As aulas na creche municipal da Vila João Reis, em Timon (MA), serão retomadas na próxima segunda-feira, 1º de junho. As atividades pedagógicas foram suspensas após a prisão preventiva do diretor-adjunto da unidade, Alberto Luiz, de 49 anos, suspeito de estuprar alunos de apenas dois e três anos de idade.
A secretária municipal de Educação, Isadora Rodrigues, explicou durante uma entrevista, que a suspensão temporária foi necessária diante do clima de forte revolta e comoção entre as famílias, os funcionários e os moradores do bairro. Toda a equipe gestora titular foi afastada e servidores da sede da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e do Departamento de Ensino assumiram a rotina do local administrativa e pedagogicamente.
“Nós afastamos a direção titular também para que seja feita essa intervenção. Os funcionários da nossa sede, da Semed, do Departamento de Ensino, assumiram a escola para dar todo o apoio tanto para as famílias das outras crianças quanto para os funcionários que estavam lá no momento da prisão dele. Durante a próxima semana, vamos tomar as providências ou fazer a nomeação de outro diretor. Vamos ver até que ponto a Polícia Civil vai levar o inquérito para tomarmos as decisões necessárias”, declarou.
Durante a próxima semana, a pasta deve definir se fará a nomeação de uma nova diretoria definitiva ou se estenderá o comitê de intervenção, dependendo do avanço do inquérito conduzido pela Polícia Civil do Maranhão. Psicólogas também foram escaladas para dar plantão e acompanhar os pais e os estudantes.
Os detalhes do caso revelam a crueldade da dinâmica dos crimes. De acordo com a delegada da Mulher de Timon, Lorena Alves, Alberto Luiz utilizava o cargo de chefia para afastar deliberadamente as funcionárias que cuidavam dos alunos antes de escolher quais crianças seriam isoladas para os abusos.
A polícia confirmou que o número de vítimas está crescendo: além das três crianças identificadas inicialmente, a delegacia recebeu mais quatro denúncias formais de mães da comunidade. Os investigadores agora apuram se o suspeito também produzia e comercializava materiais de pornografia infantil na internet utilizando as dependências do depósito da própria creche.
Diante do impacto do crime na cidade, a Polícia Civil do Maranhão emitiu uma nota oficial informando que está finalizando os estudos técnicos para implantar uma sede da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) em Timon.
Atualmente, os crimes dessa natureza no município são centralizados pela 18ª Delegacia Regional com o suporte da Delegacia Especial da Mulher (DEM). O governo estadual destacou que a abertura da nova unidade especializada será viabilizada por meio do aumento do efetivo policial que ingressará na corporação através do próximo concurso público.
Confira nota na íntegra abaixo:
A Polícia Civil do Maranhão (PC-MA) informa que está concluindo análises técnicas para a implantação de uma unidade da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) no município de Timon. A medida será viabilizada com a realização de concurso público destinado ao aumento do efetivo de policiais civis no estado, conforme anunciado pelo Governo do Maranhão.
Os crimes praticados contra crianças e adolescentes são atualmente investigados pela 18ª Delegacia Regional de Timon, com apoio da Delegacia Especial da Mulher (DEM) e das demais unidades policiais do município, sem que haja prejuízo às investigações, bem como às ações de identificação e prisão de suspeitos.
A instituição reforça seu compromisso com a proteção integral de crianças e adolescentes, bem como com o fortalecimento contínuo da segurança pública e da rede de atendimento especializado no Maranhão.