O Brasil classificou como "injustas" as possíveis novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos nacionais, durante uma reunião de alto nível nesta terça-feira (14) com Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA. O encontro ocorre na véspera do prazo final para a decisão do governo Trump sobre a adoção de sobretaxas.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), esta foi a quinta reunião desde que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump concordaram em formar um grupo de trabalho voltado ao diálogo comercial em maio.
O Mdic destacou em nota que as recomendações da USTR carecem de fundamento técnico, criticando a possível sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros e uma tarifa extra de 12,5%, ligada à investigação sobre trabalho forçado.
O governo ressaltou que qualquer nova sobretaxa "mostra-se injusta" e prejudica a formulação de um acordo bilateral adequado.
Além do Mdic, participaram do encontro o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e a Assessoria Especial da Presidência da República. Lula orientou que o diálogo com Washington seja mantido para evitar as tarifas.
As tarifas possíveis surgem de uma investigação da USTR baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que acusa o Brasil de práticas comerciais prejudiciais em áreas como comércio digital e combate ao desmatamento ilegal.
A decisão sobre a investigação e a lista de produtos afetados será anunciada nesta quarta-feira (15), incluindo aeronaves e produtos agropecuários, que juntos representam US$ 15 bilhões em exportações brasileiras.