O Instituto Iter, que teve entre seus sócios e contou com atuação acadêmica do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, empresa pertencente ao empresário Lucas Prado Kallas, apontado como ex-parceiro de negócios de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A operação foi realizada por meio de um contrato de mútuo conversível firmado em abril de 2024.
O contrato previa um total de R$ 5,9 milhões, mas R$ 5,2 milhões chegaram efetivamente ao instituto. Pelo modelo de mútuo conversível, a empresa que concede os recursos pode, conforme as condições estabelecidas, receber o dinheiro de volta ou converter o crédito em participação societária.
Os repasses ocorreram enquanto André Mendonça ainda fazia parte do Instituto Iter. O ministro anunciou sua saída da sociedade no último dia 3. Em fevereiro de 2026, Mendonça foi sorteado relator das investigações relacionadas ao Banco Master no STF. Segundo informações divulgadas pelo UOL, o Iter havia iniciado a devolução dos recursos no mês anterior.
Instituto afirma que dinheiro foi usado na própria entidade
Em nota, o Instituto Iter afirmou que o contrato foi firmado dentro da legislação e que os recursos foram destinados exclusivamente à estruturação e às atividades da entidade.
Segundo o Instituto, em abril de 2024 as partes firmaram um contrato de mútuo conversível, instrumento previsto no Marco Legal das Startups (Lei Complementar nº 182/2021). A operação, de acordo com a nota, está integralmente registrada nos balanços, declarada aos órgãos competentes e com tributos recolhidos, sem uso de recursos, incentivos ou subvenções públicas.
A entidade esclarece que nenhum valor do aporte foi direcionado ao patrimônio pessoal de qualquer sócio ou administrador. Os R$ 5,2 milhões foram depositados diretamente na conta da pessoa jurídica do Iter e aplicados, por obrigação contratual e com acompanhamento contábil, exclusivamente na estruturação e nas atividades do instituto.
Conforme a nota, os repasses ocorreram em parcelas e foram encerrados no fim de 2025, quando o Iter já se encontrava em situação de sustentabilidade financeira. Em seguida, as partes assinaram termo aditivo que previu o vencimento antecipado da dívida e o início imediato do pagamento à Cedro, com juros atrelados à taxa Selic. Até agora, cerca de 5,3% do total foi quitado.
Kallas e Mendonça negam participação na negociação
O Instituto afirma que as tratativas do contrato foram conduzidas pela direção executiva da entidade, com assessoria jurídica externa. Pela Cedro, participaram o diretor jurídico e o diretor de investimentos.
A nota enfatiza que nem Lucas Prado Kallas nem André Mendonça participaram das negociações, discutiram valores ou condições contratuais, negociaram ou assinaram o instrumento.
A Cedro Participações também afirma que Daniel Vorcaro jamais teve relação societária ou vínculo empresarial com os negócios da holding ou de suas controladas. A empresa sustenta que a aquisição de participações em companhias de capital aberto, das quais também são acionistas diversos fundos e instituições financeiras, não configura sociedade comercial.
A Cedro informa que consolidou sua posição no quadro societário da Biomm em 2023 e ingressou na Latache Capital entre 2024 e 2025, mas deixou de integrar o quadro de sócias de ambas as companhias em abril de 2026.
Já a assessoria de Lucas Kallas afirma que o empresário se desligou definitivamente, em 2017, do negócio que é objeto da Operação Parcours e que ele atuava como sócio-investidor.
O Instituto Iter reforça que o Banco Master e Daniel Vorcaro nunca tiveram qualquer relação com a entidade.