Antes de se tornar alvo das investigações relacionadas ao Banco Master e da Operação Compliance Zero, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro já enfrentava problemas na Justiça por conta de uma dívida milionária. Em 2014, o empresário teve o nome incluído nos cadastros de inadimplência do Serasa após empresas ligadas à sua família deixarem de pagar mais de R$ 1 milhão a um escritório de advocacia em Minas Gerais.
O débito envolvia as empresas Multipar Empreendimentos e Participações, Cesto Incorporadora S.A. e Eukaryota Participações S.A., administradas pela família Vorcaro. Segundo o processo, as companhias contrataram serviços de consultoria jurídica para a construção do empreendimento imobiliário Golden Trip, em Belo Horizonte, mas não concluíram o pagamento acordado. Daniel Vorcaro e seu pai, Henrique Vorcaro, também foram citados na ação.
De acordo com os autos, o contrato firmado em 2010 com o escritório Guimarães & Vieira de Mello Advogados previa pagamento de R$ 800 mil. Com a inadimplência, juros e a assinatura de um contrato complementar, o valor da dívida ultrapassou R$ 1,05 milhão. As partes chegaram a renegociar o débito, que seria quitado em três parcelas. No entanto, apenas a primeira, no valor de R$ 500 mil, foi paga em novembro de 2014. As duas parcelas seguintes, de R$ 360 mil cada, não foram quitadas.
Diante do descumprimento do acordo, o escritório pediu à Justiça o bloqueio de bens dos empresários e das empresas envolvidas. A Justiça de Minas Gerais chegou a bloquear cerca de R$ 72 mil em contas bancárias, valor considerado insuficiente para quitar a dívida. Apesar disso, pedidos para ampliar o bloqueio patrimonial não foram autorizados nas instâncias analisadas.
Família contestou cobrança na Justiça
Como resposta, a família Vorcaro ingressou com uma ação pedindo a anulação do contrato de prestação de serviços. A defesa alegou que o escritório não teria executado adequadamente os serviços contratados, obrigando a contratação de outra banca para concluir o trabalho. Também sustentou que os advogados teriam se aproveitado da fragilidade financeira das empresas para pressionar o pagamento da dívida.
Os advogados contratados, por sua vez, classificaram a postura das empresas como um "calote" e defenderam a validade dos acordos firmados. A Justiça rejeitou os argumentos apresentados pela família Vorcaro e destacou que os empresários possuíam experiência no mercado e conhecimento suficiente para compreender os compromissos assumidos.
Operação Compliance Zero
Atualmente, Daniel Vorcaro é apontado como o principal alvo da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e outros crimes relacionados ao Banco Master.
Vorcaro está preso e negocia um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR). O ex-banqueiro assumiu o controle do antigo Banco Máxima em 2018, rebatizando a instituição como Banco Master. Em novembro de 2025, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do banco e de outras empresas do grupo.
A documentação judicial consultada pelos veículos que divulgaram o caso não informa qual foi o desfecho definitivo da disputa envolvendo a dívida com o escritório de advocacia.