Piauiense é a primeira brasileira premiada por excelência acadêmica em universidade alemã

Maria Letícia Sousa Borges foi reconhecida pela Universidade de Münster, na Alemanha, pelo desempenho acadêmico e pela atuação na aproximação entre instituições de ensino brasileiras e alemãs

Entre Teresina e Münster, na Alemanha, há milhares de quilômetros de distância. Mas foi nesse caminho que a piauiense Maria Letícia Sousa Borges construiu uma trajetória que ultrapassou fronteiras e levou seu nome a um dos reconhecimentos acadêmicos mais importantes do mundo destinados a estudantes internacionais no país europeu. Ela recebeu o DAAD-Preis 2026, concedido pela Universidade de Münster, em reconhecimento ao desempenho acadêmico e à contribuição para o intercâmbio cultural e científico entre Brasil e Alemanha.

A conquista tem um possível caráter inédito. Ao pesquisar os registros de antigos vencedores disponibilizados pela universidade, Maria Letícia não encontrou nenhum outro brasileiro ou sul-americano entre os estudantes anteriormente contemplados. Assim, segundo o levantamento realizado por ela, pode ser a primeira representante do Brasil e da América do Sul a receber a distinção na instituição alemã.

"O DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico) é uma das instituições de maior prestígio na Alemanha no incentivo aos estudos superiores e à pesquisa estrangeira no país. Pelo que pesquisei no site deles sobre os antigos premiados pela Universidade de Münster (Universität Münster), não encontrei nenhum outro brasileiro — ou sequer sul-americano — que tenha recebido essa honraria por lá."

Premiação valoriza excelência nos estudos e intercâmbio entre culturas

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Concedido pelo Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD), o prêmio reconhece, anualmente, estudantes internacionais que se destacam tanto pelo desempenho nos estudos quanto pelo envolvimento social e intercultural. A premiação é de mil euros (equivalente a aproximadamente R$ 6 mil) e, em cada universidade, contempla um estudante. Na Universidade de Münster, Maria Letícia concluiu, em setembro deste ano, o mestrado em Direito Comparado e Global, após dois semestres de formação.

Mas o reconhecimento não veio apenas pelas notas expressivas. Sua dissertação investigou um tema que conecta diretamente as experiências jurídicas da Alemanha e do Brasil: a chamada democracia militante (militant democracy), conceito originado na doutrina alemã e que passou a integrar discussões sobre a proteção das instituições democráticas brasileiras.

O trabalho analisou como essa ideia chegou ao Brasil e passou a ser aplicada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em um contexto de crises institucionais e democráticas. A pesquisa exigiu uma leitura comparada dos dois sistemas jurídicos e recebeu uma avaliação excepcional.

Além da produção acadêmica, Maria Letícia também ajudou a construir pontes entre as duas universidades onde estudou. Ela teve participação decisiva na aproximação institucional entre a Universidade de Münster e a Universidade de Brasília (UnB), contribuindo para a formalização de uma parceria entre as instituições.

Ao anunciar a premiação, a reitora da Universidade de Münster, professora Susanne Menzel-Riedl, definiu Maria Letícia como uma construtora de pontes, destacando sua capacidade de criar oportunidades para outras pessoas e estabelecer uma ligação duradoura entre os ambientes acadêmicos da Alemanha e do Brasil.

 Piauiense Maria Letícia Sousa Borges recebeu o DAAD-Preis 2026 | Foto: Arquivo Pessoal

Do Piauí para o Mundo

Antes de chegar à Alemanha, a história de Maria Letícia foi construída em Teresina. Ela estudou durante toda a vida no Instituto Dom Barreto e deixou o Piauí aos 18 anos para cursar Direito na Universidade de Brasília. A mudança de estado abriu novos caminhos acadêmicos, mas não afastou a relação com suas origens.

“Eu sempre levei o Piauí comigo por onde quer que eu fosse. Nós, piauienses, sabemos bem a importância de buscar a excelência em tudo a que nos dedicamos, de dar o nosso máximo em cada projeto.”

Para ela, a premiação representa justamente o reconhecimento de um esforço que começou muito antes da experiência internacional. É também uma conquista que carrega o significado de representar o estado em espaços acadêmicos fora do país.

“Essa conquista representa a validação desse esforço e reafirma que levo o Piauí comigo com muito orgulho, seja em Brasília, na Alemanha ou em qualquer lugar do mundo”, destacou.

De volta ao Brasil, Maria Letícia segue investindo na formação acadêmica. Atualmente, dá continuidade aos estudos e às pesquisas em Direito Constitucional na Universidade de São Paulo (USP), onde também pretende aprofundar as investigações sobre as instituições e a democracia.

A experiência em Münster, no entanto, deixou marcas que vão além do diploma e da premiação. A piauiense voltou com novas perspectivas, o reconhecimento de uma universidade alemã e a certeza de que a trajetória construída até aqui pode abrir caminhos para outras pessoas.

“Voltei para o meu país mais orgulhosa do que nunca de ser brasileira e piauiense, com a certeza de que quero continuar explorando o mundo, mas sempre levando o Piauí no coração e na minha trajetória.”