O Parque Nacional de Ubajara registrou, em 2026, o nascimento de 43 filhotes de periquito-cara-suja (Pyrrhura griseipectus), uma das aves mais raras e ameaçadas de extinção do Brasil. O resultado é considerado um marco histórico para a conservação da espécie e simboliza seu retorno à Serra da Ibiapaba, região localizada na divisa entre Ceará e Piauí, após mais de 100 anos sem registros da ave no local.
O avanço é fruto de um projeto de reintrodução desenvolvido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, por meio do parque e do Centro Nacional de Conservação de Aves (Cemave), em parceria com a ONG Aquasis.
A iniciativa integra as ações do Plano de Ação Nacional para a Conservação das Aves da Caatinga (PAN Aves da Caatinga), estratégia nacional voltada à proteção de espécies ameaçadas e de seus habitats no bioma Caatinga.
O projeto utiliza técnicas modernas de manejo e conservação, incluindo translocação de aves de vida livre, ambientação em recintos controlados, soltura monitorada e instalação de caixas-ninho para estimular a reprodução. Segundo os técnicos envolvidos, o nascimento dos filhotes demonstra que a espécie conseguiu se adaptar ao ambiente e já apresenta sinais concretos de formação de uma população reprodutiva na região.
Além do número expressivo de filhotes, o registro representa a retomada de um processo ecológico interrompido há décadas. A ausência do periquito-cara-suja na Serra da Ibiapaba esteve ligada principalmente à destruição de habitats e à captura ilegal de aves silvestres, ameaças que ainda preocupam especialistas.
A espécie depende diretamente de áreas florestais preservadas para sobreviver. Nesse cenário, o Parque Nacional de Ubajara desempenha papel fundamental na proteção da biodiversidade e na recuperação de animais ameaçados de extinção.
De acordo com o chefe da unidade, Diego Rodrigues, o resultado reforça a importância das políticas públicas ambientais e das parcerias entre órgãos de conservação, pesquisadores e instituições especializadas.
Apesar do avanço histórico, especialistas alertam que a espécie ainda necessita de acompanhamento contínuo. A manutenção das ações de monitoramento, reforço populacional, proteção ambiental e conscientização da população será essencial para garantir a permanência definitiva do periquito-cara-suja na Serra da Ibiapaba nos próximos anos.