Especialistas em geopolítica e tecnologia alertam para possível interferência dos Estados Unidos nas próximas eleições brasileiras. Há preocupação sobre manipulação através das bigtechs.
A escalada de medidas do governo de Donald Trump, como o tarifaço de 25% e o cancelamento de vistos de autoridades, sugere novas ações cibernéticas contra o Brasil.
Reynaldo Aragon, do Núcleo de Estudos Estratégicos, aponta que memorando recente de Trump autoriza o uso de bigtechs em "vigilância cibernética e efeitos cibernéticos".
Aragon destacou que esse documento permite parcerias com empresas privadas para acessar sistemas de informação sem autorização. "A espionagem e hackeamento atingem perfis privados para favorecer candidatos", afirma.
Operações cibernéticas podem atuar em redes de telecomunicação, sistemas industriais e causar "manipulação ou destruição" de informações.
O professor Euclides Vasconcelos avalia o risco de descredibilização do sistema eleitoral brasileiro por meio dessas técnicas. Ele menciona que as big techs são influentes e facilitam a difusão de desinformações.
O envolvimento dos EUA com as bigtechs tem relação com a doutrina de segurança que busca consolidar a América Latina sob influência estadunidense, segundo Vasconcelos. O Brasil é visto como peça essencial nessa estratégia.