Produtos do Piauí escapam do tarifaço de Trump; governador comemora

Lista de exceções inclui cera de carnauba, mel orgânico e castanha de caju, principais itens da pauta de exportação piauiense para os EUA

O governador do Piauí, Rafael Fonteles, anunciou nesta quinta-feira (16) que os principais produtos da pauta de exportação do estado para os Estados Unidos ficarão de fora do novo tarifaço de 25% imposto pelo governo Donald Trump. A medida, oficializada na quarta-feira (15), entra em vigor no próximo dia 22 de julho.

Em agenda no extremo Sul do Piauí, o governador usou suas redes sociais para classificar a informação como uma "boa notícia" para os piauienses, embora tenha lamentado a decisão unilateral do governo americano contra a economia brasileira.

"Gente, eu tô aqui no extremo sul do estado do Piauí, mas passando pra dar uma notícia importante. Os principais produtos da pauta de exportação do Piauí para os Estados Unidos estão na lista de exceções do tarifaço que foi aplicado pelo governo norte-americano", afirmou Fonteles.

Produtos preservados

Segundo o governador, estão na lista de exceções a cera de carnaúba, o mel orgânico, a fécula de mandioca, minério de ferro a castanha de caju. 

"Então, não teremos o tarifaço em cima desses produtos que estão na pauta de exportação do Piauí para os Estados Unidos. Isso foi fruto de um apelo nosso e do trabalho de negociação dos ministros do governo do presidente Lula em relação a esse tarifaço", destacou.

Posicionamento político

Fonteles solidarizou-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e lamentou a medida do governo Trump. "Obviamente que é lamentável como se manifestou o presidente Lula, essa decisão inexplicável, a nosso ver, que o governo norte-americano tomou em relação ao Brasil", declarou.

O governador elogiou a postura do governo federal na condução das negociações. Em debate recente, ele afirmou que a gestão petista tenta manter o diálogo "sem ser subserviente" e que a estratégia já gerou efeitos no curto prazo, com recuos dos EUA em centenas de itens.

O tarifaço de Trump

A tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros foi anunciada após investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O governo americano acusa o Brasil de práticas comerciais desleais, incluindo suposto favorecimento ao sistema de pagamentos Pix e políticas de comércio digital consideradas prejudiciais a empresas americanas. 

O governo brasileiro repudiou o tarifaço e classificou as acusações como "inverídicas", "inaceitáveis" e sem "lastro na realidade". O Planalto afirmou que a retaliação possui forte motivação política e culpou a oposição, especificamente a família Bolsonaro, de ter atuado nos Estados Unidos para prejudicar o Brasil.

Apesar da sobretaxa, uma extensa lista de exceções preserva diversos produtos brasileiros. Além dos itens mencionados por Fonteles, estão livres da tarifa adicional carne bovina, café, petróleo bruto, celulose, aeronaves, medicamentos, semicondutores, frutas tropicais e diversos minérios .

Impacto para o Piauí

O minério de ferro tem ganhado destaque na economia piauiense. A produção no estado cresceu mais de 4.000% entre 2023 e 2024, posicionando o Piauí como o 6º maior exportador do mineral no Brasil. A Lion Mining, principal operadora no estado, produz 1,5 milhão de toneladas por ano e já embarcou 28 navios com destino principal à China e rotas secundárias para Estados Unidos, México e Noruega.

O governador Rafael Fonteles tem acompanhado de perto o setor. Em abril, visitou a operação da Lion Mining e anunciou a próxima etapa: implantação de unidade de beneficiamento do minério em Piripiri, o que elevaria o valor agregado antes do embarque.

O governador também manifestou preocupação com os efeitos do tarifaço sobre outros estados nordestinos. Como presidente do Consórcio Nordeste, ele afirmou que haverá reunião com o presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin para discutir o tema.