Expansão agrícola avança 11 milhões de hectares na Mata Atlântica

MapBiomas revela perda de quase 10 milhões de hectares de vegetação no bioma em 41 anos.

Nos últimos 41 anos, a Mata Atlântica perdeu quase 10 milhões de hectares de vegetação, enquanto a área dedicada à agricultura se expandiu em 11 milhões de hectares. É o que indica um levantamento divulgado pelo MapBiomas nesta segunda-feira (21), Dia da Árvore.

Um quarto da vegetação nativa existente hoje corresponde a áreas regeneradas após desmatamento desde 1985. Os dados pertencem à Coleção 11 dos Mapas Anuais de Cobertura e Uso da Terra no Brasil, que reúne informações de 1985 a 2025.

Durante este período, o bioma perdeu 9,7 milhões de hectares de vegetação madura, mas ao mesmo tempo ganhou mais de 8 milhões de hectares de vegetação secundária, indicando áreas onde a vegetação voltou a crescer.

A pesquisa mostra um aumento no desmatamento de regiões regeneradas. Entre 2021 e 2025, foram suprimidos 1,2 milhão de hectares, sendo 700 mil hectares de vegetação secundária e 500 mil de vegetação madura.

Apesar disso, a supressão de vegetação nativa apresenta tendência de queda ao longo da série histórica. Desde os anos 2000, a perda de vegetação nativa ficou abaixo de 2 milhões de hectares a cada cinco anos.

Os estados do Rio de Janeiro e São Paulo não registraram perda de vegetação nativa nos últimos 41 anos.

A coordenadora técnica da Mata Atlântica no MapBiomas, Natália Crusco, enfatiza a importância de evitar novos desmatamentos, especialmente em um bioma já fragmentado.

Com uma área total de cerca de 1,3 milhão de quilômetros quadrados, 32% da Mata Atlântica ainda possui vegetação nativa, enquanto a agropecuária ocupa 63%. A agricultura, especificamente, ocupa 20,5 milhões de hectares do bioma.

Grande parte das transformações ocorreu sobre pastagens, que perderam cerca de 11 milhões de hectares. Segundo o MapBiomas, a soja e a cana-de-açúcar expandiram significativamente suas áreas durante o período.

Em 2025, a Mata Atlântica abrigava 25% da soja, 50% da cana-de-açúcar, 68% do café e 34% do citrus plantados no Brasil.

A silvicultura cresceu 3,8 milhões de hectares, e metade das plantações estava na Mata Atlântica em 2025, com destaque para as atuações no Paraná e em Santa Catarina.

Áreas urbanizadas também cresceram 2,5 vezes entre 1985 e 2025, atingindo 2,3 milhões de hectares, com destaque para São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.