PF investiga Paulo Guedes por suspeita de crime financeiro

Ex-ministro de Bolsonaro prestou consultoria à OnilX, que prometia rendimentos de até 2,8% ao mês e acumula ações de investidores que relatam dificuldades para recuperar dinheiro aplicado

O ex-ministro da Economia Paulo Guedes, que integrou o governo de Jair Bolsonaro (PL), é investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeita de envolvimento em crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O inquérito também tem como alvo o empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da OnilX, plataforma de investimentos em criptomoedas que enfrenta processos judiciais de clientes que afirmam não conseguir resgatar os valores aplicados.

A investigação foi instaurada em fevereiro de 2026 e tramita sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba, no Paraná. Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles e reproduzidas pelo Brasil 247, os documentos identificam Guedes e Fábio Lino como investigados, mas não detalham publicamente todas as condutas atribuídas a cada um.

A relação entre Paulo Guedes e a OnilX já havia sido revelada em setembro. Segundo as reportagens, o ex-ministro prestou consultoria à empresa, participou de reuniões estratégicas, manteve encontros com potenciais investidores e teve sua imagem associada à divulgação dos negócios da plataforma.

Em materiais institucionais, a empresa publicou uma fotografia de Guedes ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa, apresentando o encontro como uma reunião de relevância estratégica.

A presença do ex-ministro também aparece em processos judiciais movidos por investidores. Em uma das ações, um casal cobra R$ 876,5 mil da empresa e afirma que decidiu manter e ampliar os investimentos após participar de uma reunião com Guedes, realizada na sede da companhia em abril.

Segundo o relato apresentado à Justiça, os investidores tentaram resgatar os recursos quatro meses depois, mas não conseguiram.

Em outro processo, mensagens atribuídas a uma assessora da OnilX mostram que a ligação com o ex-ministro era utilizada para atrair clientes. Conforme os documentos citados na reportagem, a representante mencionava que Guedes fazia parte da empresa e oferecia a possibilidade de reuniões com ele para interessados em aplicações de milhões de reais. 

Plataforma prometia rendimento de até 2,8% ao mês

A OnilX oferecia investimentos relacionados a criptomoedas com promessa de rentabilidade de até 2,8% ao mês. A plataforma passou a enfrentar processos judiciais de clientes que relatam dificuldades para recuperar o dinheiro aplicado.

Levantamento citado pelo Metrópoles identificou 108 ações judiciais contra o grupo entre 12 de junho e 10 de setembro de 2026. Em parte dos processos, investidores levantaram suspeitas de que as operações poderiam funcionar como um esquema de pirâmide financeira.

A empresa nega as acusações e afirma que suas atividades no mercado de ativos virtuais são regulares. 

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também adotou medidas contra ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários realizadas pelo grupo. A restrição foi mantida em abril, com esclarecimento de que a decisão não abrangia a simples intermediação de criptoativos quando não houvesse promessa de rendimento ou caracterização de contrato de investimento. 

Inquérito segue sob sigilo

O procedimento criminal apura possíveis infrações à Lei nº 7.492/1986, que define crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Registros judiciais citados pelas reportagens indicam a realização de diligências e novas movimentações processuais ao longo de outubro.

Como o inquérito tramita sob sigilo, o conteúdo de parte das medidas não foi divulgado publicamente.

Até a publicação das reportagens, não havia informação sobre condenação dos investigados pelos fatos apurados. A investigação busca esclarecer eventuais irregularidades e a responsabilidade de cada pessoa envolvida.

A defesa de Paulo Guedes é representada pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso. Segundo o Metrópoles, os advogados foram procurados, mas não responderam aos contatos até a publicação da reportagem. O espaço para manifestação permanece aberto.