Nova regra da CBV impede Tifanny de jogar na Superliga

Osasco declara surpresa com decisão que veta atletas trans no vôlei feminino

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) anunciou uma nova regra de elegibilidade que impede a participação de atletas trans nas competições femininas, permitindo apenas atletas do sexo biológico feminino. Tifanny Abreu, primeira atleta trans a competir na Superliga, pode ficar de fora dos próximos torneios. A medida surpreendeu o Osasco São Cristóvão Saúde, clube que Tifanny representa desde 2021.

Em nota, o Osasco declarou ter sido "surpreendido" pela decisão da CBV, tomada "sem qualquer participação ou opinião prévia do clube". A situação foi encaminhada ao departamento jurídico para avaliar a normativa e decidir os próximos passos. O clube reiterou seu "integral apoio a Tifanny".

A Federação Paulista de Volleyball (FPV) informou que o Campeonato Paulista, já em andamento, não será afetado pelas novas regras imediatamente. Medidas serão consideradas para futuras competições após análise das áreas jurídica e de saúde.

Atualmente, Tifanny segue liberada para atuar no Campeonato Paulista. O Osasco estreia neste sábado (15) contra o Pinheiros, às 21h30, no Ginásio José Liberatti.

A CBV justificou a mudança para alinhar suas regras às do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). As normas anteriores permitiam mulheres trans competir desde que seus níveis de testosterona estivessem abaixo de um certo limite. A nova política será válida para as próximas edições da Superliga, Supercopa, Copa Brasil e o Circuito Brasileiro de vôlei de praia a partir de 2027.

Em fevereiro, a atleta recebeu uma liminar da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), permitindo sua participação na Copa Brasil em Londrina (PR), após um requerimento da CBV.