Jovem que ia de bicicleta de Timon a Teresina para estagiar passa em 1º lugar em concurso

No Dia do Servidor Público, Pedro Ruan Azevedo relembra a trajetória até a aprovação na Universidade Federal do Piauí, a rotina de estudos para concursos e a emoção de compartilhar a conquista com os pais

Antes de conquistar uma vaga na Universidade Federal do Piauí (UFPI), em Teresina, Pedro Ruan Azevedo conheceu de perto o esforço que existe por trás de um sonho. Tecnólogo em Educação Física, ele já percorreu de bicicleta o caminho entre Timon, no Maranhão, onde morava, e a capital piauiense, para cumprir sua rotina de estágio. Também enfrentou reprovações em concursos, acumulou milhares de questões resolvidas e precisou seguir estudando sem saber quando o resultado esperado chegaria.

Hoje, ao olhar para a própria trajetória, Pedro Ruan Azevedo encontra no serviço público um novo sentido para tudo o que viveu. Neste 28 de outubro, Dia do Servidor Público, a história dele mostra que a conquista de um cargo pode representar muito mais do que a aprovação em uma seleção: pode ser a realização de um sonho construído durante anos, com renúncias, dúvidas e persistência.

“Ser um servidor público para mim é estar dentro do olho do furacão, descobrir um problema, resolvê-lo, buscar quem possa resolvê-lo ou até mesmo aprender na hora como resolver.”

A visão que ele tem da profissão combina responsabilidade e disposição para enfrentar desafios. Para o Tecnólogo em Educação Física, o servidor precisa estar preparado para lidar com problemas, buscar soluções e aprender durante o próprio trabalho. Uma postura que, de certa forma, também esteve presente na caminhada que o levou até a universidade.

De bicicleta entre Maranhão e Piauí

Pedro Azevedo durante posse na UFPI | Foto: arquivo pessoal

Antes de assumir o cargo na UFPI, Pedro Ruan Azevedo vivia uma rotina de deslocamentos entre Timon e Teresina. Durante o período de estágio, saía de casa às 8h e só retornava às 18h. O trajeto era feito de bicicleta, uma experiência que hoje ele recorda como parte importante de sua formação pessoal.

As viagens de trabalho que realiza atualmente fazem com que ele pense no caminho percorrido desde aquela época. Ao observar a própria trajetória, o servidor enxerga a distância entre os desafios de antes e a realidade que conquistou.

“Desde que assumi o cargo, fiz algumas viagens à trabalho e em cada uma delas olho pra trás e observo onde o esforço de um estagiário que rodava de Timon a Teresina em cima de uma bicicleta, saindo de casa às 8:00 e voltando às 18:00, pode me levar.”

A lembrança tem um significado especial porque representa uma etapa em que o objetivo ainda parecia distante. Hoje, trabalhando em uma das instituições de ensino superior mais importantes do país, ele consegue reconhecer o valor de cada passo que deu até chegar ali.

Jovem conquistou o 1° lugar no concurso | Foto: instagram

“Só consigo agradecer ao meu eu de 15 e 22 anos por não terem desistido. Graças a eles estou trabalhando numa das melhores Universidades do Brasil, podendo fazer parte do que a Política do Esporte vai se tornar dentro dessa instituição”, afirma.

Mais de 6 mil questões e a experiência das reprovações

A preparação para concursos na área da Educação Física começou no segundo semestre de 2023. Desde então, o servidor público precisou organizar os estudos entre diferentes materiais, videoaulas e exercícios, buscando maneiras de aproveitar melhor o tempo e aprender os conteúdos exigidos nas provas.

Pedro Azevedo assinando termino de posse | Foto: arquivo pessoal

No início, recorreu aos materiais disponibilizados pelos professores durante a graduação. Depois, passou a procurar conteúdos específicos em sites e no YouTube. Para as disciplinas gerais, decidiu deixar os PDFs de lado e priorizar aulas oferecidas por plataformas de estudo.

A estratégia que considera decisiva, porém, foi resolver questões. Até 22 de janeiro, ele estima ter acumulado mais de 6 mil exercícios durante a preparação.

“Busquei primeiramente os materiais que os professores sediam durante a graduação, posteriormente procurei na em sites avulsos e no youtube por video-aulas para os conteúdos específicos; quanto aos conteúdos gerais, desisti de ler PDF e vi o máximo de aulas que pude através de Plataformas, mas o diferencial foi a prática através de questões, ao final do processo acho que acumulei mais de 6 mil questões feitas até o dia 22 de janeiro.”

Apesar da dedicação, o caminho não foi marcado apenas por resultados positivos. Entre junho de 2025 e janeiro de 2026, Pedro Azevedo participou de aproximadamente oito avaliações. Foi aprovado somente nas duas últimas: a seleção para a Residência Multiprofissional em Saúde da Família, da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), e o concurso que o levou ao cargo atual na UFPI.

Nesse período, também enfrentou os deslocamentos para São Luís, no Maranhão, durante o processo relacionado ao concurso do Instituto Federal do Maranhão (IFMA).

A incerteza sobre quando todo aquele esforço seria suficiente foi uma das partes mais difíceis. Ele não abandonou as festas, os encontros com amigos ou os jogos on-line, mas convivia com a dúvida sobre quanto tempo ainda precisaria manter o ritmo de preparação.

O que poderia ser motivo para desistir acabou se tornando parte da força que o manteve em movimento.

“Já vinha estudando pra concursos na área da Educação Física desde o segundo semestre de 2023, a ausência de uma certeza de quando seria o bastante foi o mais difícil, não me desliguei de festas, saídas ou jogos online, mas não saber até quando precisaria me esforçar foi o mais complicado e o que me fez não desistir foi o fracasso”, relembra.

A aprovação que emocionou a família

Pedro Azevedo e seus pais durante a posse | Foto: arquivo pessoal

O desejo de conquistar um cargo público surgiu por volta do quinto ou sexto período da graduação. Quando o resultado do concurso da UFPI finalmente saiu, Pedro Azevedo precisou lidar com a ansiedade de uma espera maior do que imaginava: a divulgação atrasou cerca de 15 dias e ocorreu um dia depois de seu aniversário.

Naquela tarde, ele estava ansioso e resolveu dormir com um pensamento que traduzia a expectativa pelo resultado: “Vai que eu durmo e acordo concursado”.

Assim que acordou, a primeira coisa que fez foi acessar o site para conferir a nota. Mesmo sem encontrar alguém que tivesse obtido um resultado superior ao seu, procurou um colega para ter certeza de que havia entendido a classificação corretamente.

A notícia que mudaria sua vida, porém, ainda não havia sido compartilhada com os pais. O servidor público contou que não tinha revelado a eles que participava de um concurso. Até então, dizia que estava envolvido em mais um processo seletivo.

Naquela noite, a família pretendia sair para comemorar seu aniversário. Com a aprovação confirmada, ele foi acordar o pai, que estava dormindo, para perguntar se poderia chamar os amigos para celebrar a conquista também.

“Meu pai estava dormindo, íamos sair a noite nesse dia pra comemorar meu aniversário só em família, fui acordá-lo pra perguntar se dava pra chamar meus amigos pra comemorar a minha aprovação, ele e minha mãe ficaram em choque e choraram com a notícia.”

A aprovação que Pedro aguardava em silêncio acabou se transformando em uma comemoração compartilhada com as pessoas que acompanharam sua vida até ali. Era o resultado de uma preparação iniciada ainda durante a graduação e de um período em que cada tentativa exigia disposição para recomeçar.

Servir também é continuar aprendendo

 Tecnólogo em Educação Física, Pedro Azevedo | Foto: Arquivo pessoal

A chegada à UFPI não encerrou a trajetória de desafios. Para Pedro Azevedo, assumir o cargo significa participar da construção de um trabalho que ainda tem muito a se desenvolver, especialmente na área da Política do Esporte dentro da instituição.

A experiência também ampliou sua compreensão sobre o papel de quem trabalha no serviço público. Mais do que ocupar uma vaga conquistada em concurso, ele entende que a função exige iniciativa, responsabilidade e capacidade de enfrentar situações inesperadas.

A mesma disposição que o ajudou a continuar estudando depois das reprovações agora faz parte da maneira como enxerga o trabalho. Os problemas não deixam de existir com a aprovação; mudam de natureza e passam a exigir novas respostas.

Ao falar sobre o que o levou até ali, Pedro reconhece o papel das versões mais jovens de si mesmo, que persistiram mesmo sem ter certeza de quando o esforço daria resultado. Sua história reúne bicicleta, sala de aula, milhares de questões, viagens e tentativas que nem sempre terminaram como ele esperava.

A conquista, por isso, não se resume ao dia em que o nome apareceu no resultado. Ela também está nas manhãs em que precisou sair de casa para cumprir sua rotina, nas horas dedicadas aos estudos e na decisão de continuar tentando mesmo depois de uma reprovação.

“Mas por mim tudo bem, se eu temesse o confronto não teria chegado não longe”, conclui Pedro, ao refletir sobre os desafios que fazem parte do serviço público.

Neste Dia do Servidor Público, sua trajetória é um retrato de como a persistência pode transformar uma meta distante em realidade — e de como, por trás de cada aprovação, existe uma história que vai muito além do resultado publicado.