Carlos Marighella, ex-deputado federal e guerrilheiro, teve sua morte reconhecida como responsabilidade do Estado brasileiro há 30 anos, em 11 de setembro de 1996. A admissão ocorreu 27 anos após seu assassinato em uma emboscada por agentes da ditadura em 4 de novembro de 1969.
O filho, Carlos Augusto, soube do assassinato do pai aos 20 anos através de fotos enviadas por jornalistas. A família Marighella enfrentou perseguições durante o regime militar, incluindo Carlos Augusto ser expulso da escola e demitido da Petrobras.
Em 1979, após a Lei de Anistia, os restos mortais de Marighella foram levados de São Paulo para Salvador. O reconhecimento oficial veio após a criação da Lei 9.140 em 1995, que instituiu a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos.
No ano passado, um novo documento foi emitido com informações adicionais, segundo Eugênia Gonzaga, presidente da comissão. Essa retificação destacou a relação de Marighella com a ativista Clara Charf.
Nilmário Miranda, ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, relembra a resistência que houve em relação à reparação. Ele destacou que a luta pela justiça não tinha o objetivo de punição, mas de reconhecimento do Estado como responsável.
O filho de Marighella afirma que a reparação deve servir como lição para a democracia brasileira, enfatizando a importância de preservar a memória do pai como inspiração para o futuro. Ele destacou a outorga simbólica de um diploma de engenheiro a Marighella pela Universidade Federal da Bahia.