Justiça bloqueia R$ 54 bilhões de acionistas das Lojas Americanas

Segunda fase da Operação Disclosure investiga um amplo esquema de fraudes contábeis envolvendo as Lojas Americanas

A Justiça Federal determinou o bloqueio e o sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 54 bilhões no âmbito da segunda fase da Operação Disclosure, que investiga um amplo esquema de fraudes contábeis envolvendo as Lojas Americanas. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (25), durante ação conduzida pela Polícia Federal. 

A medida foi expedida pela 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro e tem como objetivo garantir a reparação dos prejuízos identificados nas apurações sobre as supostas irregularidades financeiras na companhia. A investigação é considerada uma das maiores já realizadas no país envolvendo crimes financeiros de grande escala.

PF cumpre mandados no Rio e em São Paulo

Além do bloqueio bilionário, a Polícia Federal cumpre nove mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais, em endereços localizados nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Entre os alvos da operação estão o empresário Carlos Alberto Sicupira e Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann.

As diligências fazem parte da segunda fase da Operação Disclosure, iniciada em junho de 2024, após a análise de documentos, dispositivos eletrônicos e dados financeiros obtidos na etapa inicial da investigação.

Investigação avança sobre acionistas e bancos

As apurações buscam esclarecer a atuação de acionistas de referência da companhia, além de representantes e funcionários de grandes instituições financeiras privadas, ex-executivos e antigos funcionários das Lojas Americanas.

Segundo os investigadores, as supostas irregularidades teriam sido praticadas ao longo de vários anos com o objetivo de ocultar a real situação econômico-financeira da empresa.

Risco sacado e VPC estão no centro do caso

O foco da investigação está em operações de risco sacado, que teriam sido registradas de forma inadequada, além das chamadas verbas de propaganda cooperada (VPC), que, segundo a Polícia Federal, teriam sido contabilizadas sem lastro econômico efetivo.

Esses mecanismos são apontados como centrais no suposto esquema que teria distorcido as demonstrações financeiras da companhia.

Possíveis crimes sob investigação

Os investigados poderão responder, em tese, pelos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa. A Polícia Federal afirma que as medidas desta fase têm como objetivo aprofundar a coleta de provas, individualizar responsabilidades e preservar a possibilidade de ressarcimento dos prejuízos eventualmente causados.