Dia do Piauí: histórias de quem veio de longe e encontrou aqui um lar

Jadna Bezerra e Nayara Cardoso contam como o acolhimento, as oportunidades e a qualidade de vida transformaram a experiência de morar longe das origens em uma nova história no estado

Deixar para trás a família, os amigos e tudo aquilo que faz parte da própria história não é uma decisão simples. Para quem muda de estado, a chegada a um lugar desconhecido também significa aprender novos costumes, construir vínculos e descobrir onde é possível chamar de lar. No Piauí, duas mulheres que vieram de diferentes regiões do Brasil encontraram motivos para criar raízes e construir novas histórias.

Neste 19 de outubro, Dia do Piauí, as experiências de Jadna Bezerra, que veio de Mossoró, no Rio Grande do Norte, e de Nayara Cardoso de Medeiros, natural de Parintins, no Amazonas, revelam diferentes formas de criar laços com o estado. Embora tenham chegado por motivos distintos, as duas compartilham uma percepção: o acolhimento dos piauienses foi fundamental para que Teresina deixasse de ser apenas um novo endereço e se tornasse parte de suas vidas.

Jadna chegou a Teresina em fevereiro de 2025, acompanhando o marido, que recebeu uma oportunidade de crescimento profissional. Na época, a família avaliou a possibilidade de morar em São Luís, no Maranhão, ou na capital piauiense. A escolha levou em consideração não apenas o trabalho, mas também o bem-estar familiar e o futuro do filho.

“Teresina nos oferecia qualidade de vida, segurança e boas escolas para nosso filho. Foi uma decisão pensada não apenas pelo lado profissional, mas principalmente pelo bem-estar e pelo futuro da nossa família”, conta.

A primeira impressão foi positiva. Para Jadna, Teresina transmitiu a sensação de ser uma capital onde seria possível construir uma história, criar raízes e encontrar boas oportunidades para a família. Entre as surpresas da chegada, ela destaca a receptividade dos moradores e o orgulho que os piauienses demonstram pela própria cultura e pelas origens.

A adaptação, no entanto, também trouxe saudade. Ficar longe da família, dos amigos e da rotina que havia construído no Rio Grande do Norte foi a principal dificuldade enfrentada por ela.

Apesar da distância, Jadna encontrou no jeito de ser dos piauienses uma característica com a qual se identifica: a simplicidade.

“São pessoas que valorizam suas origens, acolhem quem chega e demonstram muito orgulho da sua terra”, afirma.

Jadna e sua família / Foto: Arquivo pessoalHoje, o Piauí ocupa um lugar especial em sua trajetória pessoal e profissional. Foi no estado que a família encontrou oportunidades de crescimento e passou a construir uma nova etapa da vida.

“O Piauí tem um significado muito especial porque se tornou parte da nossa história familiar e profissional. Foi aqui que encontramos oportunidades de crescimento”, destaca.

Ao avaliar o estado, Jadna reconhece o potencial de desenvolvimento, mas também aponta áreas que precisam avançar. Para ela, saúde, educação, infraestrutura e cultura merecem atenção para que o Piauí amplie as oportunidades oferecidas à população.

Mesmo com a nova vida em Teresina, ela ressalta que não deixou para trás a identidade construída em seu estado de origem.

“O Rio Grande do Norte sempre fará parte de quem eu sou, das minhas raízes e das minhas lembranças. Mas o Piauí também conquistou um espaço muito especial na minha vida”, diz.

Se tivesse que resumir sua experiência em uma palavra, Jadna escolheria “acolhimento”. É assim que define o que encontrou desde a chegada: pessoas que a receberam bem, oportunidades que contribuíram para o crescimento da família e um lugar onde foi possível construir um lar, mesmo tendo vindo de outro estado.

De uma prova de concurso a um lar no Piauí

A história de Nayara Cardoso de Medeiros, de 38 anos, começou de maneira diferente. Professora do curso de Engenharia de Produção da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em Teresina, ela saiu de Parintins, no Amazonas, para fazer uma prova de concurso público. A cidade de origem é conhecida pelo tradicional Festival Folclórico dos bois-bumbás Garantido e Caprichoso.

O que inicialmente era uma viagem para participar de uma seleção profissional acabou se transformando em uma permanência de nove anos na capital piauiense.

Quando chegou, Nayara não conhecia ninguém. Ainda assim, a primeira impressão foi de acolhimento. Uma lembrança, em particular, permaneceu com ela: um letreiro em um shopping que dizia “seja feliz aqui”.

“Fiquei alguns minutos sentindo que seria exatamente isso que aconteceria comigo aqui”, recorda.

Nayara Cardoso / Foto: Arquivo PessoalA frase ganhou significado à medida que ela conheceu a cidade e estabeleceu os primeiros vínculos. Para Nayara, a receptividade não ficou restrita a uma impressão inicial. Ela se recorda de uma situação vivida logo nos primeiros dias em Teresina, quando comentou com uma vendedora de uma loja de shopping que havia acabado de chegar à cidade.

As duas fizeram amizade e, dias depois, a funcionária a surpreendeu com um convite para um jantar de Natal.

“Lembro que isso me marcou bastante”, conta.

Histórias como essa ajudaram a formar a imagem que Nayara guarda dos piauienses: pessoas com um jeito leve de viver, que demonstram alegria e acolhem quem chega.

Além da receptividade, outra descoberta despertou sua admiração pelo estado: a educação.

“Descobrir que o Piauí é referência em educação. Isso me encantou”, afirma.

Nayara e família / Arquivo pessoal

A experiência de morar em Teresina também fez com que ela valorizasse aspectos da rotina que considera especiais. A calma, a sensação de segurança e a possibilidade de se deslocar sem passar horas no trânsito estão entre os motivos pelos quais gosta de viver na capital.

“Me sinto segura, não passo horas no trânsito e em algumas horinhas posso estar na praia ou conhecendo algum lugar com muita história pra contar. O Piauí é muito rico”, avalia.

Nem tudo, porém, foi simples na adaptação. Mesmo depois de nove anos, Nayara diz que ainda enfrenta dificuldades para encontrar determinados serviços. Segundo ela, embora existam, muitas vezes é necessário recorrer a pessoas que já conhecem a cidade para descobrir onde estão disponíveis.

Com bom humor, ela admite que essa dificuldade continua presente mesmo depois de tanto tempo morando em Teresina.

Um estado com muito a mostrar

Ao falar sobre o que precisa melhorar, Nayara destaca o turismo e o transporte público. Na avaliação dela, o Piauí tem atrativos e histórias que poderiam ser mais valorizados, mas ainda não aproveita todo o potencial turístico.

“Acredito que precisamos investir um pouco mais em turismo. O Piauí tem muito a mostrar e não usa essa força”, afirma.

Ela também considera que o transporte público precisa receber atenção especial.

A percepção dialoga com a avaliação de Jadna, que aponta saúde, educação, infraestrutura e cultura como áreas que precisam de investimentos e avanços. As duas reconhecem as qualidades do estado sem deixar de observar os desafios que ainda precisam ser enfrentados.

Para Nayara, entretanto, a relação com o Piauí já ultrapassou a experiência de morar em uma cidade por causa do trabalho. Foi em Teresina que ela construiu a própria família. O marido e o filho são piauienses, e a vida que formou no estado se tornou parte fundamental de sua história.

Questionada se considera o Piauí sua casa, ela vai além da resposta esperada.

“O Piauí hoje é muito mais que minha casa, é meu lar. Aqui construí minha família. Sou muito feliz com meu trabalho, meu marido e meu filho são piauienses e sempre que me perguntam se quero ir embora eu tenho a resposta pronta: NÃO!”, declara.

A identificação é tanta que Nayara aproveita para fazer um pedido bem-humorado: “Já podem providenciar um título de cidadã piauiense pra mim, viu? Vou amar!”.

Pertencer também é construir uma história

As trajetórias de Jadna e Nayara mostram que a relação com um lugar não depende apenas do local de nascimento. Ela também é construída nas oportunidades encontradas, nas amizades que surgem, na convivência cotidiana e nos vínculos que transformam uma cidade desconhecida em parte da própria identidade.

O Rio Grande do Norte continuará sendo a terra das raízes e das lembranças de Jadna. Parintins seguirá fazendo parte da história de Nayara. Mas o Piauí conquistou um espaço próprio na vida das duas, oferecendo experiências que vão além dos motivos que as trouxeram para cá.

Neste Dia do Piauí, suas histórias ajudam a lembrar que a identidade de um estado também é formada por quem chega de outras terras e escolhe permanecer. São pessoas que passam a compartilhar a rotina, construir famílias, trabalhar, fazer amizades e participar do desenvolvimento local.

Para Jadna, o sentimento que resume essa experiência é o acolhimento. Para Nayara, o Piauí já é lar. Duas histórias diferentes que se encontram em uma mesma ideia: pertencer a um lugar também é encontrar espaço para construir o futuro sem precisar apagar as próprias origens.