O Ministério da Fazenda ajustou a projeção de inflação para este ano de 3,7% para 4,5%, atingindo o limite superior da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Essa mudança consta no Boletim Macrofiscal, divulgado nesta segunda-feira (18) pela Secretaria de Política Econômica (SPE), motivada pelos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços internacionais do petróleo.
A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) permaneceu em 2,3% para 2023 e em 2,6% para 2027. O documento auxilia na elaboração do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, que será enviado ao Congresso na próxima sexta-feira (22), orientando a execução do Orçamento federal.
Conforme a equipe econômica, a principal pressão inflacionária decorre do aumento dos preços do petróleo, impulsionados pelas tensões no Golfo Pérsico. As cotações ultrapassaram os US$ 110 por barril. O governo acredita que o impacto deverá ser parcialmente compensado pela valorização do real e medidas de mitigação adotadas.
A previsão oficial chegou ao teto da meta de inflação, estabelecida entre 1,5% e 4,5%, com centro em 3%. Para 2027, a estimativa de inflação aumentou para 3,5%.
Embora a inflação esteja em alta, a previsão do PIB foi mantida, com expectativas de desaceleração nos próximos trimestres devido à política monetária restritiva, seguida de uma retomada no final do ano.
As previsões do governo são mais otimistas que as do mercado financeiro. Segundo o boletim Focus do Banco Central, analistas projetam inflação de 4,92% e crescimento de 1,85% neste ano. A SPE destaca a resiliência do mercado de trabalho como fator de suporte econômico.
A alta do petróleo pode aumentar em cerca de R$ 8,5 bilhões mensais as receitas do governo por meio de royalties, dividendos e impostos relacionados ao setor petrolífero, apoiando respostas fiscais e a continuidade da política monetária.