Sérgio Amadeu critica autorregulação da IA por big techs

Professor da UFABC alerta para riscos à democracia e saúde pública

A autorregulação voluntária da Inteligência Artificial (IA) proposta pelo governo dos Estados Unidos e big techs como OpenAI e Google representa uma "carta branca" para a indústria, com possíveis riscos para a saúde pública e a democracia. Essa é a avaliação do sociólogo Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC.

O acordo, firmado na Casa Branca, inclui empresas como Meta e Nvidia, que se comprometeram a implementar "controles internos" para evitar o uso indevido dos modelos de IA. No entanto, Amadeu ressalta que esses controles já são parte do processo de desenvolvimento e não contribuem significativamente para regulamentar a tecnologia.

Sociólogo e professor da UFABC Sérgio Amadeu da Silveira - TV PUC/Reprodução

Sérgio Amadeu também critica a proposta de auditoria externa, porque ela seria financiada pelas próprias empresas de tecnologia. "Até que ponto esse auditor externo questionará práticas que desagradem os acionistas?", indaga o professor.

Ele destaca os riscos ambientais e de privacidade associados à IA, além dos perigos para a saúde pública. A parceria entre big techs e a indústria farmacêutica, que utiliza IA para pesquisa, também preocupa Amadeu.

O governo Trump tem resistido em impor limites ao desenvolvimento da IA, apesar da pressão social. Pesquisa Ipsos-Reuters mostra que 73% dos norte-americanos acham que as empresas não fazem o suficiente para evitar danos à sociedade.

Além disso, a IA pode ser usada para manipular a opinião pública e desenvolver armas biológicas, segundo o relatório Internacional IA Safety Report 2026.