A história de uma piauiense que transformou a própria vida em arte vai ganhar destaque na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. A atriz, diretora artística e produtora cultural Safira Bengell, natural de Teresina, confirmou presença no evento e participará de uma programação especial no Salão de Ideias, no dia 7 de setembro, às 17h30.
Durante o encontro, Safira apresentará A Arte de Viver – A Dama da Diversidade Cultural Brasileira, autobiografia escrita em parceria com o jornalista Enéas Barros. A obra, publicada pela Nova Aliança Editora, reúne 360 páginas de memórias e percorre diferentes fases da vida da artista, marcada pela arte, pela diversidade e pela resistência cultural.
A 28ª Bienal do Livro acontece de 4 a 13 de setembro, no Distrito Anhembi, em São Paulo, e reúne escritores, artistas, editoras e leitores em uma programação cultural que inclui debates, lançamentos e encontros com autores.
Da infância em Teresina aos grandes palcos
Nascida em Teresina, em 1958, Safira Bengell deixou o Piauí aos 18 anos em busca de liberdade e de um espaço onde pudesse viver e se expressar por meio da arte. A mudança para o Rio de Janeiro marcou o início de uma trajetória que seria construída entre dificuldades, palcos e muita resistência.
Nos primeiros anos na cidade, Safira chegou a enfrentar situações de extrema vulnerabilidade e passou por períodos em que viveu nas ruas. Foi nesse cenário que começou a se aproximar do universo artístico e das transformistas que se apresentavam no Rio de Janeiro.
A artista iniciou a carreira como cover de Maria Alcina e, posteriormente, adotou o nome Safira Bengell. Ao longo dos anos, passou por importantes casas de espetáculo e teatros, além de participar de programas de televisão e produções artísticas.
Sua trajetória também ultrapassou as fronteiras brasileiras. Safira trabalhou em países como Itália, Portugal, Espanha, Japão e Rússia e construiu parte de sua carreira na Europa, especialmente na Itália, onde também atuou no teatro, na televisão e em casas de espetáculos.
Mais do que contar episódios pessoais, A Arte de Viver apresenta a trajetória de Safira como um registro de uma época da cultura brasileira e da luta por espaço e respeito à diversidade.
Em entrevista ao Podcast Simbora, do Piauí Hoje, a artista definiu a publicação como um documento de memória e resistência. Segundo Safira, o livro também busca provocar reflexões sobre como a sociedade e as famílias lidam com pessoas que fogem dos padrões impostos.
A própria estrutura da biografia resume a personalidade multifacetada da artista, apresentada na obra pelas características “controvertida, extrovertida, introvertida e invertida”.
Safira também costuma definir a si mesma de uma maneira que traduz a relação construída durante décadas com os palcos: uma artista que encontrou na arte não apenas uma profissão, mas uma forma de existir e resistir.
Piauí no palco da literatura
Depois de uma trajetória marcada por viagens, espetáculos e diferentes linguagens artísticas, Safira voltou a viver em Teresina e continuou atuando na área cultural. Em 2024, ela lançou sua autobiografia no Piauí e passou a participar de eventos literários e culturais para contar pessoalmente as histórias reunidas na publicação.
Agora, a história da artista piauiense chega a um dos maiores eventos literários do país. Na Bienal de São Paulo, Safira terá a oportunidade de apresentar ao público uma trajetória que atravessa décadas da cultura brasileira e que, para além dos palcos, se tornou também um símbolo de diversidade, liberdade e resistência.