Um jovem cadeirante foi agredido com vários socos pelo próprio pai no estacionamento de um condomínio localizado no bairro do Bessa, em João Pessoa, na Paraíba. A violência aconteceu por volta de 1h da madrugada de quarta-feira (29) e foi registrada pelas câmeras de segurança do residencial.
A vítima ficou paraplégica há cerca de quatro meses, após sofrer um acidente de motocicleta em Parnaíba, no litoral do Piauí. Desde então, o jovem havia deixado a residência da mãe e passado a morar com o pai na capital paraibana durante o período de recuperação e reabilitação.
As imagens das agressões circularam nas redes sociais e provocaram revolta. A Polícia Civil da Paraíba instaurou um procedimento para investigar o caso. Dependendo das provas reunidas durante o inquérito, o pai poderá responder por tortura ou lesão corporal no contexto de violência doméstica.
Jovem precisava realizar sondagem urinária
Em depoimento prestado à Polícia Civil, a vítima contou que saiu com o pai para um passeio pela orla de João Pessoa na tarde de terça-feira (28). Por volta das 17h40, pediu que eles retornassem ao apartamento para que pudesse realizar uma sondagem urinária.
O procedimento é utilizado por pacientes que apresentam dificuldade para esvaziar a bexiga e precisa ser feito em horários determinados para evitar vazamentos, infecções e outras complicações.
Segundo o relato do jovem, o pai teria recusado o pedido e seguido para um restaurante, onde consumiu vinho. Depois, os dois foram a uma loja de conveniência, onde o homem teria continuado ingerindo bebidas alcoólicas.
Pai e filho somente retornaram ao condomínio por volta de 1h da madrugada. Durante esse período, a vítima não conseguiu realizar o procedimento médico e teve um vazamento involuntário de urina, que molhou o banco do veículo.
Câmeras registraram sequência de socos
Conforme o depoimento, o pai ficou irritado ao perceber que o banco do automóvel estava molhado. Ele teria começado a insultar o filho e, logo depois, desferido uma sequência de socos contra o jovem, que permanecia sentado na cadeira de rodas.
A agressão ocorreu no estacionamento e foi registrada pelo circuito interno de segurança do condomínio. As gravações foram entregues às autoridades e passaram a integrar a investigação.
A vítima também declarou aos investigadores que a convivência com o pai era difícil, descrevendo-o como uma pessoa truculenta e pouco aberta a contrariedades. As afirmações ainda serão apuradas pela Polícia Civil.
Pai foi ouvido e liberado
Após a divulgação das imagens, o investigado, identificado pelas autoridades como suboficial da reserva da Marinha, compareceu à Central de Polícia Civil, no bairro do Geisel. Ele prestou depoimento e foi liberado.
A polícia explicou que não houve prisão em flagrante porque o homem foi apresentado aproximadamente 11 horas depois da agressão, sem que tivesse ocorrido perseguição ou busca contínua desde o momento do crime. O boletim de ocorrência foi registrado e o procedimento encaminhado à delegacia responsável pela investigação.
Caso pode ser enquadrado como tortura
A Polícia Civil ainda não definiu o enquadramento penal. O delegado responsável deverá analisar os depoimentos, as imagens de segurança, eventuais laudos médicos e as circunstâncias em que a vítima, uma pessoa com deficiência e dependente de cuidados, foi agredida.
O caso poderá ser investigado como lesão corporal no ambiente doméstico ou tortura. A definição dependerá da finalidade das agressões e das provas reunidas durante o inquérito, conforme informou a polícia ao Jornal da Paraíba.
Embora o nome do suspeito tenha circulado em algumas publicações, ele é tratado nesta matéria como investigado, pois não houve condenação e a apuração policial ainda está em andamento.
Vítima sofreu acidente no Piauí
O caso possui ligação direta com o Piauí. De acordo com o depoimento divulgado pelo SBT News, o jovem morava com a mãe em Parnaíba e ficou paraplégico após um acidente de motocicleta ocorrido há aproximadamente quatro meses.
Durante a recuperação, mudou-se para João Pessoa para receber os cuidados do pai. Após as agressões, a mãe do jovem também se manifestou sobre o caso, e a situação familiar deverá ser acompanhada pelas autoridades.
Denúncias de violência contra pessoas com deficiência podem ser feitas pelo Disque 100. Em situações de emergência, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190.