O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) está investigando uma possível ligação da blogueira e massoterapeuta Rafaella Freire Cabral com uma organização criminosa. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (21) pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), um dia depois do assassinato da jovem dentro do Clube dos Engenheiros, na zona Leste de Teresina. A hipótese faz parte das linhas de investigação e não significa, até o momento, que a polícia tenha concluído que essa eventual ligação tenha motivado o assassinato. Rafaella foi morta a tiros na tarde de domingo (20), no clube localizado na região do bairro Satélite. O DHPP trabalha para identificar os responsáveis pelos disparos, reconstruir a dinâmica do homicídio e esclarecer a motivação.
SSP confirma linha de investigação
Em nota divulgada nesta segunda-feira, a Secretaria de Segurança Pública informou que o DHPP analisa as circunstâncias do homicídio e considera, entre as hipóteses investigadas, eventual relação da vítima com uma organização criminosa. Segundo a SSP-PI, os investigadores também analisam o histórico da vítima e seus relacionamentos pessoais. A Secretaria informou que as diligências continuam e que novas informações serão divulgadas conforme o avanço da investigação. Até o momento, não há conclusão oficial de que uma organização criminosa tenha ordenado ou executado o assassinato de Rafaella.
Família diz desconhecer ligação com facção
Familiares de Rafaella apresentaram uma versão diferente ao serem questionados sobre essa linha investigativa. Durante os procedimentos para liberação do corpo no Instituto de Medicina Legal (IML), familiares disseram que não tinham conhecimento de eventual envolvimento de Rafaella com organizações criminosas. Essa informação é importante porque a investigação ainda está em andamento e diferentes hipóteses estão sendo verificadas pelo DHPP.
Relacionamentos anteriores também são analisados
O histórico de relacionamentos de Rafaella já havia entrado no radar da investigação. Informações divulgadas anteriormente apontam que a jovem manteve relacionamento com homens citados em investigações policiais envolvendo tráfico de drogas e organização criminosa. Um deles foi Jad Rubens, assassinado em janeiro de 2025 após ser sequestrado durante um baile de reggae em Teresina. Ele era apontado em investigação policial como ligado ao tráfico de drogas. O eventual relacionamento de Rafaella com pessoas investigadas, porém, não permite concluir que ela própria integrasse uma organização criminosa nem que esse histórico tenha provocado sua morte. É justamente essa possível relação que o DHPP procura esclarecer.
Discussão ocorreu antes do assassinato
Outra circunstância investigada é uma discussão ocorrida pouco antes dos disparos. Segundo relato de testemunha repassado à Polícia Militar, um desentendimento teria começado por causa de uma tomada utilizada para carregar um aparelho celular e conectar uma caixa de som. Depois da discussão, Rafaella teria se afastado do grupo. Pouco tempo depois, foram ouvidos disparos. A polícia ainda investiga se esse desentendimento teve alguma relação com o assassinato ou se ocorreu apenas momentos antes do crime sem ligação direta com a execução.
Polícia tenta reconstruir últimos momentos
Os investigadores agora trabalham para reconstruir os últimos momentos de Rafaella no clube e identificar as pessoas que tiveram contato com ela antes do assassinato. Depoimentos de testemunhas, imagens eventualmente existentes no local, informações telefônicas obtidas dentro dos procedimentos legais e outros elementos periciais podem contribuir para esclarecer a dinâmica do homicídio. O inquérito está sob responsabilidade do DHPP. Os delegados responsáveis têm evitado antecipar conclusões para não comprometer as diligências.
Corpo foi liberado nesta segunda-feira
O corpo de Rafaella foi liberado pelo Instituto de Medicina Legal no início da tarde desta segunda-feira. O pai da jovem, José Neto Cabral, esteve no IML pela manhã acompanhado da irmã de Rafaella para realizar os procedimentos necessários. Rafaella era conhecida nas redes sociais, onde reunia milhares de seguidores. Ela se apresentava como massoterapeuta, estudante de Direito e professora de kitesurf e era mãe de duas crianças. A autoria e a motivação do assassinato permanecem sob investigação.