PF faz buscas em escritório do vereador Alan Brandão, auxiliar de Silvio Mendes

Empresa de contabilidade foi alvo da segunda fase da Operação Conectados, que investiga esquema envolvendo licitações e recursos federais da saúde e educação

A Polícia Federal (PF) cumpriu mandado de busca e apreensão no escritório Escrita Contabilidade Pública, localizado na Rua Honório Parentes, na Zona Leste de Teresina, durante a segunda fase da Operação Conectados, deflagrada na manhã desta segunda-feira (2). O local é ligado ao vereador de Teresina e superintendente da Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU) Norte, Alan Brandão.

Segundo a Polícia Federal, a operação investiga um grupo suspeito de envolvimento em crimes de corrupção, fraude em licitações, lavagem de dinheiro e desvio de recursos federais destinados às áreas da saúde e educação em municípios piauienses.

Durante a ação, os agentes apreenderam documentos, aparelhos eletrônicos, registros financeiros e valores em espécie sem origem lícita comprovada. Equipes da PF também deixaram o local levando uma pasta de couro, uma mochila, documentos e a CPU de um computador.

Dados da Receita Federal apontam Alan Brandão como sócio-administrador da empresa de contabilidade. Procurada pela Rede Clube, a assessoria de imprensa do ex-vereador informou que ele não é alvo da operação e que irá se manifestar por meio de nota.

Além do escritório em Teresina, a Polícia Federal cumpre outros 11 mandados de busca e apreensão nas cidades de Teresina e Oeiras, todos expedidos pela Vara Única da Comarca de Floriano.

Foto: PFOperação teve início após relatório da CGU

De acordo com a PF, as investigações começaram após informações técnicas da Controladoria-Geral da União (CGU) apontarem possíveis irregularidades em contratos firmados por uma empresa de informática com prefeituras do Piauí.

A análise do material apreendido durante a primeira fase da Operação Conectados, realizada em abril de 2024, revelou indícios de que as irregularidades iam além dos contratos inicialmente investigados, indicando a atuação de uma organização estruturada.

Foto: PFSegundo a Polícia Federal, o grupo utilizava contratos de assessoria com prefeituras para obter informações privilegiadas, influenciar processos licitatórios e beneficiar empresas ligadas aos investigados.

"Esta segunda fase busca aprofundar a apuração sobre a estrutura do grupo, a função de cada investigado, a movimentação dos valores e a possível continuidade das práticas criminosas", informou a PF.

R$ 1,6 milhão foi apreendido na primeira fase

O escritório já havia sido alvo da primeira fase da Operação Conectados, em abril de 2024. Na ocasião, os agentes apreenderam aproximadamente R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo.

Os investigados poderão responder por crimes como associação criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outras infrações que venham a ser identificadas durante o andamento das investigações.

Foto: PF