Polícia diz que adolescente conhecida como “Princesinha” matou blogueira em Teresina

Jovem de 17 anos teria saído de um carro branco e atirado contra Rafaella Cabral

Uma adolescente de 17 anos conhecida como “Princesinha” é apontada pela Polícia Civil do Piauí como a autora dos disparos que mataram a blogueira Rafaella Freire Cabral, de 22 anos, no dia 20 de setembro, em um clube na zona Leste de Teresina. Segundo as investigações, a jovem teria saído de um carro branco e atirado contra a vítima, que foi morta no local.

A informação foi detalhada pela delegada Nathália Figueiredo, responsável pela investigação conduzida pelo Núcleo de Feminicídio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Nesta sexta-feira (9), três pessoas foram presas durante uma operação policial contra suspeitos de envolvimento no homicídio. A adolescente apontada como autora dos tiros é procurada pela polícia.

De acordo com a delegada, imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas ajudaram a reconstruir a dinâmica do crime e identificar os suspeitos. A investigação aponta que Rafaella foi conduzida por integrantes de uma organização criminosa até o ponto onde foi assassinada.

“Em ato contínuo, a adolescente, conhecida como Princesinha, que estava nesse veículo, sai do veículo e realiza os disparos, matando a vítima no local”, detalhou a delegada.

Rafaella Cabral / Foto: Redes sociais

A investigação aponta que o crime foi precedido por dois desentendimentos dentro do clube. Inicialmente, teria ocorrido uma discussão envolvendo o companheiro de Rafaella e pessoas que estavam em uma mesa ocupada por integrantes do grupo investigado. O conflito teria começado por causa de uma tomada de energia e evoluído para uma luta corporal.

Em seguida, houve uma discussão entre Rafaella e outra mulher, identificada pela polícia como Catarina da Silva, que já havia sido presa no curso das investigações.

Segundo a delegada, há indícios de que Catarina tenha identificado Rafaella no estabelecimento, fotografado a jovem e enviado a imagem para integrantes da organização criminosa. A suspeita é de que essa comunicação tenha contribuído para a execução.

“Segundo testemunhas, a própria Catarina teria tirado uma foto da Rafaella e a investigação caminha no sentido de que ela enviou para o grupo que realizou a execução”, afirmou Nathália Figueiredo.

Ainda conforme a investigação, Rafaella não foi morta imediatamente após a discussão. Imagens de segurança mostram que ela foi conduzida por integrantes do grupo até outro ponto do clube, onde os disparos ocorreram.

Adolescente é investigada por outros crimes

Segundo a Polícia Civil, “Princesinha” seria integrante do Bonde dos 40 e ocuparia uma posição de relevância dentro da organização criminosa. Ela também é investigada pelo Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) por suspeita de envolvimento em outros crimes.

De acordo com informações divulgadas pela polícia, a adolescente possui mandado de internação e é suspeita de participação em outro homicídio. As autoridades também investigam a existência de rivalidades anteriores entre ela e Rafaella.

A polícia apura ainda se publicações nas redes sociais tiveram relação com os conflitos que antecederam o assassinato.

Três pessoas foram presas

A operação realizada nesta sexta-feira (9) resultou na prisão de três suspeitos e na apreensão do carro apontado como utilizado no crime. O veículo, um Sandero branco, foi localizado com drogas no porta-malas.

Segundo o delegado Laércio Evangelista, coordenador do DRACO, o motorista do automóvel, identificado como Sérgio Eduardo, confessou participação no homicídio durante depoimento.

Outro suspeito preso foi Manoel Messias, apontado pela investigação como integrante do grupo que conduziu Rafaella até o local onde os tiros foram disparados.

Catarina da Silva, investigada por supostamente ter identificado a vítima e repassado informações ao grupo criminoso, havia sido presa dias depois do assassinato.

A operação também apurou a atuação de uma célula criminosa ligada ao tráfico de drogas, a outros homicídios e ao chamado “tribunal do crime”, prática em que integrantes de facções submetem pessoas a julgamentos clandestinos e determinam punições.

As investigações continuam para localizar a adolescente apontada como autora dos disparos e esclarecer a participação de cada suspeito na morte da blogueira.

Relembre o caso

Rafaella Freire Cabral foi morta a tiros no dia 20 de setembro, em um clube localizado no bairro Satélite, na zona Leste de Teresina. A jovem tinha 22 anos e mantinha presença nas redes sociais.

Inicialmente, a Polícia Civil investigava a autoria e a motivação do homicídio. Com o avanço das diligências, os investigadores passaram a apurar a participação de integrantes de uma organização criminosa e a possível relação do assassinato com conflitos entre pessoas ligadas ao grupo.