A brasileira Adilma Pereira Carneiro, de 50 anos, foi condenada à prisão perpétua na Itália pelo assassinato do companheiro, o italiano Fabio Ravasio, de 52 anos. Segundo a acusação acolhida pela Justiça italiana, a morte foi planejada para parecer um acidente de trânsito e teria como motivação o patrimônio da vítima, estimado em aproximadamente 3 milhões de euros.
A sentença foi proferida em 15 de junho de 2026, pelo Tribunal de Busto Arsizio, na região da Lombardia. O caso voltou a repercutir no Brasil nesta sexta-feira, 4 de setembro.
Fabio Ravasio morreu após ser atropelado na noite de 9 de agosto de 2024, enquanto seguia de bicicleta por uma via em Parabiago, na província de Milão. Inicialmente, o episódio parecia ser um atropelamento, mas as investigações levaram as autoridades italianas à conclusão de que se tratava de uma emboscada.
Crime teria sido planejado durante meses
De acordo com o Ministério Público italiano, Adilma teria planejado a morte do companheiro durante meses e contado com a participação de outras pessoas para executar o crime. A acusação sustentou que os envolvidos receberam diferentes funções no plano, desde a preparação do veículo até a execução do atropelamento e o apoio necessário para que a morte parecesse resultado de um acidente.
Para os promotores, a motivação seria financeira. Adilma pretendia ficar com o patrimônio de Ravasio, avaliado em cerca de 3 milhões de euros. O filho da brasileira, Igor Benedito, foi apontado como o motorista do veículo que atingiu Ravasio. Ele foi condenado a 23 anos de prisão.
Outras sete pessoas foram condenadas
Além de Adilma, outras sete pessoas foram consideradas culpadas pela Justiça italiana. Marcello Trifone e Fabio Lavezzo também receberam prisão perpétua. Massimo Ferretti foi condenado a 24 anos de prisão; Igor Benedito, a 23 anos; Mohammed Dhaibi, a 22 anos; Mirko Piazza, a 14 anos e quatro meses; e Fabio Oliva, a 14 anos. A Justiça italiana considerou Adilma a principal responsável pela articulação do crime.
Brasileira nega ter planejado assassinato
Durante o processo, Adilma negou as acusações e sustentou não ter motivos para matar Fabio Ravasio. A defesa contesta a responsabilização atribuída à brasileira e pode recorrer da condenação.
Morte de outro companheiro voltou a ser investigada
O assassinato de Ravasio também provocou a reabertura de outra investigação envolvendo Adilma. Autoridades italianas voltaram a analisar a morte de Michele Della Malva, ex-companheiro da brasileira, ocorrida em dezembro de 2011. Na época, o falecimento foi atribuído a um infarto. Segundo a imprensa italiana, investigadores passaram a considerar a hipótese de envenenamento. Essa suspeita, entretanto, integra uma investigação separada e não representa uma condenação de Adilma por essa morte. Na Itália, o caso ganhou grande repercussão e Adilma passou a ser chamada por parte da imprensa local de “louva-a-deus de Parabiago”, referência ao comportamento de algumas espécies do inseto.