A tia da recém-nascida que escapou de uma tentativa de sequestro na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, publicou um vídeo nas redes sociais em que aparece emocionada e chorando após a Justiça conceder liberdade à técnica em enfermagem Auricelia Sousa Rocha, investigada pelo crime. No desabafo, Daniela Beatriz afirmou que a decisão deixou a família insegura e com medo.
Segundo Daniela, a soltura da investigada já era esperada por parte da família, mas o sentimento é de indignação. Ela afirmou que a mulher conhece o endereço onde a criança mora e questionou como os familiares poderão retomar a rotina após o episódio.
"A mulher foi solta. Não era o que a família queria, mas muita gente já esperava que o desfecho fosse esse. Não tem justiça. A justiça foi ela ser solta e estar aí na sociedade. Como é que a família fica? Ela sabe onde a mãe da criança mora com a criança. A família fica vulnerável a toda essa situação", disse.
Ainda no vídeo, Daniela afirmou que teme pela segurança da mãe da bebê e de todos os parentes envolvidos no caso. Ela também criticou a decisão judicial e disse que quem sofreu as consequências da tentativa de sequestro foi a família.
"Como é que a mãe da criança vai ficar? E eu, que tive que passar por toda essa situação? Essa mulher faz tudo isso e foi solta. Vai continuar vivendo normalmente. Quem foi que se abalou com tudo isso? A família", desabafou.
Auricelia Sousa Rocha deixou a prisão na quarta-feira (29), após decisão judicial que acolheu um pedido da defesa. Os advogados apresentaram laudos médicos do Hospital Areolino de Abreu apontando que a investigada foi diagnosticada com Transtorno Psicótico Agudo Polimorfo com sintomas esquizofrênicos (CID F23.1), além de comprovar acompanhamento psiquiátrico e uso de medicação controlada.
Apesar da concessão da liberdade, o processo criminal continua em andamento. A Polícia Civil do Piauí concluiu o inquérito e indiciou Auricelia pelo crime de subtração de criança, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O caso ocorreu no dia 6 de julho, na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa. Conforme as investigações, Auricelia, que trabalhava na unidade por meio de uma empresa terceirizada, entrou no hospital durante a folga usando uniforme e convenceu familiares de que levaria a recém-nascida para realizar exames de rotina.
A tentativa foi interrompida por Daniela Beatriz, que desconfiou da situação ao perceber que a mulher colocava a bebê dentro de uma bolsa. A tia puxou o objeto e encontrou a criança, impedindo que ela fosse levada.
Durante as investigações, a Polícia Civil informou ainda que encontrou na residência da investigada objetos e um ambiente preparado para receber um bebê. Também foram identificados indícios de que ela fingia estar grávida havia vários meses. A polícia apura se outras pessoas participaram da ação, mas, até o momento, ninguém mais foi responsabilizado.