Uma tentativa de retirada irregular de uma recém-nascida mobilizou a equipe de segurança da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa (NMDER), em Teresina, na tarde desta segunda-feira (6). O caso foi impedido antes que a suspeita deixasse a unidade hospitalar.
O relato mais detalhado sobre o ocorrido foi feito por Daniela Beatriz, tia da bebê, que acompanhava a mãe da criança na maternidade. Segundo ela, a suspeita se apresentou como profissional de enfermagem e teria utilizado o argumento de agilizar a realização dos exames obrigatórios do recém-nascido para ganhar a confiança da família.
Família aguardava alta hospitalar
De acordo com Daniela, a mãe da bebê foi transferida de Castelo do Piauí para a Maternidade Dona Evangelina Rosa por se tratar de uma gestação considerada de risco. A criança nasceu de parto normal no último sábado (4), por volta das 16h.
Nesta segunda-feira, a mãe chegou a receber alta médica, mas a recém-nascida precisaria permanecer internada até completar 48 horas de vida para realizar os testes do pezinho e da orelhinha, exames que, segundo a família, seriam feitos apenas na manhã seguinte.
Foi nesse momento que a suspeita teria se aproximado. "Vou tentar resolver para você ir para casa", disse a mulher.
Segundo Daniela Beatriz, a mulher disse que tentaria antecipar a realização dos exames para que mãe e filha pudessem receber alta ainda naquele dia.
Ela falou: 'Olha, mulher, eu vou tentar conseguir fazer aqui esse negócio para tu, para fazer o teste do pezinho agora da menina e o da orelhinha."
A tia relata que a mulher circulava normalmente pela maternidade, entrando e saindo de setores da unidade.
"Várias enfermeiras, vários médicos, todo mundo vendo lá. E ninguém reconheceu para dizer que ela não trabalhava lá"
Ainda segundo Daniela, a suspeita pediu que ela aguardasse do lado de fora de uma sala.
"Ela falou: 'Você tem que ficar aí fora, elas não podem te ver aqui, que eu vou resolver isso rapidinho para você ir para casa'."
Bolsa chamou atenção da tia
Durante o trajeto, Daniela percebeu que a mulher carregava uma bolsa preta de tamanho considerável e chegou a questioná-la sobre o objeto.
Segundo ela, a suspeita respondeu que levava materiais para outras profissionais da maternidade: "Essa bolsa aqui é para as meninas lá de cima, com as coisas que eu estou levando", disse.
Mesmo desconfiada, Daniela entregou a bebê para a mulher acreditando que ela fosse funcionária da unidade.
Suspeita teria trocado de roupa
Pouco depois, Daniela afirma que começou a estranhar a situação.
Segundo seu relato, a mulher entrou em um banheiro usando roupa verde semelhante à utilizada por profissionais de saúde e, ao sair, já estava com outra vestimenta.
Foi nesse momento que a tia percebeu que havia algo errado.
"Quando eu cheguei no banheiro, ela já estava saindo com a bolsinha aqui na frente e a neném. Ela já estava com outra roupa, totalmente diferente. Ela ia sair e eu não ia reconhecer, porque muda demais."
A família acredita que a troca de roupa fazia parte da tentativa de deixar a maternidade sem levantar suspeitas.
Família critica assistência
Após o episódio, Daniela afirmou que esperava maior apoio da instituição.
Segundo ela, a principal preocupação dos responsáveis pela maternidade teria sido afastar a responsabilidade pelo ocorrido.
"Eu não tive apoio, assistência deles para tentar me ajudar. Só o tempo todo querendo abafar, querendo dizer que eles não têm culpa."
Ela também questionou os protocolos de acesso da unidade.
"Para entrar lá é um burocracia enorme. Eles veem tudo, precisam do rosto da gente para entrar e para sair."
Suspeita seria grávida de 43 anos
A Polícia Civil do Piauí investiga a participação da técnica em enfermagem Auricelia Santos Silva, de 43 anos, na tentativa de sequestro de uma recém-nascida na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa (NMDER), em Teresina. O caso aconteceu na segunda-feira (6) e foi impedido pelos protocolos de segurança da unidade.
Segundo as informações apuradas, Auricelia é técnica em enfermagem, está grávida e mora na região da Cacimba Velha, na zona rural Leste de Teresina.
O que diz a maternidade
Em nota, a Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa informou que a tentativa de retirada irregular do recém-nascido foi identificada pelos protocolos de segurança da unidade.
Segundo a direção, a equipe agiu imediatamente, impedindo que a ação fosse concluída. A maternidade informou ainda que comunicou as autoridades competentes e está colaborando integralmente com as investigações.
A instituição ressaltou que não divulgará mais detalhes neste momento para não comprometer a apuração dos fatos e destacou que os protocolos de controle de acesso e vigilância demonstraram efetividade ao impedir que a tentativa tivesse êxito.
Coren-PI acompanhará investigação
Também por meio de nota, o Conselho Regional de Enfermagem do Piauí (Coren-PI) informou que acompanha o caso diante das informações sobre a suposta participação de uma profissional de enfermagem.
O Conselho afirmou que adotará as medidas cabíveis para apurar os fatos com seriedade, imparcialidade e observância ao devido processo legal, ressaltando que eventuais condutas incompatíveis com o exercício da enfermagem serão rigorosamente analisadas dentro de suas competências legais.
As circunstâncias do caso seguem sendo investigadas pelas autoridades competentes.