Ex-advogado de Ciro Nogueira diz que não votaria nele se votasse no Piauí; votaria no PT

Kakay conhece bem Ciro Nogueira e a política piauiense. Ele foi casado com Valéria Portella, filha do saudoso senador Petrônio Portella e prima legítima de Iracema Portella

Em um movimento que agitou os bastidores jurídicos e políticos de Brasília nesta segunda-feira (11), o renomado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, não apenas anunciou sua saída da defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) no caso do Banco Master, como também fez uma declaração política contundente. Em entrevista ao portal Metrópoles, Kakay foi direto: se tivesse domicílio eleitoral no Piauí,  não votaria em Ciro e escolheria um nome do PT.

“Eu não converso sobre política com ele, porque, se eu votasse no Piauí, não votaria nele, votaria no PT”, afirmou o advogado, que também estendeu a lógica ao Distrito Federal, declarando que não vota no governador Ibaneis Rocha sim nos candidatos do PT, da esquerda.

A declaração de Kakay não é apenas fruto de convicção ideológica, embora ele tenha dito que vota na esquerda, mas também de um profundo conhecimento da política piauiense, adquirido por laços afetivos e familiares.

Laços familiares

Kakay conhece bem os meandros da politica do Piauí porque foi casado com Valéria Vieira Portella Nunes, filha do saudoso senador Petrônio Portella, uma das figuras mais influentes da história do estado e da política nacional, especialmente durante o período de abertura democrática no fim da ditadura militar.

Valéria Portella Nunes é prima legítima de Iracema Portella, ex-deputada federal e ex-esposa de Ciro Nogueira. Os filhos de Kakay carregam o sobrenome Portella Castro, simbolizando a forte ligação com a família que por décados dominou o cenário político do Piauí. Assim, quando fala sobre os rumos do estado, Kakay fala de dentro de casa.

A entrevista ao Metrópoles aconteceu horas depois do anúncio de que Kakay deixava a defesa do senador no inquérito que apura um suposto esquema de propinas envolvendo o Banco Master. A Polícia Federal investiga se Ciro Nogueira recebeu valores mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil para atuar em favor dos interesses da instituição financeira no Congresso Nacional.

O escritório de Kakay informou que a decisão foi tomada em “comum acordo” com o parlamentar, mas a coincidência das datas, a declaração política e a renúncia no mesmo dia, levantou especulações sobre um possível desgaste na relação. Procurado, Ciro Nogueira negou qualquer atrito, chamando o agora ex-advogado de “grande amigo”.

A defesa do senador será assumida por Conrado Gontijo, que é afilhado de Kakay, mantendo a transição dentro do mesmo círculo de confiança profissional.