Em discurso na Assembleia Geral da ONU em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a importância da soberania dos países da América Latina. Ele criticou tentativas de influência estrangeira em processos políticos na região, afirmando: "O Brasil não cabe no quintal de ninguém".
Lula destacou que a proximidade com grandes potências traz pressões, especialmente em tempos de novas "tentações hegemônicas". O presidente mencionou ainda casos recentes na Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba como exemplos de interferência externa.
Segundo Lula, a América Latina percorreu um caminho difícil para consolidar democracias após períodos de autoritarismo. Ele defendeu maior integração regional e a autodeterminação dos povos, dizendo que diferenças ideológicas não devem ser barreiras para a cooperação.
O presidente também ressaltou preocupações com a democracia, alertando para o retorno de práticas incompatíveis com a ordem internacional. Ele destacou que desinformação e influências externas ameaçam processos eleitorais e apelou para uma resposta conjunta contra o negacionismo e as fake news, especialmente em questões de saúde e meio ambiente.
Na segurança pública, Lula rejeitou a participação de forças estrangeiras no combate ao crime organizado no Brasil, defendendo cooperação internacional específica contra tráfico de armas e lavagem de dinheiro. Ele propôs cooperação com os Estados Unidos para enfrentar crimes financeiros cometidos por brasileiros no exterior.