O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a prisão preventiva do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, alvo de duas investigações na Corte. A ordem de prisão, que tem prazo indeterminado, foi emitida no último dia 5 e veio a público hoje.
Moraes agiu a pedido da PF (Polícia Federal) no inquérito das milícias digitais, que apura a atuação de grupos na internet contra a democracia e as instituições. Santos, que está nos Estados Unidos há mais de um ano, será incluído na difusão vermelha da Interpol, voltada a localizar foragidos no exterior.
Moraes também acionou o Ministério da Justiça e a embaixada do Brasil nos EUA para que o influenciador, dono do site Terça Livre, seja extraditado. O UOL perguntou ao ministério se já foi notificado do pedido e que providências serão tomadas, mas ainda não houve resposta. O pedido de prisão foi feito pela PF no dia 16 de setembro, com o argumento de que Santos "prossegue praticando crimes" mesmo depois de deixar o Brasil. Além dos crimes ligados à comunicação, Santos é suspeito de ter usado seus canais para a prática de lavagem de dinheiro.
O investigado continua a incorrer nas mesmas condutas investigadas, ou seja, permanece a divulgar conteúdo criminoso, por meio de redes sociais, com objetivo de atacar integrantes de instituições públicas, desacreditar o processo eleitoral brasileiro, reforçar o discurso de polarização; gerar animosidade dentro da própria sociedade brasileira promovendo o descrédito dos poderes da república, além de outros crimes, e com a finalidade principal de arrecadar valores"Ministro Alexandre de Moraes, do STF Além de ordenar a prisão e a extradição, o ministro do STF mandou bloquear todas as contas bancárias do influenciador e qualquer remessa de dinheiro a ele no exterior.
No mesmo despacho, Moraes determinou a suspensão de pagamento aos canais dele nas plataformas YouTube, Twitch.TV, Twitter, Instagram e Facebook. Allan dos Santos foi uma das 66 pessoas indiciadas no relatório final da CPI da Covid. Apontado como propagador de fake news prejudiciais no combate à pandemia, Santos foi enquadrado no relatório por incitação ao crime, que prevê de três a seis meses de prisão e multa. A ordem de Moraes pela prisão do blogueiro foi comemorada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid. No Twitter, o parlamentar escreveu que a prática de fake news "também matou muitos brasileiros".
O UOL tenta contato com a defesa de Santos.
As investigações A PF investiga Santos no inquérito das fake news, que corre desde 2019, e o das milícias digitais, aberto em julho para apurar a existência de uma organização criminosa que visa atentar contra a democracia. Este último foi aberto após o arquivamento do inquérito dos atos antidemocráticos, e foi prorrogado neste mês por mais 90 dias. Além de prolongar as investigações, Moraes também determinou a suspensão da conta de Santos no Twitter.
As investigações, segundo Moraes, reúnem "fortes indícios e significativas provas apontando a existência de uma verdadeira organização criminosa, de forte atuação digital e com núcleos de produção, publicação, financiamento e político" para atentar contra a democracia e o Estado de Direito. No começo do mês, reportagem da Folha de S.Paulo revelou que Santos usou uma estagiária do gabinete do ministro Ricardo Lewandowski como informante.
Moraes determina prisão do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos
Moraes agiu a pedido da PF (Polícia Federal) no inquérito das milícias digitais, que apura a atuação de grupos na internet contra a democracia e as instituições
Allan dos Santos