O ator Juliano Cazarré, de 45 anos, conhecido por novelas da Globo como “Três Graças”, anunciou nesta semana o lançamento de um evento presencial voltado exclusivamente para o público masculino, intitulado “O Farol e a Forja”. Descrito pelo próprio artista como “o maior encontro de homens do Brasil”, o evento teve uma forte reação da classe artística. Ainda em fase de pré-venda, o encontro já divide opiniões e promete continuar gerando debate nos próximos meses.
Conservador e católico, Cazarré afirmou em suas redes sociais que o projeto nasceu de uma “recusa em ficar calado” diante do que ele classifica como o enfraquecimento da figura masculina na sociedade. “O mundo precisa de homens que assumam seu papel”, diz o lema do evento. Nos textos promocionais, o ator se refere a si mesmo na terceira pessoa e afirma que “sabia que ia apanhar. E criou o evento mesmo assim”. A imersão acontece nos dias 24, 25 e 26 de julho, na Uni Italo, em São Paulo, e promete abordar temas como liderança, empreendedorismo, paternidade, saúde masculina e vida espiritual cristã.
Nos comentários da publicação de Cazarré no Instagram, a atriz Marjorie Estiano deixou a seguinte mensagem: “Juliano… você não criou… você só está reproduzindo um discurso que já é ampla e profundamente difundido, enraizado e que mata mulheres todos os dias. Por favor, dá uma olhada para isso”.
Claudia Abreu também se manifestou, em tom breve e ácido: “Num país com recorde de feminicídios…”, escreveu. A frase faz referência direta aos dados mais recentes sobre violência contra a mulher no Brasil. Segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou, em 2025, o maior número de feminicídios da última década: 1.568 mulheres foram assassinadas em razão de sua condição de gênero, um aumento de 4,7% em relação a 2024. Desde a tipificação do crime, em 2015, ao menos 13.703 mulheres foram mortas no país sob essa classificação.
A poeta e atriz Elisa Lucinda classificou a iniciativa de Cazarré como um “grande e preocupante delírio”. “Desculpa, meu colega Cazarré, mas não me parece razoável tamanho atraso no seu pensar. Você está indo na contramão dos avanços do mundo”, escreveu. O ator Paulo Betti, por sua vez, ironizou o tom messiânico da divulgação: “É tanto convencimento que ele se refere a si na terceira pessoa como se fosse uma entidade”.