Campanha incentiva domésticas a denunciarem assédio eleitoral

Federação e ONG lançam ação para combater pressões de patrões nas eleições

Leandra Lacerda, empregada doméstica há quatro décadas, relata pressões constantes de patrões durante períodos eleitorais. As intimidações variam desde gritos até coações explícitas.

"Trabalhei em uma casa onde a empregadora me obrigava a votar em seu candidato", recorda. Acostumada a enfrentar essas situações, Leandra decidiu não se calar.

Atualmente, como secretária de comunicação da Federação Nacional de Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), ela incentiva denúncias contra violações de direitos, inclusive assédio eleitoral.

Em parceria com a Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos, a Fenatrad lançou a campanha "Não passaremos pano". A ação visa destacar as diversas formas de violência enfrentadas por trabalhadoras domésticas no Brasil.

Segundo o procurador do Ministério Público do Trabalho, Igor Sousa Gonçalves, assédio eleitoral ocorre quando empregadores pressionam funcionários a votar em determinados candidatos, ameaçando demissão ou oferecendo benefícios.

Denúncias podem ser feitas ao Ministério Público do Trabalho, com garantias de sigilo.

Jéssica Miranda, diretora da Themis, destaca que o assédio é grave no serviço doméstico, dado o isolamento e vulnerabilidade dessas trabalhadoras.

Histórias como a de Maria das Graças dos Santos, de 64 anos, mostram a força das pressões, muitas vezes invisíveis. "Devemos votar livremente", defende.

O procurador Gonçalves reitera que o MPT tem ferramentas para investigar essas denúncias e proteger as vítimas. Ele destaca que a Lei 9.029/1995 protege trabalhadores contra diferentes formas de discriminação.