Ex-namorado de aluna da UESPI invade campus e agride estudante por ciúmes em Parnaíba

Ataque ocorreu durante o intervalo das aulas; direção da universidade solicita reforço policial e controle de acesso

Um estudante do curso de Pedagogia da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), no campus de Parnaíba, foi agredido dentro da instituição, na noite desta segunda-feira (11). O jovem foi atingido por socos desferidos por dois homens que invadiram as dependências da universidade durante o intervalo das aulas.

 Segundo nota divulgada pela Coordenação do Curso, a motivação do crime seria passional: um dos agressores é ex-companheiro de uma aluna da graduação, que havia terminado o relacionamento com ele no mesmo dia. Inconformado, o homem teria planejado a invasão ao campus acompanhado de um comparsa.

A Polícia Militar de Parnaíba confirmou a dinâmica do ocorrido, classificando a ação como um caso de ciúmes. Após as agressões, os suspeitos fugiram em motocicletas e ainda não foram localizados. O estudante agredido recebeu apoio do coordenador do curso, sendo encaminhado à Central de Flagrantes para o registro da ocorrência e, em seguida, levado a uma unidade hospitalar para receber atendimento médico devido aos ferimentos.

Em resposta ao episódio de violência, a direção do campus de Parnaíba informou que já registrou o Boletim de Ocorrência e encaminhou um processo à Reitoria da UESPI. A instituição requisitou formalmente à Secretaria de Segurança Pública o reforço do policiamento ostensivo na unidade para garantir a integridade de alunos e professores. Além disso, a direção solicitou a elaboração urgente de um projeto arquitetônico para controle de acesso ao campus, aumento do efetivo de vigilância e treinamento adequado para as equipes de segurança interna.

Veja nota na íntegra:

Comunicado da Coordenação do curso de Pedagogia

Na noite de ontem 11 de maio de 2026, enquanto recebíamos com tristeza os dados alarmantes sobre o feminicídio em nosso país, fomos surpreendidos por mais um grave episódio de violência dentro do Campus de Parnaíba, desta vez novamente no Curso de Pedagogia.A situação se repete da mais forma com maior gravidade.

Com profunda revolta, denunciamos que, durante o intervalo das aulas noturnas, dois homens invadiram o campus e agrediram de forma violenta um discente do Curso de Pedagogia. O estudante foi atacado com socos e murros em um ato covarde, cruel e premeditado.

Um dos agressores era ex-namorado de uma discente do curso que havia terminado o relacionamento nesse mesmo dia com ele, e este homem não possui qualquer vínculo institucional com a universidade.

De maneira violente e deliberada, ele planejou e articulou sua entrada no campus acompanhado de um comparsa para cometer o ato de violência.

Naquele momento, eu havia Ao ser informada sobre a ocorrência, juntamente com nosso diretor, tomamos todas as providências que estavam ao nosso alcance para prestar assistência à vítima.

Foi necessário acompanhar o discente agredido até a Central de Flagrantes e posteriormente ao hospital, diante da gravidade das agressões físicas sofridas.

Após a agressão, os dois homens fugiram em motocicletas, levando consigo a discente. A discente saiu do do campus com os agressores e posteiormente, ela entrou em contato telefônico com a coordenação pedindo que não fosse realizada denúncia, afirmando que o agressor “não faria mais isso”. Informei que já estávamos na delegacia e, em seguida, nos dirigindo ao hospital. Durante a conversa, também a incentivei a formalizar denúncia, mas ela se recusou.

Esse caso evidencia uma realidade dolorosa e recorrente: a violência praticada por homens que não aceitam o fim de relacionamentos. Situações como essa acontecem diariamente em nossa sociedade. Em menos de um ano, este é o terceiro episódio de violência registrado em nosso campus, sendo o segundo envolvendo diretamente o Curso de Pedagogia.

O ocorrido revela de forma contundente a violência de gênero contra a mulher, bem como a vulnerabilidade e insegurança às quais estudantes, docentes e técnicos estão submetidos dentro do ambiente universitário, especialmente no turno da noite.

Precisamos urgentemente de medidas efetivas de segurança no campus. É necessária a melhoria da estrutura física, ampliação do número de vigilantes e reforço da iluminação em áreas que permanecem completamente escuras.

Ressaltamos que essas demandas já haviam sido formalmente encaminhadas, em agosto de 2025, por meio de processo SEI, à Administração Superior da UESPI, aos órgãos de proteção à mulher, à segurança pública e ao poder público municipal e estadual.
Contudo, até o momento, as medidas solicitadas não foram efetivamente implementadas.

Nos autos desse processo, sequer houve manifestação concreta de compromisso institucional diante da violência contra as mulheres e das diversas situações de insegurança às quais nossa comunidade acadêmica vem sendo submetida.

Não podemos naturalizar a violência.
Nos solidarizamos com o discente agredido, reafirmamos nosso compromisso com a defesa da vida, da dignidade e da segurança de toda a comunidade acadêmica e exigimos providências urgentes das autoridades competentes.

Das ações realizadas ontem o informamos que foram tomadas as seguintes providências por parte da coordenação e direção até agora.

- Acolhida e apoio ao  discente que foi vítima dessa violência dentro do campus;
- Registro do Boletim de ocorrência;
- ⁠Acompanhamento ao discente ao hospital;
- ⁠Afastamento da discente das aulas e de todas as atividades que está vinculadas a uespi por tempo indeterminado e comunicado as escolas;
- ⁠Agendamento de reunião do colegiado para avaliar a situação e tomar as medidas necessárias de proteção a vítima, os discentes e docentes do curso;
- ⁠Apoio a docente da turma que envolve esse caso de violência;
- ⁠Comunicação às autoridades