Ex-número 2 de Ciro Nogueira recebeu R$ 1,3 milhão da Refit, diz PF

Polícia Federal citou ex-braço direito de Ciro Nogueira em operação contra a Refit

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (15) a Operação Sem Refino, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial envolvendo a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos e apontada como um dos maiores grupos devedores de impostos do país. Entre os citados na investigação estão o ex-secretário-executivo da Casa Civil e aliado do senador Ciro Nogueira, (PP) Jonathas Assunção Salvador Nery Castro.

A Polícia Federal apontou movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo Jonathas Assunção Salvador Nery Castro, que ocupou o cargo de secretário-executivo da Casa Civil durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O nome dele aparece na decisão do ministro Alexandre de Moraes que autorizou a Operação Sem Refino.

Segundo a investigação, a empresa Sary Consultoria e Participações LTDA, da qual Jonathas é sócio único, recebeu aproximadamente R$ 1,3 milhão em março de 2025 de empresas ligadas ao Grupo Refit, controlado pelo empresário Ricardo Magro.

Entre os valores identificados pela PF estão R$ 765,6 mil transferidos diretamente pela Refit, além de repasses feitos pelas empresas Roar Inovação, Fera Lubrificantes e Flagler, apontadas como integrantes do mesmo grupo empresarial.

De acordo com a decisão judicial, os investigadores identificaram que os recursos recebidos pela empresa eram rapidamente transferidos para a conta pessoal de Jonathas, o que levantou suspeitas de que a consultoria funcionaria como uma “empresa de passagem”, sem estrutura operacional relevante ou despesas compatíveis com a movimentação financeira registrada.

A investigação aponta que a organização teria causado prejuízo superior a R$ 52 bilhões aos cofres públicos, principalmente por meio de ICMS não recolhido nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo.

O STF também decretou a prisão preventiva de Ricardo Magro e determinou a inclusão do nome do empresário na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo internacional voltado à localização e captura de foragidos.

Além de mandados de busca e apreensão na sede da refinaria, em Duque de Caxias, a operação também atingiu endereços ligados ao ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro.

Segundo a PF, o grupo investigado utilizaria empresas de fachada, offshores em paraísos fiscais, holdings e fundos de investimento para ocultar recursos no exterior e reinseri-los no Brasil sob aparência de legalidade. A investigação também cita suposta atuação junto a órgãos públicos e setores do Judiciário para obtenção de vantagens fiscais e decisões favoráveis.

Ricardo Magro mora em Miami, nos Estados Unidos, desde 2016. Advogado e empresário, ele controla a antiga Refinaria de Manguinhos, atualmente chamada Refit, e afirma ser alvo de perseguição institucional no setor de combustíveis.