O policial militar Gabriel Veras Tomaz Silva, preso no domingo (26), suspeito de agredir e manter a ex-namorada, a jornalista Jordana Carvalho, em cárcere privado, foi posto em liberdade após audiência de custódia nesta quinta-feira (30). Embora solto, o policial teve o porte de arma de fogo suspenso e deve cumprir medidas protetivas.
O advogado da jornalista, Smailly Carvalho, afirmou que solicitará a instalação imediata de tornozeleira eletrônica no PM. "Não estamos satisfeitos. Vamos ingressar com o pedido para que ele use tornozeleira e para retirar a posse de arma dele enquanto cumpre a medida protetiva", declarou a defesa. Paralelamente, a Polícia Militar do Piauí informou a abertura de uma sindicância para apurar a conduta do agente e verificar possíveis irregularidades disciplinares dentro da corporação.
A denúncia detalha uma sequência de violência que durou o dia inteiro dentro do apartamento onde o casal vivia. A vítima relatou ter sofrido estrangulamentos repetidos, ter sido arremessada contra móveis e paredes, além de sofrer tentativas de abuso sexual e humilhações. Segundo a família, o policial utilizou sua arma de fogo para intimidar a jornalista, manipulando munições e ameaçando tirar a vida dela e a dele.
O cárcere privado só chegou ao fim durante a noite, quando a jornalista conseguiu enviar mensagens de socorro em um grupo de WhatsApp de colegas de profissão e acionar o 190. Após a chegada das equipes da PM, ela foi resgatada e encaminhada à Casa da Mulher Brasileira, onde recebeu assistência especializada. Familiares revelaram que, embora houvesse um histórico de violência psicológica desde 2022, a vítima nunca havia denunciado o agressor anteriormente por medo.