O superávit orçamentário de R$ 1,7 bilhão registrado pelo Piauí entre janeiro e agosto de 2026 não significa, necessariamente, que esse valor ficará disponível nos cofres estaduais. A diferença entre esse resultado e o resultado primário foi explicada pelo secretário da Fazenda, Emílio Júnior, durante entrevista ao podcast Bate-Papo com Notícia, do Portal Piauí Hoje.
Na conversa, o secretário destacou que as contas públicas são acompanhadas por diferentes indicadores, entre eles o resultado orçamentário e o resultado primário. Embora estejam relacionados à situação fiscal do Estado, eles possuem metodologias diferentes e não devem ser interpretados como se fossem um único saldo.
O resultado orçamentário considera a diferença entre as receitas e as despesas do Estado. Já o resultado primário compara as receitas e despesas primárias, sem considerar os juros da dívida pública. Por isso, os dois indicadores podem apresentar números diferentes no mesmo período.
Segundo o balanço do segundo quadrimestre apresentado à Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi), as receitas estaduais somaram R$ 22,19 bilhões entre janeiro e agosto, enquanto as despesas liquidadas chegaram a R$ 20,46 bilhões. A diferença resultou em um superávit orçamentário de R$ 1,74 bilhão.
Emílio explicou que o resultado positivo registrado até agosto não representa uma garantia de que o Estado encerrará o ano com o mesmo desempenho. Na entrevista, ele também mencionou que o resultado primário acumulado no período estava positivo em aproximadamente R$ 169 milhões, mas que a meta anual considerada pelo governo previa um déficit de R$ 535 milhões.
Investimentos e operações de crédito
Ao explicar a diferença entre os indicadores, o secretário relacionou o resultado primário à forma como o Estado financia parte dos investimentos. Segundo Emílio, muitas obras são realizadas com recursos de operações de crédito, ou seja, empréstimos contratados pelo governo para financiar investimentos públicos.
Na entrevista, ele explicou que essas operações precisam ser consideradas na análise das contas estaduais. O secretário argumentou que o resultado primário pode apresentar um comportamento diferente do resultado orçamentário porque as receitas e despesas consideradas nesse cálculo seguem critérios próprios.
O secretário ainda destacou que as operações de crédito passam por limites e avaliações da Secretaria do Tesouro Nacional. Segundo ele, o Estado precisa demonstrar capacidade de pagamento para obter autorização e contratar financiamentos.
Receitas cresceram em 2026
O relatório apresentado à Alepi mostrou que as receitas orçamentárias do Piauí cresceram 34,07% em comparação com o mesmo período de 2025. No ano passado, entre janeiro e agosto, o Estado havia arrecadado R$ 16,55 bilhões. Em 2026, o valor chegou a R$ 22,19 bilhões.
As despesas liquidadas também aumentaram, com crescimento de 25,06%, passando de R$ 16,36 bilhões para R$ 20,46 bilhões. Mesmo com a elevação dos gastos, o resultado orçamentário positivo passou de R$ 197,53 milhões, em 2025, para R$ 1,74 bilhão neste ano.
O resultado primário também apresentou mudança em relação ao ano anterior. No segundo quadrimestre de 2025, o indicador registrava déficit de R$ 402,86 milhões. No mesmo período de 2026, passou a apresentar superávit de R$ 169,91 milhões, considerando o cálculo sem o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS).