O dentista André Rezende Correia Holanda será julgado nesta terça-feira (3) pelo Tribunal do Júri, em Teresina, acusado de tentar matar a ex-esposa a tiros em agosto de 2025. O crime aconteceu na zona Leste da capital, após uma discussão envolvendo ciúmes. A vítima foi baleada no braço e no antebraço, mas conseguiu escapar e pedir ajuda.
O caso será analisado como tentativa de feminicídio. A decisão de levar o acusado a julgamento foi tomada pela 1ª Vara do Tribunal Popular do Júri da Comarca de Teresina, que identificou provas da ocorrência do crime e indícios suficientes de autoria para submeter o caso aos jurados. A prisão preventiva do dentista também foi mantida pela Justiça.
O crime
O crime ocorreu na noite de 18 de agosto de 2025, por volta das 20h, nas proximidades da residência do casal, no Conjunto Árvores Verdes, na zona Leste de Teresina.
Segundo o relato da vítima à polícia, ela vinha enfrentando um relacionamento marcado por ciúmes e cobranças constantes. Os dois estavam casados havia aproximadamente 16 anos e tem três filhos.
No dia do crime, após uma discussão, o dentista teria enviado mensagens ameaçadoras à mulher. Em uma delas, conforme a investigação, escreveu: “quando chegar em casa, você me paga”.
Quando a vítima retornava para a residência, teria sido surpreendida pelo companheiro, que estava armado. Conforme o depoimento prestado à polícia, ele saiu de uma área de matagal próxima ao imóvel com uma pistola e gritou que iria matá-la.
A mulher tentou escapar e pediu ajuda a um motorista que passava pela avenida. No momento em que tentava entrar no veículo, o suspeito teria apontado a arma em sua direção e disparado duas vezes. Os tiros atingiram o braço e o antebraço esquerdos da vítima.
Mesmo ferida, a mulher conseguiu buscar socorro. Ela foi levada inicialmente para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Renascença e, em seguida, encaminhada ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT).
A vítima recebeu alta no dia seguinte, mas permaneceu com um dos projéteis alojado na região do punho. Segundo informações divulgadas durante a investigação, a bala só foi retirada cerca de dois meses depois, devido ao risco envolvido na remoção imediata.
O exame de corpo de delito confirmou lesões compatíveis com ferimentos provocados por arma de fogo, reforçando os elementos reunidos no inquérito policial.
Vítima relatou ameaças e controle durante o casamento
Durante a investigação, a mulher relatou que o relacionamento era marcado por ciúmes e cobranças frequentes. Ela afirmou que o comportamento do marido havia se agravado e que temia que ele voltasse a tentar matá-la.
A vítima também relatou que o dentista não permitia que ela trabalhasse. Segundo informações apresentadas no processo, ele teria acompanhado a movimentação da mulher por meio das câmeras de monitoramento da residência, sistema ao qual apenas ele tinha acesso.
Familiares ouvidos durante a investigação também relataram episódios anteriores de ameaças, controle excessivo e violência. A irmã da vítima chegou a acusar o dentista de matar o cachorro da família com um tiro, na presença dos filhos. Essa acusação foi relatada no inquérito e também foi negada pelo investigado.
Após receber alta hospitalar, a mulher prestou depoimento à polícia e manifestou medo de que o ex-companheiro voltasse a atacá-la. Ela também relatou que ele procurava familiares para pedir perdão e tentar uma reaproximação.
André Rezende foi preso preventivamente no fim de agosto de 2025, após representação do Núcleo de Feminicídio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Em interrogatório, ele negou que tivesse intenção de matar a esposa. Ele afirmou que o episódio ocorreu durante uma discussão e sustentou que teria atirado contra o capô do carro em que a mulher estava. Também negou as acusações de comportamento violento e de ter matado o animal da família.
A defesa pediu a revogação da prisão preventiva, argumentando que o acusado era primário, tinha residência fixa e profissão definida. A Justiça, entretanto, manteve a prisão durante a decisão que determinou o julgamento pelo Tribunal do Júri.
Júri vai decidir sobre a acusação
Com a decisão judicial, caberá aos jurados analisar as provas e os depoimentos para decidir se o dentista é culpado ou inocente da acusação de tentativa de feminicídio.
A decisão de pronúncia, que encaminha o acusado ao Tribunal do Júri, não representa condenação. O julgamento deverá considerar os elementos reunidos no processo, incluindo o depoimento da vítima, os relatos de familiares e os laudos periciais.
O caso tramita na Justiça do Piauí e envolve uma acusação de violência contra a mulher em contexto de relação íntima, com relatos de ameaças anteriores e disparos de arma de fogo.