Cais do Valongo no Rio terá museu em prédio imperial

Novo centro cultural se instalará no Edifício Docas André Rebouças, em frente ao sítio histórico.

O Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, ganhará um museu no Edifício Docas André Rebouças, um prédio histórico do Império. A estrutura está localizada na região portuária, em frente ao sítio arqueológico do Valongo, separado por uma única rua.

Conhecido mundialmente, o Cais do Valongo foi descoberto em 2011 durante obras de revitalização e é um símbolo da chegada de cerca de 1 milhão de africanos escravizados entre 1811 e 1843.

Atualmente um espaço a céu aberto, o local oferece pouca estrutura para os visitantes. Com a obra, orçada em R$ 77 milhões, busca-se melhorar essa recepção. As adaptações para transformar o prédio num Centro de Interpretação da Herança Africana devem durar três anos.

De acordo com o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Deyvesson Gusmão, a intenção é que o acervo de cerca de 1 milhão de itens do Valongo e áreas próximas seja exibido no novo centro.

André Rebouças, homenageado com o nome do prédio, foi o primeiro engenheiro negro do país e um importante personagem do movimento abolicionista. O edifício, construído em 1871, não utilizou mão de obra escravizada.

Segundo o presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Santos Rodrigues, o acervo a ser abrigado passa por pesquisa e identificação constantes, podendo revelar detalhes desconhecidos ao longo dos anos.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destaca que o museu representa uma reparação histórica após séculos de escravidão, sinalizando o início de uma justiça social esperada para o Brasil.

O comitê gestor do Cais, que inclui representantes das esferas de governo e da sociedade civil, luta pela preservação da essência cultural dos imóveis da região, consolidando a Pequena África como um importante centro cultural e histórico.