O cantor e compositor Caetano Veloso convocou para este domingo (18) um grande ato musical em defesa da democracia, na Praia de Copacabana, zona Sul do Rio de Janeiro. A manifestação está marcada para as 16h, no Posto 5, e deverá reunir artistas de diferentes gerações da música brasileira, além de estudantes, movimentos sociais e organizações culturais.
O encontro acontece em um momento decisivo da política nacional, exatamente uma semana antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentará o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Organizado pelos coletivos 342 Artes e Mídia NINJA, o evento tem como principais bandeiras a defesa das instituições democráticas, a liberdade de expressão artística e o direito à manifestação pacífica. A convocação foi divulgada por Caetano nas redes sociais na terça-feira (13) e ganhou a adesão de dezenas de artistas.
Grandes nomes da música brasileira participam da mobilização
Entre os artistas anunciados estão Djavan, Simone, Marina Sena, João Bosco, Frejat e Fernanda Abreu. Também aderiram à convocação Ivan Lins, Chico César, Jorge Vercillo, Duda Beat, Xamã, Jota.Pê, Moreno Veloso, Francis Hime, Olívia Hime e Kleber Lucas.
A diversidade de estilos musicais e gerações é uma das características da mobilização, que pretende transformar a orla de Copacabana em espaço de manifestação cultural e política. A presença dos artistas foi anunciada pelos organizadores, mas a programação individual das apresentações ainda poderá sofrer alterações.
TSE rejeita tentativa de impedir manifestações
Um dos principais desdobramentos políticos ocorreu na Justiça Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisou questionamentos sobre a realização dos atos musicais, diante da proibição de showmícios na legislação brasileira.
Em decisão divulgada no sábado (17), o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva rejeitou pedido do Partido Novo para suspender preventivamente manifestações em defesa da democracia previstas para o Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre.
O partido argumentou que os eventos poderiam funcionar como atos eleitorais disfarçados em benefício da candidatura de Lula. O ministro, entretanto, considerou que não havia elementos suficientes para demonstrar que as mobilizações constituíam comícios ou reuniões eleitorais organizadas para promover candidaturas por meio de apresentações artísticas. A decisão não significa autorização irrestrita para a realização de showmícios, que continuam proibidos pela legislação eleitoral. O entendimento foi de que a manifestação política espontânea e a participação de artistas não configuram, por si só, propaganda eleitoral irregular.
Ato acontece no mesmo dia de manifestação de Flávio Bolsonaro
Enquanto artistas e movimentos sociais se mobilizam no Rio de Janeiro, apoiadores de Flávio Bolsonaro organizam uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, também neste domingo. O evento do candidato do PL está previsto para as 11h e conta com a participação anunciada do governador paulista, Tarcísio de Freitas, e do prefeito Ricardo Nunes. As duas mobilizações demonstram a intensificação das atividades políticas na reta final da disputa presidencial. De um lado, movimentos culturais e sociais ligados à defesa da democracia, com participação de apoiadores de Lula; de outro, uma manifestação organizada por aliados e simpatizantes de Flávio Bolsonaro.
Estudantes também realizam manifestação pela manhã
A programação de domingo no Rio de Janeiro começa antes do encontro musical. Estudantes e movimentos sociais convocaram uma manifestação para as 11h, na região da Candelária, no Centro da cidade. A proposta divulgada pelos organizadores é que os participantes sigam posteriormente para Copacabana, onde ocorrerá a apresentação dos artistas. O ato integra uma sequência de mobilizações organizadas por entidades estudantis, sindicatos e movimentos sociais nas últimas semanas.
Cultura e democracia voltam a ocupar Copacabana
A manifestação deste domingo também remete à participação de Caetano Veloso em atos políticos anteriores. Em setembro de 2025, o artista esteve em Copacabana ao lado de Chico Buarque, Gilberto Gil, Djavan e Paulinho da Viola durante protestos contra a chamada PEC da Blindagem e propostas de anistia relacionadas aos ataques de 8 de janeiro de 2023. Na ocasião, a música brasileira ocupou espaço central nas manifestações, reforçando a tradição de participação de artistas em debates políticos e sociais do país. Agora, em meio à disputa presidencial de 2026, Caetano volta a mobilizar o setor cultural em torno de pautas democráticas.
Onde e quando acontece o ato?
Domingo, 18 de outubro de 2026
Concentração às 15h; ato musical previsto para 16h
Posto 5 de Copacabana, Avenida Atlântica, Rio de Janeiro