A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) resgatou publicações antigas do senador Flávio Bolsonaro (PL) em que ele criticava o Bolsa Família e se referia ao programa social como “bolsa-farelo”. As mensagens, feitas em 2011 e posteriormente apagadas, foram recuperadas por meio da ferramenta Wayback Machine, que permite consultar versões arquivadas de páginas da internet.
A iniciativa foi divulgada nas redes sociais na segunda-feira (19), em meio à repercussão das declarações de Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro. Ela afirmou que a proposta do senador prevê uma regra de transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família que consigam emprego formal ou abram o próprio negócio.
Na publicação feita no perfil oficial de Lula no X, antigo Twitter, a campanha destacou a recuperação de uma das mensagens antigas do adversário e questionou o que ele estaria escondendo dos brasileiros.
“O candidato apagou esta postagem. Recuperamos. Está aqui”, escreveu a conta do presidente. A mensagem também terminava com a frase: “Ninguém confia em Flávio Bolsonaro.”
Flávio Bolsonaro criticava programa social em publicações antigas
Nas mensagens recuperadas, Flávio Bolsonaro questionava o modelo de transferência de renda e sugeria limitar o benefício. O uso da expressão “bolsa-farelo” foi resgatado pela campanha petista para destacar as críticas que o senador fazia ao programa há cerca de 15 anos.
O material voltou a circular justamente quando o Bolsa Família se tornou um dos temas de confronto entre os candidatos à Presidência da República na reta final da disputa eleitoral.
A campanha de Lula tem utilizado as publicações antigas para contestar o posicionamento atual do senador sobre a assistência social. A estratégia busca associar as críticas feitas por Flávio no passado à proposta de mudança na regra de permanência dos beneficiários apresentada por sua equipe econômica.
Proposta de transição de dois anos gera reação
Em entrevista à rádio CBN Bahia, Daniella Marques afirmou que o plano econômico de Flávio prevê um período de transição para que os beneficiários possam buscar emprego com carteira assinada ou empreender sem perder imediatamente o auxílio.
“Vai ter regra de transição de dois anos [no Bolsa Família] para que possa abrir seu negócio, ou aceitar emprego de carteira assinada. E um retorno automático caso dê errado”, declarou.
A fala foi interpretada por integrantes da campanha petista como uma proposta de estabelecer um prazo para a saída de beneficiários do programa. O senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha de Lula, afirmou que a medida indicaria de onde viriam os cortes de gastos defendidos pelo adversário.
“Isso já mostra, claramente, de onde é que o Flávio Bolsonaro quer cortar os seus 200 bilhões de reais, o ‘tesouraço’. A gente vem dizendo e é exatamente dos programas sociais, das conquistas dos trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou Santana.
A declaração de Daniella, porém, foi defendida pela campanha de Flávio como uma medida de incentivo à autonomia financeira. O senador e sua coordenadora econômica negaram que pretendam acabar com o Bolsa Família ou reduzir o benefício. Segundo eles, a proposta busca estimular a entrada dos beneficiários no mercado de trabalho, com possibilidade de retorno ao programa caso a tentativa não dê certo.
Bolsa Família entra no centro da disputa eleitoral
A recuperação das publicações antigas e a discussão sobre a regra de transição ampliaram o confronto entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro sobre o futuro dos programas sociais.
Enquanto os aliados do presidente utilizam as mensagens antigas para questionar o compromisso do senador com o Bolsa Família, a equipe do candidato do PL sustenta que as mudanças pretendem incentivar o emprego formal e o empreendedorismo.
O tema ganhou importância na campanha presidencial por envolver diretamente a política de transferência de renda e as condições para a permanência das famílias no programa. Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, as propostas para o Bolsa Família devem continuar entre os principais pontos de disputa entre os candidatos.