Nesta sexta-feira (1º), o histórico acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia começa a ser aplicado de forma provisória. Após mais de duas décadas de conversas, a implementação será gradual, mas os efeitos práticos para o Brasil são imediatos, especialmente para quem vende produtos ao exterior. O tratado abrange cerca de 700 milhões de consumidores e prevê a eliminação progressiva das tarifas de importação sobre mais de 91% dos produtos europeus exportados ao Mercosul.
O que acontece agora?
A principal mudança é a queda de barreiras financeiras. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% dos produtos brasileiros enviados aos países europeus terão a tarifa de importação zerada já nesta primeira etapa.
Mercado aberto: Mais de 5 mil itens brasileiros entram na Europa sem pagar impostos.
Protagonismo brasileiro: O Brasil é o maior beneficiado, concentrando mais de 80% do comércio do Mercosul com o bloco europeu.
Impacto na economia: O governo estima um crescimento de até 0,5% no PIB brasileiro até 2040 em função do acordo.
Quem ganha no curto prazo?
Os setores que já são fortes nas exportações serão os primeiros a sentir o impacto positivo:
Agronegócio: Carnes (aves e suína), óleos vegetais, açúcar, etanol industrial e café não torrado devem ter aumento nas vendas. Regiões como o Centro-Oeste e o Sul são as mais favorecidas.
Indústria Exportadora: Dos itens que terão tarifa zero agora, 93% são bens industriais. Setores de máquinas, equipamentos, metalurgia e produtos químicos ganham competitividade contra países que não têm acordo com a Europa.
Quem ganha no futuro (médio e longo prazo)?
Empresas brasileiras que dependem de tecnologia e peças europeias verão seus custos caírem:
Insumos mais baratos: Tarifas de importação que chegavam a 35% sobre máquinas e produtos químicos europeus serão eliminadas progressivamente.
Eficiência: Isso beneficia indústrias farmacêuticas, de autopeças e setores de alta tecnologia, que poderão se modernizar gastando menos.
Onde estão os desafios e riscos?
Nem todos os setores terão vida fácil, já que o acordo também facilita a entrada de produtos europeus no Brasil:
- Indústria voltada ao mercado interno: Fábricas brasileiras menos inovadoras sofrerão com a concorrência de produtos europeus de alto valor agregado. O risco é de uma perda gradual de mercado, especialmente no polo industrial do Sudeste.
- Agricultura familiar: Pequenos produtores de queijos, vinhos e itens artesanais temem a competição com produtos europeus que costumam ser produzidos em larga escala e com subsídios governamentais.
Efeitos para consumidores
Para os consumidores, a expectativa é que o acordo contribua para a redução de preços de alguns produtos. Com menos tarifas e custos logísticos menores, itens como alimentos, vestuário e bens industriais podem chegar ao mercado com valores mais baixos.
No entanto, o efeito sobre os preços não é automático. Especialistas ressaltam que fatores como câmbio, custos de produção e margem de lucro das empresas também influenciam o preço final ao consumidor.
Segundo especialistas, o acordo expõe tanto as potências quanto as fragilidades estruturais do país. Enquanto os grandes exportadores comemoram, os pequenos produtores e indústrias locais precisarão de apoio governamental e modernização rápida para se adaptarem à nova realidade global.