O advogado Rodrigo Marinho Crespo, assassinado a tiros em fevereiro de 2024, no Centro do Rio de Janeiro, atuou em uma disputa judicial envolvendo uma mansão em Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense. O imóvel é reivindicado pelo atacante Richarlison, do Tottenham, da Inglaterra, enquanto os direitos sobre a propriedade passaram a ser vinculados à WT Administração de Imóveis e Bens, empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Crespo tinha 42 anos e foi morto em 26 de fevereiro de 2024, nas proximidades da sede da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ). Na época, reportagens apontaram que ele havia assumido a representação da empresa ligada a Tomaz na disputa pelo imóvel após a saída do advogado Luis Felipe Salomão Filho.
O nome de Crespo aparecia nos registros judiciais relacionados ao caso. Tomaz, no entanto, contestou a informação de que o profissional teria atuado efetivamente na defesa da empresa. Posteriormente, afirmou que Crespo era associado de outro escritório e havia sido incluído no processo por substabelecimento, mas que não teria praticado atos na causa.
Richarlison apresenta documentos sobre a mansão
A disputa voltou a repercutir nesta quarta-feira (21), quando Richarlison publicou um vídeo nas redes sociais apresentando documentos que, segundo ele, comprovam a aquisição do imóvel em 2020. O jogador afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões na propriedade, em sociedade com o empresário Renato Velasco e Alencar da Silveira Júnior, ex-presidente do América-MG.
No vídeo, o atacante questionou a diferença entre os procedimentos de regularização da propriedade e afirmou que seu pedido teria ficado meses sem solução na Secretaria do Patrimônio da União (SPU), enquanto o processo relacionado à empresa de Tomaz avançou.
“Eu, como cidadão brasileiro, queria ter esses privilégios, né? Saber como é que faz para ter esses privilégios de a Justiça resolver mais rápido para um do que para outros”, afirmou.
Richarlison também respondeu a um desafio feito anteriormente por Tomaz, que havia pedido documentos anteriores a julho de 2022 que comprovassem a relação do jogador com o imóvel. O advogado prometeu transferir os direitos sobre a propriedade caso os documentos fossem apresentados e considerados válidos.
“Está aí a prova, seu Willer Tomaz. Você falou que, se eu tivesse a prova que eu comprei a ilha, você ia devolver a ilha, então está aí a prova”, declarou o atleta.
Willer Tomaz contesta versão do jogador
Tomaz sustenta que os registros da propriedade remontam a 1975 e que os direitos foram transferidos regularmente à empresa WT Administração de Imóveis e Bens em 2022. Segundo o advogado, a empresa ligada ao jogador perdeu as disputas judiciais e desistiu do processo em 2025.
A controvérsia envolve a sequência de documentos de posse, os procedimentos de regularização e a validade das aquisições alegadas pelas partes. A divulgação dos documentos por Richarlison representa a versão apresentada pelo jogador, enquanto Tomaz mantém uma interpretação diferente sobre a origem e a titularidade dos direitos sobre o imóvel.
O senador Flávio Bolsonaro, citado por sua relação de amizade com Tomaz, declarou anteriormente que não era parte no processo imobiliário.
Investigação do assassinato segue outra linha
A atuação de Crespo na disputa imobiliária não deve ser confundida com a motivação apontada pelas autoridades para o assassinato. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, a investigação do homicídio identificou suspeitos ligados a interesses no mercado de apostas on-line.
Em março de 2026, três acusados foram condenados pelo Tribunal do Júri a 30 anos de prisão. Em agosto, o Ministério Público denunciou outras quatro pessoas por suposta participação no crime, incluindo um policial militar da ativa.
O advogado foi morto por um homem encapuzado que se aproximou dele na Avenida Marechal Câmara, chamou-o pelo nome e efetuou diversos disparos. As investigações apontaram uma execução planejada, mas não estabeleceram a disputa pela mansão como motivação do homicídio.