Livro revela envolvimento de montadoras com a ditadura no Brasil

Obra destaca como empresas apoiaram repressão durante o regime militar

Em 2015, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) iniciou uma investigação sobre o apoio de empresas à ditadura militar no Brasil, com base em depoimentos da Comissão Nacional da Verdade. Entre as citadas estava a Volkswagen.

Em 2021, um relatório do MPSP revelou que a Volkswagen "contribuiu intensamente com o aparato repressivo", com o conhecimento da direção da empresa. Em 2017, a própria montadora contratou o historiador Christopher Kopper, que confirmou a cooperação com o regime militar.

O recém-lançado livro Repressão Sociedade Anônima, de Eduardo Reina e Maria Angélica Ferrasoli, detalha como montadoras, bancos e metalúrgicas ajudaram a sustentar o regime, observando, fichando e até torturando trabalhadores, principalmente no Grande ABC Paulista.

A pesquisa destaca que empresas como Mercedes-Benz, General Motors, Scania e Ford financiavam a repressão e colaboravam com o DOPS, controlando e demitindo grevistas e opositores políticos. Além disso, as condições de trabalho eram precárias, com frequentes acidentes e descaso com a segurança dos trabalhadores.

Ao investigar o papel das mulheres durante esse período, o livro expõe relatos de assédio e condições degradantes no trabalho. Algumas empresas controlavam até o tempo de uso do banheiro por funcionárias.

A Agência Brasil tentou contato com as montadoras mencionadas. Em resposta, a Volkswagen afirmou ter firmado um TAC para reavaliar sua história no período ditatorial. A Scania afirmou repudiar violações de direitos humanos, enquanto a GM e a Ford negaram envolvimento, e a Mercedes-Benz disse não ter evidências de suporte ao regime.