MPF defende papel na proteção de comunidades no mercado de carbono

Órgão reafirma compromisso com direitos de povos tradicionais

O Ministério Público Federal (MPF) reafirmou sua atuação essencial na proteção dos direitos de comunidades tradicionais no contexto do mercado de carbono. Em 17 de outubro, em Brasília, o procurador Felipe Moura Palha destacou a missão do MPF em preservar a vida e a autonomia desses povos durante um seminário no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Palha, representante das Câmaras de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais (6CCR) e de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural (4CCR), afirmou que a participação do MPF é mandatária pela Lei nº 15.042/2024, que criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa.

Ele sustentou que o MPF é vital em consultas prévias obrigatórias para projetos nos territórios tradicionais, sempre visando resguardar direitos humanos e culturais. Segundo o procurador, qualquer tentativa de limitar a atuação do MPF para favorecer interesses econômicos seria inconstitucional.

Com quase duas décadas de experiência, desde 2007, o MPF lançou um manual abrangente que traz diretrizes para fortalecer essa proteção. Este documento é um guia para membros do MPF em todo o país.

Palha chamou a atenção para a necessidade de consultas prévias justas, direito de recusa das comunidades, proteção absoluta a povos isolados e eficácia climática real. Ele defendeu um diálogo transparente para evitar conflitos, mas reconheceu a necessidade de ações judiciais quando necessário.

O seminário, realizado em parceria com a Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa), discutiu os impactos e a regulamentação da nova legislação ambiental.