EUA firmam acordo nuclear com Arábia Saudita e geram controvérsia

Parceria permite enriquecimento de urânio saudita e expõe contradição americana

Os Estados Unidos anunciaram um acordo de cooperação nuclear com a Arábia Saudita, permitindo que o reino enriqueça urânio supostamente para fins pacíficos. A parceria ocorre em meio a tensões com o Irã, com quem os EUA exigem o fim do enriquecimento de urânio. O acordo ainda precisa de aprovação do Congresso estadunidense.

Após críticas veementes de Israel, Donald Trump condicionou a parceria ao apoio saudita aos acordos de Abraão. Essas tratativas exigem o reconhecimento de Israel pelos países árabes, algo que os sauditas recusam sem garantias de um Estado palestino.

Historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Francisco Carlos Teixeira da Silva - Foto: Francisco Teixeira da Silva/ Arquivo Pessoal

O acordo levanta preocupações sobre a prática nuclear saudita. Francisco Carlos Teixeira da Silva, historiador da UFRJ, observa que essa política ameaça a proteção americana a Riad, especialmente perante agressões iranianas. "Isso é um reconhecimento da falência do ‘escudo americano’", avalia.

Especialistas criticam a Arábia Saudita por não aceitar inspeções adicionais da AIEA, enfraquecendo a posição dos EUA em negociações nucleares com Teerã. A Associação de Controle de Armas alerta para a possibilidade de Riad buscar armas nucleares, especialmente após ameaças anteriores.

Príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman - Foto: Saudi News Agency/Reuters/ Proibida a reprodução

O professor Roberto Goulart Menezes da UnB destacou que, apesar da Arábia Saudita ter assinado o Tratado de Não Proliferação Nuclear, a parceria com os EUA gera preocupações sobre possíveis intenções futuras de Riad. Ele relembra que, historicamente, os EUA incentivaram países a renunciar a programas nucleares.

As negociações, iniciadas em 2008, enfrentaram obstáculos durante governos anteriores, mas avançaram durante o segundo mandato de Trump. O anúncio do acordo ocorreu em um contexto de crescente tensão na região, especialmente com o bloqueio de rotas marítimas críticas pelos houthis.

Arte Dijor/EBC