O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a indisponibilidade de uma mansão em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, ligada ao advogado Willer Tomaz e que também está no centro de uma disputa envolvendo o atacante Richarlison. O jogador afirma que perdeu o imóvel de forma irregular e que a propriedade foi tomada por Tomaz. A informação foi divulgada nesta terça-feira (3) pela coluna de Demétrio Vecchioli, no Metrópoles.
A restrição alcançou os bens da WT Administração de Imóveis e Bens, sociedade anônima que concentra parte do patrimônio do advogado. A empresa é proprietária da mansão em Angra dos Reis e também de um imóvel que pertenceu à cantora Clara Nunes.
De acordo com a matrícula do imóvel, a indisponibilidade foi registrada na Central Nacional de Indisponibilidade de Bens (CNIB) em 26 de outubro. Dois dias depois, em 28 de outubro, o cartório de registro de imóveis de Angra dos Reis realizou a averbação da restrição.
Com a medida, o imóvel fica impedido de ser vendido ou transferido enquanto a indisponibilidade estiver em vigor.
Mansão é alvo de disputa envolvendo Richarlison
A propriedade em Angra dos Reis também está envolvida em uma controvérsia entre Willer Tomaz e o atacante da Seleção Brasileira. Richarlison afirma que comprou e realizou reformas no imóvel, mas acabou perdendo a posse da mansão após uma decisão judicial.
A negociação envolveu a Sport70, empresa da qual o jogador era sócio com seu antigo empresário, Renato Velasco, e o ex-dirigente esportivo Alencar Silveira Júnior. Posteriormente, Willer Tomaz adquiriu direitos sobre o imóvel e conseguiu a reintegração de posse na Justiça.
O desentendimento ganhou novos capítulos depois que o processo envolvendo a empresa Sport70 foi encerrado por desistência, sem a concordância de Richarlison. O atacante afirma que não recebeu os valores referentes às despesas e às benfeitorias realizadas na propriedade.
Tomaz, por sua vez, declarou ao Metrópoles que Richarlison nunca foi parte do processo judicial e que as tratativas ocorreram com representantes da empresa.
Investigação também envolve Flávio Bolsonaro
A indisponibilidade da mansão foi determinada no âmbito de um inquérito que investiga Willer Tomaz por suspeita de lavagem de dinheiro por meio de apostas online. A investigação da Polícia Federal também alcança empresas ligadas ao advogado e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como amigo de Tomaz.
Segundo informações reunidas pelos investigadores, Flávio teria sido cadastrado como usuário master de uma conta bancária de uma das empresas do advogado, o que permitiria acesso operacional às movimentações financeiras. A apuração também identificou despesas do senador que teriam sido pagas por empresas associadas a Tomaz.
No mesmo inquérito, Moraes determinou medidas contra os dois investigados. No caso de Flávio, o ministro ordenou a entrega dos passaportes e proibiu o contato com o advogado. Já contra Willer Tomaz, foram determinadas a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial, além do bloqueio de bens de empresas associadas a ele até o limite de R$ 6 bilhões.
O ministro também ordenou o cancelamento dos passaportes do advogado, incluindo o documento diplomático. Willer deixou o Brasil em agosto e ainda não havia retornado até a publicação da reportagem do Metrópoles.
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam as suspeitas de irregularidades. O advogado afirmou que suas empresas e participações são lícitas e declarou que nunca manteve sociedade com o senador. Flávio também sustenta que a relação entre os dois é exclusivamente de amizade.