Morre aos 79 anos a delegada Vilma Alves, referência na defesa das mulheres no Piauí

Primeira delegada negra do Piauí e pioneira na Polícia Civil, Vilma Alves morreu na manhã deste sábado (22), em Teresina, após sofrer um infarto

A delegada aposentada Vilma Alves, uma das principais referências da Polícia Civil do Piauí no combate à violência contra a mulher, morreu na manhã deste sábado (22), aos 79 anos, em Teresina. A informação foi confirmada por familiares.

Vilma estava internada desde a última terça-feira (18), quando sofreu um infarto. Durante os dias de internação, familiares, amigos, colegas de profissão e admiradores compartilharam mensagens nas redes sociais e pediram orações pela recuperação da delegada. O quadro de saúde era considerado grave.

A morte ocorre cinco dias após a internação. Vilma deixa uma trajetória marcada pelo pioneirismo na segurança pública do Piauí e pela defesa dos direitos das mulheres.

Primeira mulher e primeira delegada negra do Piauí

Vilma Alves entrou para a história da Polícia Civil do Piauí como a primeira mulher a ingressar na instituição e a primeira delegada negra do estado.

Ao longo de 36 anos de atuação como delegada, construiu uma carreira de quase cinco décadas dedicada à segurança pública. Também foi a primeira mulher a ocupar o cargo de corregedora-geral da Polícia Civil do Piauí.

Sua trajetória ficou especialmente marcada pelo trabalho de enfrentamento à violência contra a mulher. Vilma atuou na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), em Teresina, onde ganhou reconhecimento pela defesa das vítimas de violência doméstica e pela atuação contra agressores.

A delegada se tornou uma referência para gerações de profissionais da segurança pública e para mulheres que buscavam atendimento e proteção diante de situações de violência.

Uma trajetória de pioneirismo

Além de abrir espaço para a presença feminina na Polícia Civil do Piauí, Vilma Alves também enfrentou os desafios de ser uma mulher negra em uma área historicamente ocupada majoritariamente por homens.

Sua atuação contribuiu para fortalecer o atendimento especializado às mulheres vítimas de violência e marcou a história da segurança pública piauiense.

Vilma deixou a Polícia Civil em dezembro de 2021, após décadas de serviço público. Mesmo aposentada, continuou sendo lembrada pelo trabalho desenvolvido em defesa das mulheres e pelo pioneirismo de sua trajetória.

A morte da delegada encerra uma trajetória de décadas dedicada à segurança pública e ao enfrentamento da violência contra a mulher no Piauí.