Teresina tem lixo até nos postes; telefônicas poluem o visual e geram risco de morte

População cobra punição para operadoras de telefonia e internet que abandonam fiação velha pela cidade

A paisagem urbana de Teresina, uma capital com quase 1 milhão de habitantes, está cada vez mais comprometida. O que era para ser um símbolo de conectividade virou sinônimo de descaso: cabos cortados, pendurados em postes ou jogados no chão, dominam avenidas e ruas da cidade.

Moradores de todos os bairros denunciam que as empresas de telefonia móvel e outros serviços de telecomunicações realizam a troca de cabeamento, especialmente para instalação de fibra óptica, mas simplesmente abandonam os fios velhos no local. O resultado é um emaranhado de cabos sem qualquer utilidade, que se acumulam nos postes da rede elétrica.

“Às vezes, esses cabos colocam em risco a vida de motociclistas que passam nas avenidas, porque estão pendurados”, diz o eletricista Jurandi Soares Pinto, que reside no bairro Pedra Mila, na zona Leste de Teresina. Segundo ele, isso mostra o desprezo dessas empresas com a vida das pessoas o recolhimento do lixo que elas mesmas geram.

Risco iminente e poluição visual

Além da degradação estética, transformando Teresina em uma  "cidade lixo até pendurado em pendurado", o acúmulo de cabos representa um perigo real. Há casos de fios que se soltam e ficam a poucos metros do chão, podendo causar acidentes graves com motociclistas, ciclistas e pedestres.

Um dos pontos críticos atuais está localizado em frente ao Auto Mall, o Shopping do Automóveis, na movimentada Avenida João XXIII, Zona Leste de Teresina. No local, é possível observar nos postes e novo chão grande quantidade de cabos enrolados e cortados, demonstrando a falta de fiscalização.

Exemplos de leis rígidas pelo Brasil

A situação vivida em Teresina não é um caso isolado no país. Algumas cidades já avançaram em legislações severas para coibir a prática. Em Salvador (BA), a Lei nº 9.219/2017 obriga as prestadoras a removerem cabos excedentes e sem uso. Em caso de descumprimento, a multa inicial é de R$ 5 mil, podendo saltar para R$ 20 mil por mês se a empresa insistir em manter o material irregular nos postes.

Em Macapá (AP) , respaldada pela Lei Municipal nº 2.679/2023, a prefeitura iniciou um mutirão de limpeza em parceria com a Anatel para forçar as teles a retirarem o entulho tecnológico.

No Piauí 

O estado do Piauí e a cidade de Teresina também contam com leis específicas sobre o lixo das telefônicas. Mas essas leis não estão sendo respeitadas e falta mais fiscalização. 

Em 2025, a Assembleia Legislativa do Piauí aprovou uma lei de autoria do deputado Tiago Vasconcelos que obriga as concessionárias de energia elétrica e de telecomunicações a removerem os cabos, fios em excesso e dispositivos sem uso instalados nos postes. 

Também em 2025, a cidade de Teresina passou conta com a "Lei Limpa Fios" (Lei nº 9.046/2025), que prevê notificações e multas para as empresas que não realizarem o alinhamento e a remoção dos cabeamentos. 

O que fazer 

Especialistas e a população defendem que Teresina exija mais rigor. A proposta é que a lei estabeleça prazos curtos para a retirada voluntária e, na ausência disso, multas mais pesadas que inviabilizem economicamente o abandono do lixo. Mas enquanto isso não ocorre, a recomendação para a população é que evite mexer em cabos caídos e acione a Defesa Civil ou a prefeitura para registrar reclamações.