pelo PT e por aliados estão entre os mais violentos do país. A checagem confirmou o dado usado sobre a concentração de municípios com altas taxas de mortes violentas no Nordeste, embora a relação com os partidos dos governadores exija contexto.
Dos nove estados nordestinos, quatro tinham governadores do PT na data da apuração: Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. Alagoas e Maranhão eram governados por políticos do MDB aliados de Lula. A governadora de Pernambuco era filiada ao PSD e não fazia oposição ao presidente; Sergipe também tinha governador do PSD aliado de Lula. O governador da Paraíba era do PP e igualmente aliado do presidente.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontou que os dez municípios com as maiores taxas de mortes violentas do país estavam no Nordeste. Cinco ficavam na Bahia e três no Ceará, estados governados pelo PT. Um estava em Pernambuco e outro na Paraíba. Maranguape, no Ceará, liderava o ranking de 2025, com 100,3 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, ante 80 por 100 mil em 2024.
A checagem confirma a concentração dos municípios mais violentos na região e destaca os partidos dos governos estaduais. Ainda assim, um ranking de municípios não é o mesmo que um ranking completo dos estados, e os dados apresentados não demonstram, por si só, que a filiação partidária dos governadores seja a causa dos índices de violência.
23. Willer Tomaz é apenas amigo de Flávio Bolsonaro e tem como sócio o ex-ministro Eugênio Aragão?
NÃO É BEM ASSIM
Flávio Bolsonaro afirmou que o advogado Willer Tomaz é seu amigo, não seu sócio, e apontou o ex-ministro Eugênio Aragão como sócio do advogado.
O registro de empresas confirma que Willer Tomaz aparece como sócio da banca Aragão e Tomaz Advogados Associados, ao lado de Eugênio Aragão, que foi ministro da Justiça durante o governo Dilma Rousseff e atuou como advogado de Lula na campanha eleitoral de 2022.
A checagem também identificou elementos que levaram a Polícia Federal a investigar uma possível relação econômica entre Flávio e a empresa Alcazar Holdings, da qual Tomaz é proprietário. E-mails localizados pela PF mostraram que o senador foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa. Para os investigadores, esse cadastro poderia ter dado a Flávio acesso operacional relevante à conta e sustentaria a hipótese de eventual participação econômica ou societária de fato. A investigação não equivale, por si só, a uma comprovação definitiva de sociedade ou de crime.
A Alcazar Holdings também aparece ligada à propriedade de uma das cotas do jatinho utilizado por Flávio e Tomaz em uma viagem dos Estados Unidos ao Brasil, em janeiro de 2025. Outra cota pertence à Prime You, ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A checagem registra ainda que o celular de Eugênio Aragão foi apreendido em agosto de 2026 durante uma fase da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS. O aparelho foi devolvido no mesmo dia, e a medida foi contestada pela Ordem dos Advogados do Brasil. A petição da OAB ressaltou que Aragão não era investigado naquele caso.
Portanto, a relação profissional entre Tomaz e Aragão está registrada, enquanto a eventual participação de Flávio na empresa é objeto de investigação e não deve ser tratada como conclusão definitiva.
24. A espera por uma cirurgia de câncer de tireoide ultrapassou 700 dias?
FATO
Flávio Bolsonaro afirmou que a espera para uma cirurgia de câncer de tireoide ultrapassou 700 dias. Dados da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), citados em documento do Tribunal de Contas da União, mostram que o tempo médio para esse procedimento foi de 719 dias em 2025. Em 2022, a média havia sido ainda maior: 1.121 dias.
A legislação brasileira estabelece prazos para o atendimento de pacientes com suspeita ou diagnóstico de câncer. A Lei 13.896/2019 prevê que exames necessários para confirmar o diagnóstico sejam realizados em até 30 dias quando houver suspeita fundamentada registrada por médico. Já a Lei 12.732/2012 determina que o primeiro tratamento de câncer comece em até 60 dias após a assinatura do laudo.
O dado de 719 dias confirma que o tempo médio de espera pela cirurgia ultrapassou 700 dias em 2025, mas a média não significa que todos os pacientes aguardaram exatamente esse período.
25. O Brasil tem uma das maiores taxas de juros do mundo?
FATO
Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil tem uma das maiores taxas de juros do mundo. A checagem confirmou que o país continuava entre os primeiros colocados no ranking de juros reais.
Em setembro de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. Foi a quinta redução consecutiva. Mesmo com a queda, o levantamento da MoneYou publicado pelo g1 apontava o Brasil com a maior taxa de juros reais do mundo naquele mês: 8,45%. O indicador considera a taxa nominal descontada da inflação projetada para os 12 meses seguintes.
A Rússia ocupava a segunda posição, com juros reais de 6,79%, e a Colômbia aparecia em terceiro, com 6,33%. O ranking de juros nominais — que não desconta a inflação esperada — era diferente. Nesse caso, o Brasil estava em quarto lugar, com 13,75%, atrás da Turquia, da Argentina e da Rússia. A classificação depende, portanto, do indicador utilizado.
26. A redução do tamanho de produtos, como barras de chocolate, ocorreu por causa da inflação do governo Lula?
NÃO É BEM ASSIM
Flávio Bolsonaro afirmou que as indústrias têm reduzido a quantidade dos produtos nas embalagens por causa da inflação e citou como exemplo barras de chocolate que teriam passado de 120 para 80 gramas.
A redução da quantidade sem uma diminuição proporcional do preço é conhecida como reduflação. A prática existe no mercado brasileiro e foi registrada em produtos de diferentes categorias, mas não começou no atual governo. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) já alertava, em 2022, que empresas vinham diminuindo o conteúdo das embalagens e mudando a composição de produtos para compensar o aumento dos custos de produção.
Um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, publicado em 2024, estimou que a reduflação poderia elevar em até 5,22% os gastos das famílias com alimentação. O levantamento também apontou que, em 2023, a prática reduziu em 3,78% o poder de compra dos consumidores de produtos da cesta básica.
Dados da Scanntech mostraram que, entre janeiro e dezembro de 2024, o tamanho médio das embalagens vendidas diminuiu quase 1% em relação ao ano anterior, enquanto os preços médios dos alimentos subiram 4,6%. A tendência aparece em diferentes categorias. Portanto, a reduflação existe, mas é anterior ao governo Lula e não pode ser explicada apenas pela inflação atual.
27. Lula se posicionou a favor de manter as chamadas “saidinhas” de presos?
FATO
Flávio Bolsonaro perguntou a Lula se ele havia se colocado a favor da manutenção das saídas temporárias de presos, conhecidas como “saidinhas”. Em maio de 2024, o Congresso derrubou vetos parciais de Lula a uma proposta que restringia as saídas temporárias em feriados e datas comemorativas. Na Câmara dos Deputados, 314 parlamentares votaram pela derrubada do veto, enquanto 126 defenderam sua manutenção. No Senado, o placar foi de 52 a 11.
Lula havia aceitado uma recomendação do então ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, para preservar a possibilidade de saída temporária para visita à família de presos do regime semiaberto.
O benefício é destinado a pessoas que cumprem pena nesse regime, apresentam bom comportamento e atendem aos critérios legais de tempo de pena cumprida. A regra citada na checagem estabelecia o cumprimento de um sexto da pena para réus primários e um quarto para reincidentes. O benefício não se estende a condenados por crimes hediondos ou por crimes praticados com grave ameaça ou violência, como assassinato.
A afirmação de que Lula se posicionou pela manutenção desse direito encontra respaldo no histórico da votação. Isso não significa que o presidente tenha defendido a concessão automática da saída temporária a qualquer pessoa presa.
28. Lula disse que não conhecia Roberta Luchsinger?
FATO
Flávio Bolsonaro mencionou a empresária e lobista Roberta Luchsinger durante o debate, afirmando que Lula havia negado conhecê-la, embora existissem fotografias dos dois juntos.
Em entrevista à TV Globo em 27 de agosto, Lula disse que não conhecia Roberta e que nunca a havia visto ou conversado com ela. Publicações feitas pela empresária nas redes sociais, porém, mostram os dois juntos em diferentes ocasiões anteriores à entrevista.
Roberta é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, e é investigada com ele em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), por suspeita de tráfico de influência em órgãos federais. A existência de investigações não representa prova definitiva de culpa.
Depois da divulgação das fotografias, Lula publicou uma nota, em 28 de agosto, negando relação ou interlocução com a empresária. Segundo o comunicado, as imagens não comprovariam vínculo pessoal, profissional ou político. Em 17 de outubro, Roberta afirmou em entrevista à CNN Brasil que considerava um acordo de delação premiada “sem poupar ninguém”, embora negasse ter cometido crimes.
A checagem confirma a existência da declaração de Lula e de registros fotográficos dos dois juntos, mas a natureza de eventual relação entre eles permanece objeto de versões e esclarecimentos públicos.
29. A Casa da Mulher Brasileira será criada por um eventual governo Flávio Bolsonaro?
FAKE
Flávio Bolsonaro prometeu criar a Casa da Mulher Brasileira como local de acolhimento para mulheres vítimas de violência. No entanto, a política pública já existe desde 2015. A primeira unidade foi inaugurada em Campo Grande, durante o governo Dilma Rousseff.
O programa reúne, em um único espaço, serviços de segurança pública, assistência social, apoio psicológico e orientação jurídica para mulheres em situação de violência. A proposta é facilitar o atendimento e evitar que uma vítima precise percorrer diferentes órgãos para conseguir ajuda.
As unidades podem oferecer acolhimento temporário para mulheres em risco, atendimento às crianças e serviços que funcionam 24 horas por dia. Quando necessário, as vítimas também são encaminhadas à rede de saúde. Em situações de violência sexual, o atendimento pode incluir assistência médica especializada, contracepção de emergência, medidas para prevenir infecções sexualmente transmissíveis e acompanhamento psicossocial.
Segundo os dados citados pelo governo federal na checagem, o Brasil contava com 13 unidades da Casa da Mulher Brasileira. Assim, a política não seria uma criação inédita de um eventual governo Flávio Bolsonaro, embora sua expansão possa ser apresentada como proposta.
Lula (PT)
30. O governo Lula herdou 6 mil obras paralisadas?
FATO
Lula afirmou que seu governo herdou cerca de 6 mil obras paradas e que projetos de infraestrutura não podem ser concluídos no mesmo ano em que começam.
O painel de Obras Paralisadas do Tribunal de Contas da União (TCU) registrava 8.674 empreendimentos paralisados em agosto de 2022. Em abril de 2023, nos primeiros meses do terceiro mandato de Lula, o número era de 8.603 obras paradas.
Os dados mostram que a quantidade de obras sem andamento no início da nova gestão era superior a 6 mil. O número exato, porém, depende da data de referência e do conjunto de obras monitoradas. A classificação de fato não deve ser entendida como confirmação de que o total preciso era de apenas 6 mil.
31. Lula acabou com a fome no Brasil em 2012?
NÃO É BEM ASSIM
Lula afirmou que havia acabado com a fome no Brasil em 2012. A checagem não confirma essa conclusão nem o ano mencionado.
Um relatório global da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), divulgado em 2012, indicou que o Brasil apresentava taxa de subnutrição de 6,9%. Para sair do Mapa da Fome, segundo o critério da própria organização, o indicador de prevalência de subnutrição precisa ficar abaixo de 5%. O Brasil atingiu esse patamar em 2014, durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff, sucessora de Lula.
Sair do Mapa da Fome não significa que nenhuma pessoa passe fome. O indicador é uma medida estatística da prevalência de subnutrição na população. Portanto, a afirmação de que a fome havia sido completamente eliminada em 2012 exagera o resultado e antecipa em dois anos o marco registrado pela ONU.
32. Lula voltou à Presidência em 2023 com 33 milhões de brasileiros passando fome?
FATO
A segunda parte da fala de Lula, sobre ter encontrado 33 milhões de pessoas passando fome ao assumir o governo em 2023, foi classificada como fato.
O número tem como base o segundo Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN). A pesquisa foi feita entre novembro de 2021 e abril de 2022 e divulgada em junho de 2022, no último ano do governo Jair Bolsonaro. O levantamento estimou que cerca de 33 milhões de brasileiros viviam em situação de fome.
A Rede PENSSAN reúne pesquisadores de universidades e instituições de diferentes regiões do país e é uma das referências nacionais no monitoramento da insegurança alimentar. É importante separar as duas declarações feitas na mesma fala: a alegação de que o Brasil teria acabado com a fome em 2012 foi classificada como “não é bem assim”; já a estimativa de 33 milhões de pessoas passando fome em 2022 foi considerada verdadeira.
33. O Brasil abriu 700 novos mercados internacionais e teve superávit comercial de quase R$ 85 bilhões?
NÃO É BEM ASSIM
Lula afirmou que o país abriu cerca de 700 novos mercados e que o superávit comercial chegou a quase R$ 85 bilhões. A checagem confirmou o número de novos mercados, mas identificou uma confusão na moeda mencionada pelo presidente.
Segundo o painel do Ministério da Agricultura, o Brasil abriu 707 mercados internacionais para produtos agropecuários desde o início de 2023, quando Lula assumiu o governo. Já o saldo comercial citado pela campanha era uma estimativa de US$ 84,4 bilhões para 2026. O valor corresponde a dólares, e não a reais.
De janeiro a setembro de 2026, o superávit comercial brasileiro havia sido de US$ 62,4 bilhões. Em 2025, o saldo positivo foi de US$ 68 bilhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior. Assim, o número de mercados abertos é compatível com os dados oficiais, mas a referência monetária do superávit precisa ser corrigida.
34. O Novo PAC previa R$ 1,7 trilhão e já havia executado quase R$ 800 bilhões?
EXIGE CONTEXTO
Lula afirmou que o governo anunciou R$ 1,7 trilhão em investimentos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e que quase R$ 800 bilhões já tinham sido executados.
Na versão da checagem consultada, a declaração foi marcada como fato. A explicação, porém, apresenta números que precisam ser lidos com atenção: o balanço do Novo PAC indicava R$ 1,3 trilhão em investimentos previstos até o fim de 2026 e registrava que R$ 1,3 trilhão já havia sido executado até junho daquele ano.
O montante contabilizado como executado reúne recursos de diferentes origens. Segundo o painel, a maior parcela vinha do setor privado, com R$ 765 bilhões. Em seguida estavam investimentos de empresas estatais, com R$ 408 bilhões, financiamentos e outros recursos.
O balanço também mostra que execução financeira não significa necessariamente que todas as obras tenham sido concluídas. Entre os empreendimentos previstos, 13.763 estavam concluídos, 17.056 em execução, 6.108 em fase de licitação ou leilão e 4.041 em fase preparatória.
Atenção ao dado: o valor de R$ 1,7 trilhão citado na fala não coincide com o total de R$ 1,3 trilhão descrito na explicação da checagem. Por isso, os números apresentados no pronunciamento precisam ser conferidos à luz do balanço do programa, sem confundir orçamento previsto, recursos executados e obras efetivamente concluídas.
35. O governo Bolsonaro paralisou o Fundo Amazônia?
FATO
Lula afirmou que o governo Bolsonaro anulou o Fundo Amazônia e que a iniciativa voltou a funcionar durante sua gestão. A checagem confirma que o fundo foi paralisado durante o governo anterior.
Em abril de 2019, a gestão Jair Bolsonaro interrompeu o funcionamento do fundo, administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que contava com R$ 3,2 bilhões destinados a ações de redução das emissões provenientes do desmatamento e da degradação florestal.
O Supremo Tribunal Federal determinou a reativação do fundo em novembro de 2022, após ação apresentada por partidos políticos. O placar foi de 10 votos a 1. Ainda em novembro de 2022, o governo de transição brasileiro e a Noruega acertaram a reestruturação imediata do fundo durante uma reunião bilateral na COP-27, no Egito. Em janeiro de 2023, no dia da posse, Lula assinou um decreto que retomou o Fundo Amazônia e outras medidas ambientais.
A sequência histórica confirma a paralisação durante o governo Bolsonaro e a retomada administrativa no início da terceira gestão de Lula. É importante observar, contudo, que a determinação judicial para reativar o fundo ocorreu ainda em 2022.
36. O governo Bolsonaro criou o “Tigrinho” em 2022?
FAKE
Lula afirmou que o chamado Tigrinho foi criado pelo governo Jair Bolsonaro em 2022. A checagem classificou a declaração como falsa porque a legalização das apostas de quota fixa aconteceu antes.
A modalidade foi autorizada pela Lei 13.756, sancionada em dezembro de 2018, no fim do governo Michel Temer. A legislação previa um prazo de dois anos, prorrogável por mais dois, para que o governo federal regulamentasse o setor. O prazo terminou em dezembro de 2022, durante o governo Bolsonaro, sem que a regulamentação estivesse pronta.
Em julho de 2023, o governo Lula enviou ao Congresso um projeto para regulamentar o setor. Durante a tramitação, os parlamentares incluíram jogos virtuais, como cassinos on-line, no texto. Depois de alterações na Câmara e no Senado, Lula sancionou a Lei 14.790, em dezembro de 2023. Portanto, a criação legal das apostas ocorreu em 2018; a gestão Bolsonaro encerrou o mandato sem concluir a regulamentação, enquanto a gestão Lula estabeleceu regras posteriores.
37. Lula teve o mesmo presidente do Banco Central durante seus dois primeiros mandatos, enquanto Fernando Henrique Cardoso trocou quatro vezes?
FATO
Lula afirmou que não trocou o presidente do Banco Central durante suas passagens anteriores pela Presidência e comparou sua experiência com a de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Henrique Meirelles, indicado por Lula para presidir o Banco Central, permaneceu no cargo de 2003 a 2011, abrangendo os dois primeiros mandatos do petista. Durante os governos de Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 2002, houve quatro trocas no comando da instituição.
O histórico registra Pérsio Arida, Gustavo Loyola, Gustavo Franco e Armínio Fraga, que ficou no cargo até 1º de janeiro de 2003, quando Lula assumiu a Presidência. O levantamento confirma a permanência de Meirelles durante os dois primeiros mandatos de Lula e as quatro mudanças no período de FHC.
38. A pobreza na Argentina chegou a 40% durante o governo Milei, e pessoas passaram a comer carne de burro?
FATO
Lula afirmou que a pobreza na Argentina chegou a 40%, que pessoas passaram a consumir carne de burro e associou a situação ao modelo econômico do presidente Javier Milei.
Os dados oficiais mostram que a pobreza atingia 40,1% da população argentina quando Milei assumiu a Presidência, em dezembro de 2023. O índice subiu para 52,9% no primeiro semestre de 2024, alcançando cerca de 47 milhões de pessoas. Depois, o indicador recuou para 28,2%, em meio à desaceleração da inflação.
No primeiro semestre de 2026, porém, voltou a subir para 32,3%, a maior alta em dois anos. Apesar do aumento recente, a taxa permanecia cerca de oito pontos percentuais abaixo do nível registrado antes do início do governo Milei.
Sobre o consumo de carne de burro, reportagens publicadas em 2026 mostraram pessoas consumindo esse tipo de carne em regiões como a Patagônia. A alternativa apareceu em meio ao aumento dos preços da carne bovina, que subiu 6,9% em março daquele ano. A checagem confirma os dados sobre a pobreza e registra relatos sobre o consumo de carne de burro, mas esses fatos não substituem a análise de outros indicadores econômicos para avaliar o conjunto da política argentina.
39. A Selic foi herdada em 13% e está em 13,75% durante o governo Lula?
NÃO É BEM ASSIM
Lula afirmou que herdou uma taxa de juros de 13% e que ela estava em 13,75%, apesar de o Banco Central ser independente.
De acordo com o Sistema Gerenciador de Séries Temporais do Banco Central, o terceiro mandato de Lula começou em janeiro de 2023 com a Selic em 13,75% ao ano. Essa taxa havia sido alcançada em agosto de 2022, ainda durante o governo Jair Bolsonaro. Em março de 2023, o Comitê de Política Monetária reduziu a taxa para 12,75%.
A Selic chegou a 10,50% em maio de 2024, mas voltou a subir em setembro daquele ano e alcançou 15% em junho de 2025, o maior nível desde 2006. O ciclo de reduções foi retomado em março de 2026. Em setembro, o Banco Central fez o quinto corte consecutivo, levando a taxa a 13,75% ao ano.
Assim, o valor de 13,75% corresponde à taxa no começo do mandato de Lula e também à taxa vigente na data da checagem. Mas o percentual variou de maneira significativa no intervalo, tendo atingido tanto um patamar menor quanto um maior. A Selic é o principal instrumento de política monetária para controlar a inflação e influencia juros de empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras.
40. Flávio Bolsonaro homenageou pessoas apontadas como integrantes de milícias?
FATO
Lula afirmou que Flávio Bolsonaro defendeu milicianos e ofereceu homenagens quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. A checagem identificou registros de homenagens concedidas a dois policiais que posteriormente foram ligados a grupos criminosos.
Em 2003, Flávio indicou Adriano Magalhães da Nóbrega para receber uma Medalha Tiradentes, a maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A justificativa da homenagem afirmava que ele havia prestado “inúmeros serviços à sociedade”. O então deputado fez uma nova homenagem a Adriano em 2005, quando ele estava preso e não compareceu para receber a medalha.
Outro homenageado foi Ronald Paulo Alves Pereira, que recebeu uma moção honrosa em 2004, quando já era investigado por envolvimento em uma chacina de cinco jovens na Baixada Fluminense. Segundo as informações reunidas na checagem, Adriano da Nóbrega e Ronald Pereira chefiavam a milícia que atuava em Rio das Pedras e Muzema, na Zona Sudoeste do Rio, conhecida como Escritório do Crime.
Adriano morreu na Bahia em 2020, durante uma operação policial. Ronald estava preso desde 2019 e cumpria pena por chefiar a milícia na região e pelo homicídio da ex-vereadora Marielle Franco. A apuração também registrou que a mãe e a mulher de Adriano ocuparam cargos no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj. Em 2019, o ex-assessor Fabrício Queiroz afirmou que havia indicado as duas para trabalhar no Legislativo estadual.
Os registros de homenagens e de nomeações sustentam a classificação atribuída à fala de Lula. A descrição dos fatos, entretanto, não substitui a análise individual de cada investigação ou condenação.
41. Flávio Bolsonaro chamou o Bolsa Família de “Bolsa Farelo”?
FATO
Lula questionou Flávio Bolsonaro por ter chamado o programa de transferência de renda de “Bolsa Farelo”. A checagem encontrou publicações antigas do senador com essa expressão.
Em uma postagem publicada em 24 de junho de 2013, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, Flávio escreveu que “o PT perpetua a pobreza com o bolsa farelo”. Outras mensagens, publicadas entre 2011 e 2013, também criticavam benefícios sociais e os associavam a clientelismo eleitoral, dependência dos beneficiários e estratégias de manutenção de apoio político.
As publicações foram apagadas, mas recuperadas por meio de uma base histórica de redes sociais. Os registros voltaram a repercutir depois que a coordenadora do núcleo econômico da campanha de Flávio afirmou que ele pretendia criar uma regra de transição de dois anos para pessoas que recebem Bolsa Família e ingressam no mercado formal de trabalho.
A checagem registra que a expressão foi utilizada pelo senador em críticas anteriores ao programa. Naquele momento, porém, Flávio dizia que, se eleito, pretendia manter o Bolsa Família.
42. O governo Bolsonaro gastou quase 30% a mais no cartão corporativo?
FAKE
Lula afirmou que o governo Jair Bolsonaro gastou quase 30% a mais no cartão corporativo. A checagem não encontrou dados que sustentassem essa diferença.
O Fato ou Fake analisou as transações do Cartão de Pagamento do Governo Federal ligadas à Presidência da República, entre janeiro de 2019 e agosto de 2026. Para comparar os valores, corrigiu as despesas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação.
A análise levou em conta que os períodos eram diferentes: Bolsonaro governou por 48 meses, enquanto Lula somava 44 meses até agosto de 2026, último mês com dados disponíveis. Por isso, a comparação foi feita tanto entre os períodos completos quanto entre os primeiros 44 meses de cada mandato.
Nesse recorte equivalente, os gastos corrigidos pela inflação foram de R$ 95,4 milhões no governo Bolsonaro e R$ 91,6 milhões no governo Lula. A diferença foi de aproximadamente 4%, com despesa maior no período de Bolsonaro. Considerando a duração total de cada governo, os valores nominais foram de R$ 80,7 milhões sob Bolsonaro e R$ 84,5 milhões sob Lula. Corrigidos pelo IPCA, chegaram a R$ 107 milhões no governo Bolsonaro e R$ 91,6 milhões no governo Lula.
As comparações não sustentam a afirmação de que Bolsonaro gastou quase 30% a mais. O resultado depende do período analisado e da correção pela inflação, mas nenhum dos recortes apresentados confirma esse percentual.
43. Jair Bolsonaro disse que quem tomasse vacina contra a Covid-19 poderia virar gay ou jacaré?
NÃO É BEM ASSIM
Lula afirmou que, no governo Bolsonaro, as pessoas ouviam que poderiam virar gays ou jacarés caso tomassem a vacina contra a Covid-19. A checagem mostra que a fala do ex-presidente sobre possíveis efeitos absurdos da vacina existiu, mas não contém exatamente a expressão usada por Lula.
Em 2020, Jair Bolsonaro comentou publicamente as cláusulas sobre possíveis efeitos adversos da vacina da Pfizer. Na ocasião, afirmou que, se alguém “virasse um jacaré”, o problema seria da própria pessoa. Também mencionou, em tom de ironia, a possibilidade de nascer barba em uma mulher ou de um homem começar a falar fino.
Na declaração original citada pela checagem, Bolsonaro não utilizou a palavra “gay”. Ele fez referências a transformações físicas e a possíveis efeitos colaterais para contestar as condições do contrato do imunizante. Em dezembro de 2020, o Ministério da Saúde assinou uma intenção de compra de 70 milhões de doses da vacina desenvolvida pela Pfizer em parceria com a BioNTech.
A classificação de “não é bem assim” distingue uma fala real sobre efeitos colaterais, que incluiu a referência a jacaré, da versão resumida por Lula, que acrescentou uma expressão que não aparece literalmente no trecho consultado.
44. O governo Lula está construindo uma rodovia entre Porto Velho e Manaus que nunca havia sido feita?
NÃO É BEM ASSIM
Lula afirmou que seu governo está fazendo uma rodovia importante, ligando Porto Velho a Manaus, e sugeriu que nenhum governo anterior teve coragem de realizar a obra. A estrada citada é a BR-319, que já existe há décadas.
A rodovia tem cerca de 885 quilômetros de extensão. Sua construção começou em 1972, e a inauguração ocorreu em 1976, durante a ditadura militar. A estrada atravessa áreas ambientalmente sensíveis da Amazônia e sofreu deterioração significativa por falta de manutenção.
A reconstrução começou nos anos 2000, mas enfrentou problemas técnicos e ambientais. Em determinados trechos, a intervenção exigia reconstrução, não apenas uma nova camada de asfalto. As licenças ambientais passaram por diferentes etapas e foram questionadas na Justiça por grupos ambientalistas e pelo Ministério Público.
A recuperação foi incluída na nova versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), relançado por Lula em 2023. Uma das partes mais debatidas é o chamado Trecho do Meio, com 405 quilômetros entre o rio Igapó-Açu e Humaitá, no Amazonas. Em abril de 2026, o Ministério dos Transportes autorizou a retomada de obras após mudanças na legislação ambiental.
A obra ainda não foi concluída. A BR-319 já existe, e a reconstrução segue em etapas: primeiro, manutenção e melhoria dos trechos existentes; depois, pavimentação, condicionada a licenças ambientais, exigências técnicas e consulta às comunidades locais. Assim, a fala precisa ser entendida como referência às obras de recuperação e pavimentação, não à criação de uma estrada inédita.
45. Sem os governos do PT, o salário mínimo seria de R$ 900?
NÃO É BEM ASSIM
Lula afirmou que, se os governos do PT não tivessem reajustado o salário mínimo acima da inflação, o piso estaria em torno de R$ 900, atribuindo ao governo de Michel Temer e ao de Jair Bolsonaro a ausência de aumentos reais.
A checagem confirma que houve aumentos reais do salário mínimo em todos os anos entre 2004 e 2016, período que abrange os governos Lula e Dilma Rousseff. Os cálculos consideram a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que acompanha a variação do custo de vida das famílias de menor renda.
Durante o governo Temer, os reajustes ficaram abaixo da inflação. Em 2017, o mínimo passou de R$ 880 para R$ 937, aumento de 6,47%, inferior ao INPC de 6,58% acumulado no ano anterior. Em 2018, o piso foi fixado em R$ 954, alta de 1,81%, abaixo da inflação de 2,07%.
No governo Bolsonaro, a trajetória foi diferente a cada ano. Em 2019, o mínimo subiu de R$ 954 para R$ 998, com aumento real. Em 2020, o valor foi reajustado duas vezes, chegando a R$ 1.045, mas a correção não representou ganho real em relação à inflação de 2019. Em 2021, o mínimo aumentou 5,26%, abaixo do INPC de 5,45%, o que significou perda de poder de compra. Em 2022, foi para R$ 1.212, reajuste praticamente equivalente à inflação do período anterior.
No primeiro ano do terceiro mandato de Lula, o piso começou em R$ 1.302 após medida provisória assinada por Bolsonaro e subiu para R$ 1.320 em maio de 2023. Depois, o mínimo passou a R$ 1.412 em 2024, R$ 1.518 em 2025 e R$ 1.621 em 2026, com reajustes superiores ao INPC dos anos anteriores.
O histórico confirma que as políticas de valorização do salário mínimo fizeram diferença em determinados períodos, mas o valor de R$ 900 é uma estimativa contrafactual: não é possível concluir com precisão qual seria o salário mínimo atual sem essas políticas, porque isso depende das regras de reajuste e das decisões tomadas em cada governo.
46. O governo já enviou ao Congresso a proposta para comprar dívidas de inadimplentes?
FATO
Lula afirmou que o governo já havia enviado ao Congresso uma proposta para permitir a compra de carteiras de dívidas e publicado um edital para viabilizar a operação. A checagem confirma que houve iniciativas nesse sentido.
Em 25 de setembro de 2026, o presidente enviou ao Congresso uma medida provisória que criou o programa Desenrola 3.0. O texto autoriza o governo federal a comprar carteiras de dívidas de instituições financeiras e de outras empresas credoras, com desconto mínimo de 90%, para depois oferecer condições de pagamento aos devedores. Segundo o governo, a estimativa é adquirir R$ 150 bilhões em dívidas.
Em 22 de outubro, o Ministério da Fazenda publicou uma chamada para instituições financeiras interessadas em vender carteiras de crédito ao programa. A medida provisória já estava em vigor na data da checagem, mas ainda precisava ser aprovada pelo Congresso e aguardava a criação de uma comissão mista. Portanto, o envio da proposta e a publicação da chamada ocorreram, mas isso não significa que todas as operações de compra de dívidas já tenham sido concluídas.
47. A economia brasileira não crescia acima de 3% desde que Lula deixou a Presidência em 2010?
FAKE
Lula afirmou que a economia não crescia acima de 3% desde que ele deixou a Presidência em 2010. Os dados do Produto Interno Bruto (PIB), calculados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), contradizem a declaração.
O PIB brasileiro cresceu 7,5% em 2010, último ano do segundo mandato de Lula. Depois disso, houve outros anos com crescimento superior a 3%. Em 2011, durante o governo Dilma Rousseff, a economia cresceu 3,9%, segundo a série revisada do IBGE. Na divulgação inicial, em 2012, o resultado havia sido calculado em 2,7%, mas foi revisado em 2015 após a atualização das contas nacionais segundo padrões internacionais.
Em 2013, também durante o governo Dilma, o crescimento chegou a 3% na série revisada, acima da estimativa inicial de 2,3%. Já no governo Jair Bolsonaro, o PIB avançou 4,6% em 2021, durante a retomada das atividades depois dos impactos da pandemia de Covid-19.
No terceiro mandato de Lula, o PIB cresceu 3,2% em 2023 e 3,4% em 2024. Em 2025, a alta foi de 2,3%. Assim, é incorreto afirmar que o Brasil não teve crescimento acima de 3% depois de 2010. O país registrou resultados superiores a esse patamar sob diferentes governos.
48. Flávio Bolsonaro foi o único deputado estadual do Rio a votar contra o aumento da licença-maternidade?
FATO
Lula afirmou que Flávio Bolsonaro foi o único deputado estadual do Rio de Janeiro a votar contra o aumento da licença-maternidade de servidoras estaduais. Os registros de votação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) confirmam a informação.
A Proposta de Emenda à Constituição estadual 4/2007, apresentada pelo então deputado Marcelo Freixo, propunha ampliar a licença-gestante para 180 dias, com possibilidade de prorrogação durante a amamentação. A proposta foi aprovada em dois turnos e se tornou a Emenda Constitucional 41/2009.
Na votação do primeiro turno, em 31 de março de 2009, o texto foi aprovado por 45 votos favoráveis e um contrário. O voto contrário foi de Flávio Bolsonaro, segundo o Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro. No segundo turno, em 14 de abril daquele ano, a emenda foi aprovada por 54 votos favoráveis e um contrário. Novamente, o único voto contrário foi de Flávio Bolsonaro.
49. O governo anunciou o perdão de quase R$ 15 bilhões em dívidas para 4 milhões de MEIs?
FATO, COM DIFERENÇAS NOS NÚMEROS
Lula afirmou que o governo anunciou o perdão de quase R$ 15 bilhões em dívidas de cerca de 4 milhões de microempreendedores individuais (MEIs). A checagem confirma a sanção de uma lei para perdoar dívidas desse grupo, mas os números divulgados pelo governo são inferiores aos citados no debate.
Segundo as informações consultadas, a medida prevê o perdão integral de R$ 12,6 bilhões em dívidas de aproximadamente 3,6 milhões de MEIs. A regra abrange débitos com a União inscritos na Dívida Ativa até 13 de outubro de 2026, relacionados às contribuições dos microempreendedores, incluindo juros, multas e encargos legais.
O governo também informou que quase 86% do valor total dessas dívidas — cerca de R$ 11 bilhões — era considerado de difícil ou impossível recuperação. A iniciativa existe, mas a diferença entre os números precisa ser registrada: a explicação da checagem aponta R$ 12,6 bilhões e 3,6 milhões de beneficiários, não R$ 15 bilhões para 4 milhões.
50. O Brasil nunca exportou tanto quanto agora?
FATO
Lula afirmou que o Brasil nunca havia exportado tanto. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, confirmam o recorde anual de exportações em 2025.
O país exportou US$ 348,3 bilhões naquele ano, acima dos US$ 337 bilhões registrados em 2024. O crescimento foi de 3,3%, e o total representou o maior valor da série histórica iniciada em 1997.
As vendas brasileiras ao exterior também cresceram em 2026. Entre janeiro e setembro, as exportações somaram US$ 284,7 bilhões, contra US$ 257,9 bilhões no mesmo período de 2025, uma alta de 10,4%. A Secretaria de Comércio Exterior estimava que as exportações poderiam chegar a US$ 382,5 bilhões em 2026, o que representaria um novo recorde. Esse último número é uma previsão, diferente do valor já efetivamente registrado em 2025.
51. Flávio Bolsonaro atuou na defesa do policial acusado de matar Ana Clara Machado?
FATO
Lula questionou por que um senador defenderia um policial acusado de disparar um fuzil contra Ana Clara Machado, de cinco anos. A checagem confirmou que Flávio Bolsonaro passou a integrar a defesa do cabo Bruno Dias Delaroli.
Ana Clara foi morta em fevereiro de 2021, em Niterói, no Rio de Janeiro. Segundo a denúncia do Ministério Público, o policial teria disparado com um fuzil calibre 7,62 em direção a uma área residencial com circulação de moradores e crianças. A Justiça determinou que ele fosse levado a júri popular.
Flávio não participou da defesa desde o início do processo. Seu nome apareceu nos registros públicos em abril de 2024, junto com outros advogados, em um acórdão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A atuação ocorreu quando a defesa apresentou um recurso para tentar reverter a decisão que determinava o julgamento pelo Tribunal do Júri.
Os advogados alegaram falhas na perícia e problemas nos depoimentos. Também pediram, caso o júri fosse mantido, que a acusação passasse de homicídio doloso para culposo e que fosse retirada a agravante de que a vítima não teve chance de se defender. O STJ negou os pedidos. A decisão foi tomada por maioria, por fundamentos processuais, e não equivale a um julgamento definitivo sobre a culpa do policial.
O processo continuava em andamento, e o júri estava marcado para maio de 2027. Segundo reportagem de O Globo citada na checagem, Flávio foi convidado para atuar no caso por Paulo Márcio Ennes Klein, presidente do Instituto Família Policial. Ainda de acordo com a reportagem, o senador não cobrou honorários e sua função seria apresentar os argumentos da defesa a magistrados. Assim, está confirmada a participação de Flávio na defesa, mas a responsabilidade criminal do réu permanece sob análise da Justiça.
52. O governo Lula encontrou 5,6 mil creches e escolas com obras paralisadas?
FATO
Lula afirmou que o governo encontrou 5,6 mil obras de creches e escolas paralisadas. O número coincide com dados apresentados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Em dezembro de 2024, a presidente do FNDE, Fernanda Macedo Pacobahyba, informou à Câmara dos Deputados que existiam 5.642 obras de instituições de ensino paralisadas ou inacabadas em janeiro de 2023.
Em maio de 2023, Lula havia assinado uma medida provisória que criou o Pacto Nacional pela Retomada de Obras e de Serviços de Engenharia Destinados à Educação Básica. A iniciativa previa retomar até 5.642 construções, com investimentos de R$ 5,7 bilhões.
Um ano depois do início do pacto, segundo os dados apresentados pelo FNDE, o governo havia reduzido pela metade o número de obras paralisadas ou inacabadas. Até aquele momento, porém, apenas 268 obras tinham sido totalmente concluídas, conforme reportagem de O Globo.
Dados do TCU disponibilizados em outubro de 2026 indicavam que estados e municípios manifestaram interesse em retomar 3.784 obras. Destas, 2.513 tiveram os acordos com o governo federal atualizados para permitir a retomada das construções. A quantidade inicial citada por Lula encontra respaldo nos registros do FNDE. Retomar o programa, atualizar acordos e concluir cada obra são etapas diferentes.
53. Um milhão de trabalhadores se acidentam por ano por irresponsabilidade dos empregadores?
NÃO É BEM ASSIM
Lula afirmou que um milhão de trabalhadores se acidentam por irresponsabilidade patronal e cobrou um pedido de desculpas de Flávio Bolsonaro. A checagem reconhece a dimensão do problema dos acidentes de trabalho, mas mostra que os números não confirmam exatamente a frase.
Dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho, do Ministério do Trabalho, indicam que o Brasil registrou 806.011 acidentes de trabalho em 2025, com 3.644 mortes. Entre 2016 e 2025, foram contabilizados 6,4 milhões de acidentes e 27.486 mortes, além de mais de 106 milhões de dias de trabalho perdidos em afastamentos temporários e cerca de 249 milhões de dias debitados.
Outro estudo, realizado pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho com base no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), registrou 1.843.694 casos entre janeiro de 2023 e maio de 2026. Nos cinco primeiros meses de 2026, foram contabilizados 222.139 acidentes. Quando se consideram os três últimos anos-base completos da série mencionada — 2023, 2024 e 2025 —, a média anual é de 614.565 acidentes de trabalho.
Os registros confirmam milhares de acidentes e mortes, mas não sustentam a ideia de que um milhão de trabalhadores se acidenta todos os anos por responsabilidade exclusiva dos empregadores. A quantidade varia conforme a base usada, e os dados gerais não atribuem automaticamente a causa de cada acidente.
54. Quando Lula assumiu em 2003, o Nordeste era a região mais pobre, mais analfabeta e com menos universidades e pesquisadores?
NÃO É BEM ASSIM
Lula afirmou que, quando assumiu a Presidência em janeiro de 2003, o Nordeste era a região mais pobre, com mais desnutrição e analfabetismo, maior evasão escolar e menos universidades, mestres e doutores. A checagem confirma parte da descrição, mas não todos os indicadores.
Segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), 57,1% dos moradores do Nordeste viviam em situação de pobreza em 2002. Era a maior proporção entre as regiões brasileiras. O Norte aparecia em segundo lugar, com 42,7%.
A região também apresentava a maior taxa de analfabetismo. O Censo Demográfico de 2000, do IBGE, indicou que 24,6% dos nordestinos com dez anos ou mais não sabiam ler nem escrever, quase o dobro da média nacional, de 12,8%.
Os números do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) também apontavam o Nordeste com a maior taxa de abandono escolar no ensino fundamental em 2002: 13,8%. No Norte e no Centro-Oeste, o índice era de 11,6%; no Sudeste, 4,2%; e no Sul, 3,5%. A média nacional ficava em 8,7%.
A afirmação, contudo, não se sustenta em relação à desnutrição infantil. Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2002-2003 mostraram que 5,4% das crianças menores de cinco anos no Nordeste apresentavam déficit de peso para a idade. No Norte urbano, o índice era de 6,7%, e, nas áreas rurais da região, chegava a 11%, o pior cenário do país naquele indicador.
O Nordeste também não era a região com menos universidades em números absolutos. Dados do Censo da Educação Superior de 2002 registravam 29 universidades na região, contra 11 no Norte, 12 no Centro-Oeste, 37 no Sul e 73 no Sudeste.
A distribuição de pesquisadores com mestrado e doutorado também não sustenta a afirmação de que o Nordeste tinha os menores números absolutos. Em 2002, a região contava com 5.168 pesquisadores doutores e 3.167 cuja titulação máxima era o mestrado. Os totais eram inferiores aos do Sudeste e do Sul, mas superiores aos registrados no Norte e no Centro-Oeste.
A declaração mistura indicadores que confirmam desigualdades históricas do Nordeste com outros que não sustentam a mesma conclusão. Como a checagem consultada ainda estava em andamento, a classificação final pode ser atualizada.
O que observar nas checagens
As verificações mostram que declarações de debate eleitoral nem sempre podem ser classificadas apenas como verdade ou mentira a partir de uma frase isolada. Em diferentes temas, a checagem encontrou números corretos acompanhados de explicações incompletas, comparações entre períodos diferentes e atribuições de responsabilidade que precisam ser contextualizadas.
Também é importante observar a diferença entre um dado confirmado e uma interpretação política. A existência de uma obra paralisada, uma mudança no valor de um benefício ou um registro de votação pode ser verificada em documentos. Já atribuir determinado resultado exclusivamente a um presidente ou associá-lo diretamente à atuação de um partido exige análise adicional.
A cobertura do Fato ou Fake foi publicada durante e após o debate, com verificações realizadas por jornalistas do Grupo Globo. As classificações apresentadas nesta matéria seguem o material de checagem consultado; nos casos em que a própria explicação aponta ressalvas ou divergências de números, elas foram mantidas no texto para que o leitor possa avaliar o contexto de cada afirmação.