Bolsonaro insiste em julgamento pelo plenário do STF e não pela Primeira Turma

Ex-mandatário tenta evitar que Flávio Dino e Cristiano Zanin participem do julgamento sobre trama golpista

Jair Bolsonaro (PL) recorreu novamente ao Supremo Tribunal Federal (STF) para ser julgado pelo plenário da Corte, em vez da Primeira Turma. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o pedido foi apresentado nessa segunda-feira (10), após decisão que rejeitou sua solicitação para afastar os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin do julgamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a trama golpista.

Bolsonaro e mais 33 pessoas são investigadas por suposta participação na tentativa de golpe para se manter no poder. O plenário do STF, que ele quer como instância de julgamento, é composto pelos 11 ministros da Corte, incluindo André Mendonça e Nunes Marques, indicados durante seu governo. Já a Primeira Turma, onde o caso será analisado, conta com os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Alexandre de Moraes e Flávio Dino.

O primeiro pedido da defesa foi negado pelo presidente do STF, Luís Roberto Barroso, que entendeu que não há justificativa legal para impedir Dino e Zanin de participar do julgamento. A defesa do ex-mandatário argumenta que Dino entrou com uma queixa-crime contra Bolsonaro quando era ministro da Justiça e Segurança Pública, ainda nos primeiros meses do governo Lula (PT). Em relação a Zanin, os advogados alegam que ele advogou para a campanha de Lula e moveu ações contra a chapa de Bolsonaro nas eleições de 2022.

Além do recurso apresentado por Bolsonaro, a PGR enviou ao STF, nesta segunda-feira, um parecer contrário à ampliação do prazo para manifestação da defesa do general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice na chapa de Bolsonaro em 2022. O general também está entre os denunciados pela tentativa de golpe e está preso preventivamente desde dezembro do ano passado, acusado de obstruir as investigações da Polícia Federal (PF).

Ainda conforme a reportagem, a defesa de Braga Netto argumenta que não teve acesso completo à delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, e solicita que sua manifestação seja feita apenas após a defesa de Cid. No entanto, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, já havia negado a prorrogação do prazo. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, reforçou o posicionamento de Moraes, afirmando que a legislação não prevê essa extensão.

Apesar da contestação, a defesa de Braga Netto já apresentou sua manifestação ao STF, classificando a denúncia como “fantasiosa”. De acordo com relatório da PF, o general teria atuado para “controlar as informações fornecidas e alterar a realidade dos fatos apurados ao longo da investigação, além de consolidar o alinhamento de versões entre os investigados”.